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OS BOMBARDEIOS EM GAZA (3): O NÃO-DITO

Hoje, um amigo desse Escriba que vos fala levantou uma questão interessante sobre o noticiário internacional a respeito da atual crise entre israelenses e palestinos na Faixa de Gaza. Todas as redes e canais de televisão falam que Israel deve negociar com os palestinos, ou deve fortalecer a autoridade do Fatah, ou então “varrer do mapa” o Hamas, ou então atacar preventivamente o sul do Líbano para eliminar a resistência do Hezbollah. Mas, poucos abordam uma questão importantíssima, e que vem sendo pouco discutida nas últimas semanas…
Quase ninguém fala do papel fundamental da Síria no tabuleiro geral do Oriente Médio, bem como na questão palestina especificamente. Um dos berços do movimento nacionalista pan-árabe laico dos anos 1950 (não é à toa que o país até hoje é governado pelo Partido Baath), a Síria é um gigante estrategicamente adormecido na região, graças ao isolamento imposto não apenas pelos Estados Unidos no último governo W. Bush, mas também pela “contenção” imposta pelos seus vizinhos árabes – leia-se o Egito a partir de Annauar Sadat e a Arábia Saudita, principalmente -, que não lhe são lá muito simpáticos. Além disso, a intrincada questão libanesa e as frequentes interferências na política interna do País do Cedro, tornam o país hostil aos olhos do mundo, tudo isso especialmente “temperado” pela aliança estratégica estabelecida com o Irã, bem como o suporte à milícia libanesa do Hezbollah. Como diriam os americanos, a Síria é um tremendo “troublemaker”…
A grande questão dos últimos anos é que o “congelamento” sírio vem sendo lentamente dissolvido, ironicamente proporcionado em grande parte pelo seu “vizinho de armas”, que é Israel. Em estado de armistício desde a Guerra do Yom Kippur, a grande questão envolvendo sírios e israelenses são as Colinas de Golan – um planalto inóspito e inabitável, coberto de gelo, que é considerado um ponto estratégico vital por permitir uma visão de quase toda a região do Levante. Daí, a disputa encarniçada pela região…
O problema é que, dada a evolução da tecnologia de rastreamento aéreo via satélite, a região perdeu o valor para Israel, e tornou-se uma grande moeda de troca entre os dois contenedores. Ambos os governos, neste ano que se encerra, já disseram que estão negociando a devolução das terras para o governo sírio.
Além disso, o Presidente Bashar al-Assad, filho de Hafez al-Assad (denominado de o “Leão de Damasco“), ciente do isolamento sírio, iniciou um processo de abertura para o mundo externo ao entabular conversações com o Presidente francês Nicholas Sarkhozy, em uma reunião de cúpula em Paris ocorrida esse ano.
O próprio Presidente americano eleito Barack Obama, em vários discursos durante sua campanha, anunciou que iria estabelecer conversações com o atual regime sírio – algo considerado uma heresia pelos falcões e neoconservadores ianques. Agora, se isto irá se tornar uma realidade, não sabemos – especialmente tendo em vista os últimos acontecimentos na Faixa de Gaza…
Agora, imaginem, meus caros leitores, o efeito de uma Síria mais cooperativa e ativa para com Israel na diplomacia intrincada do Oriente Médio? Como ficaria o Irã? Como ficaria o Hezbollah? E, mais, como ficariam as relações com os Estados Unidos?
Interessa a Síria normalizar as relações com o novo governo norte-americano. Qual o preço a pagar? Provavelmente, uma maior influência na política libanesa. E como ficaria a elite política libanesa diante desses fatos? E será que Barack Obama estaria disposto a pagar esse preço?
Essas são algumas reflexões que esse amigo me suscitou. Afinal, especular de vez em quando faz bem para a saúde, e para a mente…
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