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ANALFABETISMO E PÓS-MODERNIDADE

Lendo um artigo bastante interessante do cientista social Jessé de Souza Martins, publicado no último domingo no caderno Aliás do jornal O Estado de S. Paulo, achei bastante interessante reproduzir aqui no PRAGMA alguns pontos sobre a questão do analfabetismo, que são discutidos pelo autor. Vale lembrar que este discute o analfabetismo em seu sentido mais amplo, não ficando restrito à visão tradicional de que analfabeto é simplesmente aquela pessoa que não sabe ler e escrever.
Para o autor, a pós-modernidade contemporânea, além de ser caracterizada pela produção e difusão da informação em escala astronômica, também é marcada pela multiplicação dos tipos de analfabetismo. Com a revolução da informação proporcionada pelas TICs, a questão do analfabetismo e das competências cognitivas necessárias para que o indivíduo possa navegar em diferentes registros simbólicos (culturais) complexifica-se em demasia.
Em tempo: segundo dados oficiais, estima-se que 75% dos analfabetos em nosso país tem mais de 40 anos, com uma média de idade girando em torno de 54 anos.

. Analfabetismo “clássico” – incapacidade plena de ler e escrever.

. Analfabetismo funcional – apesar de saber ler e escrever, são indivíduos que possuem limitações no que toca ao manejo do material simbólico recebido, isto é, apresentam dificuldades na interpretação do que é lido.
. Desalfabetizados – indivíduos que, após terem completado o ciclo escolar inicial, perdem a capacidade de leitura e escrita pelo simples desuso. É um fenômeno muito comum nas regiões rurais do nosso país.
. Combinação de alfabetização e ignorância – fenômeno muito comum em centros urbanos, diz respeito aos indivíduos que sub-utilizam a capacidade de leitura e escrita, estando relacionada ao uso restrito dos elementos do contexto cotidiano. É um desafio para os educadores e professores, posto que a escola – e inclusive uma parte significativa das instituições de ensino superior – reforçam este processo de utilização sub-ótima dos códigos linguísticos e sociais.
Além disso, o autor discute os efeitos deletérios das TICs sobre a questão do analfabetismo, posto que muitas competências cognitivas que outrora eram exercidas mentalmente – como, por exemplo, a correção da escrita e do vocabulário e a capacidade de realizar cálculos – agora são feitos automaticamente por aplicativos instalados nos computadores, isolando o resultado final do processo mental de feitura e correção.
Por fim, há uma observação um tanto o quanto irônica, quando não trágica, a respeito do descompasso entre as oportunidades simbólicas – leia-se, difusão de informação -proporcionadas pelas TICs e o usufruto efetivo por parte dos indivíduos. Para quem é professor do ensino superior, como é o caso desse Escriba que vos fala, sabe muito bem o que isso significa…
Enfim, um artigo polêmico, porém bastante interessante dada a profundidade das questões levantadas. Gostaria de saber muito o que os meus caros leitores acham disso. Comentário aqui serão muito bem vindos…
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