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>2009: O ANO DA REDENÇÃO DO ROCK PESADO

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Eu sei que essas retrospectivas de final de ano enchem o saco das pessoas! Afinal, it’s S.O.S. (Same Old Shit), e cada um tem uma avaliação singular e absolutamente idiossincrática do que aconteceu nesse ano que se finda rapidamente.

No entanto, vou abrir uma exceção à regra, e falarei sobre uma das maiores paixões da minha vida: o rock pesado de qualquer espécie, seja ele trash, death, hard rock, grindcore ou o puro e simples heavy metal! Afinal, headbanger que se preza não pode escutar o som de uma guitarra super-saturada e de uma bateria ensurdecedora que ele começa a “bater a cabeça” freneticamente…

Apesar de toda a crise da indústria fonográfica mundial, o fim do modelo CD, a relativização do conceito de “álbum”, os Kaazaas, Emules e Torrents da vida, as “bandinhas-de-um-cara-só” que proliferam no MySpace, a extirpação do som pesado no mainstream da mídia (há muito tempo que a MTV virou lixo, endeusando “coisas” como Artic Monkeys, Cansei de Ser Sexy, The Strokes e outras porcarias pseudo-indies!), o fato é que 2009 foi um ano prolífico para os amantes das guitarras distorcidas.
Vários “medalhões” e grupos consagrados voltaram a cena com novos álbuns – muitos, inclusive, após anos de reclusão. Apesar de todo esse quadro caótico, o bom e velho heavy metal retornou para o deleite de seus fãs, e também para azucrinar ainda mais o saco de pais “chatos”, vizinhos “pagodeiros” e “funkeiros” e parentes “seresteiros”. Afinal, um bom som pesado é aquele que simula a sensação de um motor de dentista furando o cérebro do ouvinte! Ducarai

Foram grandes comebacks, muitos destaques, poucas – porém significativas – decepções e um “micaço” tremendo. Vamos a eles…

Em primeiro lugar, os “arrasa-quarteirões”. Ninguém têm dúvidas que os destaques desse ano foram os comebacks de “medalhões” como o AC/DC (Black Ice) e o Metallica (Death Magnetic). Ambos os discos, já falados e comentados aqui no PRAGMA, são excepcionais, excelentes e maravilhosos – claro, cada qual com o seu estilo. Por um lado, o AC/DC volta triunfalmente fazendo o mesmo tipo de som básico que sempre o caracterizou – baixo e bateria pesadíssimos, com o Angus Young tirando riffs cada vez mais criativos de sua Gibson SG, acompanhados da voz caracteristicamente anasalada do vocalista Brian Johnson. Ou seja, é comprar e ouvir até furar…

Já o Metallica, tal como uma Fênix, ressurgiu das trevas de discos muito ruins lançados nos últimos anos. Depois de muita experimentação, milhares de brigas, alcoolismo e terapia de grupo, os caras resolveram reencontrar a sua identidade – a de que eles são um dos expoentes do trash metal! Resultado: Lars Ulrich voltou a destruir a bateria, Kirk Hammett deixou de “boiolagem” e voltou a solar feito um alucinado, James Hetfield voltou a vociferar no microfone, acompanhados do baixista criativo e doidaço Robert Trujillo (ex-Suicidal Tendencies e ex-Ozzy Osbourne). Duvidam? Experimentem escutar, então, Cianide e My Apocalypse, faixas do último álbum, e depois escrevam aqui quais as suas impressões…

Na seara do trash metal, vale lembrar que os maiores destaques vieram dos irmãos Cavalera: o novo do Soulfly (Conqueror, não tão bom quanto o seu antecessor, mas pesadíssimo e atormentadíssimo, como a mente de Max Cavalera), e a reunião Cavalera Conspiracy (Inflikted, que lembra demais como seria o Sepultura pós-Roots). Ambos os discos são muito bons, apesar de não serem excepcionais, e valem muito a pena escutar…

No âmbito do heavy metal, vale a pena ressaltar o novo disco do Motörhead (Motörized, que dispensa apresentações) e o novo do fantástico Helmet (Monochrome, que ainda estou naquela fase de ouvir “até furar”!).

No outro lado do espectro, o hard rock também teve ótimos lançamentos: o comeback do Whitesnake, com o excelente Good To Be Bad (David Coverdale e Tommy Aldrige esbanjam saúde, contando ainda com uma dupla de guitarristas excelentes, Reb Beach e Doug Aldrich), o novo do Dokken (Lightning Strikes Again, bom como nos velhos tempos!) – uma das bandas de hard rock norte-americanas prediletas desse Escriba -, o comeback do Mötley Cruë com sua formação original (o muito bom Saints of Los Angeles), além do novo disco do excelente House of Lords (Come To My Kingdom).

Isso sem falar no DVD e CD ao vivo dos barbudões texanos do ZZ Top (Live From Texas), uma aula do bom e velho hard rock pulsante, vibrante, contagiante e tipicamente norte-americano, que também já resenhei em outra oportunidade aqui no PRAGMA. Sou fã dos caras!

Todos esses discos que citei acima são excelentes, e tenho certeza que nenhum amante da música pesada irá se decepcionar com essas indicações – respeitando, é claro, os gostos e as preferências individuais de cada um. No entanto, o ano de 2009 também nos reservou algumas decepções e um “micaço” daqueles! Quais serão?

Confesso que dois discos me deixaram bastante frustrados. Ambos são um tédio só, chatos prá caramba, repetitivos, maçantes… Estou falando do novo do Judas Priest (Nostradamus), um álbum-conceitual que não acrescentou nada à discografia gloriosa desses ingleses considerados os pais do heavy metal – os avôs, é claro, são o Led Zeppelin, o Deep Purple e o Black Sabbath.

Outro que foi soporífero foi o novo do Nine Inch Nails (The Slip). Ao escutar esse último álbum, a impressão que eu tive é que o Trent Reznor está num beco sem saída quando o assunto é o rumo sonoro do NIN (uma banda que eu adoro de paixão!), posto se tratar de uma repetição sem criatividade de álbuns recentes que não são tão bons assim – casos do With Teeth e Year Zero -, que passam “miles away” de discos clássicos como Pretty Hate Machine, Wish, Downward Spiral e Fragile. Anyway, life goes on, nem sempre se pode acertar em todas, e vamos esperar os próximos álbuns para que eu possa mudar a minha opinião. Mas que o Trent Reznor é o cara, isso eu não tenho a menor dúvida!

Já o “micaço” do ano de 2009 é o tão falado – e tão demorado – Chinese Democracy, daquilo que sobrou do finado Guns “N’ Roses (atualmente, a banda solo do “pancadaço” Axl Rose). O disco é um saco, datado, pretensamente eletrônico, repleto de baladas babacas e cheias de orquestrações idiotas, com o Axl enchendo o saco com aquela voz esganiçada e de taquara rachada.

O disco vale a pena apenas pelas duas primeiras músicas (a faixa-título e Shackler’s Revenge), destacando-se o gênio do enlouquecido guitarrista Buckethead (aquele que toca com uma máscara branca e um balde do KFC na cabeça, e que esteve com o Guns na última edição do Rock in Rio aqui no Brasil). Para vocês sentirem o drama: nem o cara, que é fodaço na guitarra, acompanhado de outros músicos também espetaculares como o guitarrista Robin Fink (ex-NIN) e o baterista também fodaço Brain (ex-Primus) conseguiram salvar o disco do lixo! Vale a pena ouvir e rir para não chorar – um testemunho do que a megalomania é capaz de fazer à mente de uma pessoa…

Dentre mortos e feridos, o ano de 2009 foi uma vitória para os amantes do som pesado, com um saldo altamente positivo para os headbangers de carteirinha e de coração! Mais um motivo para que possamos comemorar a virada do ano com muito som pesado nos amps…

E, no ano que vem tem mais! Estão prometidos para 2009 algumas novidades do “barulho” como o novo álbum de inéditas do Kiss, o trashcore ensandecido do Slayer de Tom Araya & Cia., o novo disco do Sepultura (A-Lex, que, segundo dizem, tá bom pracarai…) e o novo álbum de estúdio do maravilhoso, excepcional e fantástico King Crimson. Também, com um grupo que conta com dois grandes “monstros” da guitarra como Robert Fripp e Adrian Belew, o que podemos esperar? O paraíso, evidentemente…

Essa é a resenha que faço de 2009. Caso tenha me esquecido de algum álbum ou lançamento, não se furtem de comentar aqui, meus caros leitores. Pois, afinal, a memória desse Escriba que vos fala, além de ser limitada, é parcial e tendenciosa…
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