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FUTEBOL É ESPORTE… E BUSINESS

Todos que acompanham o PRAGMA com uma certa regularidade, desde o seu início há um ano e meio atrás (nossa, quanto tempo!), sabe do amor desse Escriba que vos fala pelo ludopédio – o nosso querido e amado futebol! Esporte nacional por excelência, o futebol em nosso país é mais do que desporto, competição ou entretenimento – é um elemento fundamental na construção da nossa identidade nacional.

Num país ausente de heróis militares, repleto de desigualdades e de uma classe política abjeta e repugnante (salvo honrosíssimas excessões), despejamos toda a nossa vaidade, narcisismo e ufanismo neste velho esporte bretão – introduzindo nestas plagas pelo inglês Charles Müller, mas que foi reconfigurado e reconstruído pelos artistas da bola que habitam – e habitaram – a Terra Brasilis. Nossos ídolos não são reis, rainhas, generais, políticos e estadistas, mas sim os nossos Pelés, Garrinchas, Zizinhos, Helenos de Freitas, Niltons Santos, Zicos, Rivaldos, Ronaldos, dentre tantos outros, que motivam os nossos garotos (tanto ricos quanto pobres) espalhados pelo Brasil em suas escolinhas, peladas e torneios locais.
Futebol, meus caros leitores, é uma coisa muito séria: é a história e a cultura da nossa nação, do nosso povo, por mais que estejamos fartos em saber que noções como “país”, “povo” e “nação”, tal como afirma Benedict Anderson, são construções sociais engendradas ao longo do tempo histórico…
Com a globalização do esporte, o futebol é um case exemplar de como uma atividade deste porte tornou-se entretenimento planetário das massas na contemporaneidade. Panis et circensis, como diriam os sábios romanos. Hoje, uma simples volta nas ruas e shopping centers dos grandes centros urbanos brasileiros é ilustrativa deste fenômeno – inúmeros jovens e adultos envergando camisas de times como o Milan, a Inter de Milão, o Barcelona, o Real Madrid, o Manchester United e, em número menor, de times brasileiros como o São Paulo, o Grêmio, o Internacional, o Flamengo, o Palmeiras… Triste ironia do destino: o povo do futebol se rende aos times estrangeiros, dado os nossos craques estarem jogando lá fora, além da crônica desorganização…
Mas isso é assunto para outro post
Para sobreviver nesta seara cada vez mais competitiva, alguns clubes brasileros vêm adotando – e com bastante sucesso – um modelo de gestão do futebol que utiliza ferramentas retiradas da gestão de negócios. É o paradigma do futebol como business. O São Paulo, virtual hexa-campeão brasleiro, campeão da Copa Libertadores e do Mundial Interclubes, é o exemplo mais completo de adoção vencedora desse modelo. Com um time sempre competitivo (apesar da mudança constante de jogadores), uma estrutura de dar inveja aos rivais (centro de treinamento e centro de reabilitação de altíssimo nível), além de uma bela estratégia de marketing (exploração criativa de espaços no Morumbi, merchandising e ações promocionais dirigidas à torcida), não é à toa que o tricolor paulista detém a hegemonia do futebol brasileiro nas duas últimas décadas.
Como em toda e qualquer prática de negócios bem sucedida, é inevitável – e salutar – que os clubes rivais procurem se inspirar no modelo São-Paulino. Um dos times que desponta como grande concorrente, apesar de estar fora da disputa do Campeonato Brasileiro desse ano, é o Internacional de Porto Alegre. Também como uma estrutura de dar inveja aos rivais, um estádio próprio (o Gigante da Beira-Rio) que vem sendo explorado de maneira mais criativa e uma campanha de captação de sócios cada vez mais agressiva, tudo isso propiciou ao Colorado ganhar recentemente a Copa Libertadores e o Mundial Interclubes – contra o temível Barcelona, com gol de Adriano Gabiru (quem?), depois de uma “entortada” sensacional do Iarley em Puyol -, e estar disputando nesse momento em que escrevo o título da Copa Sul-Americana contra o time argentino do Estudiantes de la Plata.
Vale lembrar que, desde que essa competição foi criada, nenhum clube brasileiro conseguiu ir tão longe na competição. O Internacional, ao contrário da grande maioria dos nossos clubes, prefere apostar nas competições internacionais, por estas serem mais rentáveis, com cotas de patrocínio mais atraentes e polpudas, além de serem ótimas “vitrines” para a venda de seus jogadores. Isto é o que se chama de planejamento estratégico aplicado ao esporte. E, nessa toada, o Colorado vai trilhando os passos do São Paulo mantendo, a cada temporada, elencos competitivos mesmo com sucessivas trocas de jogadores. E, é claro, a torcida agradece e reverencia os seus dirigentes…
É curioso ver, a título de comparação, como os dois maiores clubes de torcida do país – o Flamengo e o Corinthians – estão à anos-luz deste patamar de excelência. Ambos tiveram experiências frustantes com empresas estrangeiras, e continuam sendo geridos de maneira amadorística, apesar da inconteste paixão dos seus torcedores. Basta ver que, há dois anos consecutivos, o time campeão em média de público na série A do Campeonato Brasileiro é o Flamengo. Em compensação, está alijado da busca do título e corre o sério risco de não se classificar para a disputa da Copa Libertadores do ano que vem…
Já o Corinthians foi rebaixado no ano passado, tendo conquistado novamente o acesso à série A, ao ganhar o título da série B – de maneira tranquila e sem maiores esforços…

Como o esporte é paradoxal, não acham?

PS: Aliás, diga-se de passagem, como jogam bola o Nilmar e o D’Alessandro, heinm?!?!
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  1. Kamila
    dezembro 4, 2008 às 5:03 pm

    Oi José Mauro!
    Primeiro, Parabéns pelo blog! Está a sua altura!

    Não sei se está lembrao de mim. Fui uma de suas alunas da turma MKT 16, em Vitória. Quero que saiba que foi um prazer estudar com vc!

    Só tenho “dó” do próximo porfessor, enquanto consumidora, meu nivel de exigência só aumenta em relação a FGV. Mas tenho certeza que esta corresponderá as minhas espectativas.

    Tomei a liberdade de add seu blog ao meu “humilde diário”(risos). Ele está um pouco “jogado as traças”… Mas em breve isso vai mudar.

    Bom, é isso.
    Grande abraço! Espero não perder contato!Quando for ao RJ te aviso! Quem sabe a gente não toma um café!

    Kamila.

  2. José Mauro Nunes
    dezembro 6, 2008 às 5:39 pm

    Olá Kamilla, tudo bem?

    Obrigado pela visita, e também por acompanhar esse humilde blog.

    Como vc. pode ver, trata-se de um espaço onde eu coloco as minhas idéias. É um ótimo exercício de escrita e de reflexão.

    Por causa da sua visita, tomei a liberdade de olhar o seu blog, e achei-o bastate legal. Vc. deveria atualizá-lo com mais frequência e incrementá-lo. É bom, pois ajuda a organizar as nossas idéias.

    Bem, é isto! Obrigado pelos seus comentários, e foi um tremendo prazer tê-la como minha aluna.

    Quando vieres ao Rio, não hesite em me contactar para um cafezinho!

    Abraços,
    José Mauro

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