>O VIRTUAL COMO REFÚGIO DO REAL

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Ultimamente, não é uma das experiências das mais agradáveis ler um jornal, ou então ligar a televisão, dado o teor tétrico e lúgubre do noticiário. As chamadas (manchetes) são as piores possíveis: a explosão do desemprego no país e no mundo, a crise das bolsas de valores, a violência do narcotráfico nas favelas, estupros, assaltos, sequestros, corrupção de todos os tipos, catástrofes naturais, conflitos eternos tais como o israelense-palestino, o nosso Presidente falando um monte de besteiras nos nossos ouvidos (sem parar!), camelôs e mendigos entrando no cacete da polícia e da guarda municipal… isso sem falar na perda de 6 pontos do Vasco da Gama no Campeonato Carioca (coitado desses mulambos, já não bastassem terem sido rebaixados)…

Ou seja: televisão e jornais são a receita perfeita para qualquer homicida (ou suicida) que deseja levar adiante os seus funestos planos. Dado isso, muita gente vem se afastando dessas mídias, buscando novas formas de lazer e entretenimento que sejam baratas, menos ameaçadoras e mais recompensadoras.

É justamente aí que entra em cena a internet, numa das maiores mudanças observadas no comportamento dos consumidores norte-americanos. Estes estão cada vez mais ávidos por diversão barata, fácil, escapista e, em alguns casos, gratuita – ou até mesmo a um custo bastante baixo. Pelo menos é o que estão rastreando os institutos de pesquisa de mercado norte-americanos, dado o crescimento vertiginoso do tempo gasto desses consumidores on-line, seja enviando currículos para vagas de emprego, batendo-papo em chats ou portais de relacionamento, baixando músicas e vídeos, ou então simplesmente… jogando. Os portais de jogos e cassinos virtuais vêm tendo um aumento expressivo da procura por seus serviços, o que indica que o americano está ficando cada vez mais em casa, conectado e viciado…

Esse comportamento escapista não é propriamente uma novidade, dado ser frequente em tempos de crises econômicas e situações bastante adversas. Por exemplo, nos anos da Grande Depressão (na década de 1930), o rádio, o cinema e os espetáculos musicais eram os grandes companheiros nesses tempos tão difíceis e sombrios. Também, após os atentados de 11 de setembro, as pessoas acorreram para a internet – num prenúncio do que se observa agora, só que de maneira muito mais intensa. Afinal, como em uma espécie de mecanismo de compensação, seres humanos sempre buscam refúgio no mundo mágico do jogo, da brincadeira e da fantasia quanto mais áridas são as condições de vida. Psicanalistas como Sigmund Freud, Melanie Klein e D.W. Winnicott já tinham identificado o papel do lúdico como forma de proteção e amortização dos choques da realidade.

Para termos uma idéia, o número de internautas americanos em sites de jogos cresceu cerca de 29,9% no final de 2008, sendo que só nos cassinos virtuais o tráfego cresceu 28,6%. Para a empresa especializada em jogos on-line Big Fish Games, a receita subiu 70% em 2008, e em janeiro de 2009 a empresa atingiu o ápice de seu desempenho em sete anos de existência.

Essa mudança é mais significativa se observamos, na oferta de serviços de lazer e entretenimento, a ausência do crescimento da frequência ao cinema, shows, espetáculos musicais, concertos e espetáculos teatrais neste início de 2009 nos Estados Unidos. Ou seja, enquanto a Broadway e Hollywood apertam os seus cintos, nunca os americanos estiveram se divertindo tanto em casa e com tão pouco custo…

A boa notícia é que, com essa história toda, as pessoas começam a buscar novas fontes de aquisição de informação, e a internet é um receptáculo com diversas possibilidades dessa natureza. A frequência de acesso à sites, portais de relacionamento e blogs vêm aumentando em muito desde o final do ano passado, e isto certamente levará a um deslocamento do poder de produção e difusão da informação das grandes corporações de mídia para pequenos e médios usuários – leia-se blogueiros. Em marquetês, esse fenômeno tem um nome: consumer empowerment (algo como “aumento de poder do consumidor”).

Será que nessa história toda algo de bom sobrará para esse Escriba que vos fala? Espero que sim posto que, assim como o exposto acima, venho notando também um aumento das visitas diárias ao PRAGMA. Daí, a minha firme e arraigada crença de que quem luta e persevera, acaba sempre chegando lá – mesmo que eu não saba muito bem aonde…
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