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>DICA DE CD – METALLICA – "Death Magnetic"

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O bom filho, sempre à casa torna! Pelo menos, os séculos mostram que a parábola bíblica do “filho pródigo” tem sido válida para entender as idas e vindas de pessoas – e acontecimentos – em nossas vidas. A lição é: há sempre tempo para a remissão dos pecados, e perdoar é um virtude humana, que deve ser exercida de maneira generosa! E, creiam-me meus queridos leitores, há de se fazer isso urgentemente quando o assunto é o novo disco do Metallica

O Metallica é uma das minhas bandas de coração, uma das que mais mexe comigo quando o assunto é som pesado e “pancadaria sonora”! Surgida na cena do metal californiano da metade da década de 1980, a banda dos garotos de San Francisco despontou como um dos expoentes do chamado speed metal – posteriormente, rebatizado de trash metal – junto com outras fantásticas bandas como Slayer, Anthrax, Exodus e Megadeth. Numa cena até então dominada pelo arena rock, glam rock e roqueiros “posers” de cabelos “armados” e com quilos de laquê – em bandas como Motley Crue, Ratt, Poison e outras -, sem dúvida alguma o trash metal era um sopro de ar fresco, com seus riffs mortais de guitarras, vocais ensandecidos e baterias aceleradíssimas (Dave Lombardo é que o diga)…
Pois bem, de todos esses pioneiros, sem sombra de dúvida a banda que alcançou o maior sucesso comercial foi o Metallica. Elevada ao status de banda cult pelos headbangers mundiais – graças a maravilhosos e inesquecíveis discos como Kill ‘Em All (1983), Ride The Lightning (1984), Master of Puppets (1986) e …And Justice For All (1988) -, os caras chegaram, paradoxalmente, ao ápice e ao impasse musicais por ocasião do lançamento do megaplatinado Black Album, em agosto de 1991.
Lançado no momento da explosão do “grunge” – outro turning point do rock -, esse disco ampliou em muito a base de fãs da banda, além de inaugurar uma nova fase repleta de canções mais simples, lentas e com uma menor alternância de riffs e ritmos. Apesar de achar essa observação um tanto o quanto maldosa, além de não fazer jus a qualidade do Black Album, é óbvio que músicas como Enter Sandman, Sad But True, The Unforgiven, Wherever I May Roam e Nothing Else Matters, que inclusive frequentaram durante semanas as paradas de sucesso em ambos os lados do Oceano Atlântico, transmitiram para os fãs de carteirinha da banda a impressão de que os caras tinham se “vendido” ao sistema – como se todos nós não fossemos vendidos ao sistema, em maior ou menor grau!
Além disso, a briga encarniçada com o Napster (site peer-to-peer) aumentou a antipatia pela banda, especialmente entre o público mais jovem. Com isso, os caras angariaram o ódio dos fãs, ganharam muito dinheiro, tocaram no mundo inteiro e…, como não poderia deixar de ser, caíram na porrada entre si!
O conflito girava em torno do núcleo envolvendo James Hetfield (voz e guitarra) e Lars Ulrich (bateria), cada um se achando mais dono da banda do que o outro! Além disso, o baixista Jason Newsteed se achava cada vez menos representado no som do grupo! E, para piorar o clima, o guitarrista Kirk Hammett (o grande riffeiro e solista da banda), entrou numa viagem musical (e visual) de solar menos e de parecer um roqueiro pós-punk andrógino (o que seria isto?).
Resultado: depois do Black Album, a banda entrou numa barafunda de discos medíocres, insossos e sem inspiração. Load (1996) e ReLoad (1997) são discos deste tipo, e o auge veio no comeback da banda com o horroroso e insuportável álbum St. Anger (2003) – um “lixo” na discografia da banda, um verdadeiro rebotalho de composições que merecem entrar para a história do rock como um dos discos mais infelizes da história do metal! Para esse Escriba que vos fala, St. Anger é um dos maiores “king-kongs” da história do heavy metal
Anos depois, vendo o documentário Some Kind of a Monster, dá prá entender o baixo-astral e a pouca inspiração criativa que cercou a feitura desse disco…
Confesso que desde então, e como fã dos caras, tinha desistido do Metallica! Falei com os meus botões: prefiro escutar músicas como Battery, Creeping Death, The Four Horseman, Whiplash, Seek & Destroy, For Whom The Bell Tolls, Master of Puppets, Damage, Inc. e outras mais, do que dar “moral” para as últimas porcarias do quarteto! No entanto, eis que a Fênix ressurge das cinzas…
Death Magnetic, lançado em setembro desse ano, é o há de mais essencial ao “estilo Metallica de ser” – no sentido pleno na expressão! Tudo o que caracterizou a história da banda está contido nesse novo álbum: canções vigorosas e inspiradas, riffs rapidíssimos de guitarras, batidas aceleradas, alternância de climas e ritmos, além de solos de guitarra maravilhosamente hammettianos – por favor, não confundir com Hamletianos, a despeito do dilema existencial vivido pela banda nos últimos anos…
Me recuso a comentar faixa por faixa de Death Magnetic! Pelo contrário, recomendo fortemente aos meus leitores que escutem as músicas, let it flow, e depois de digam se o bom e velho Metallica está ou não de volta…
Se caso o receio for mais forte do que a vontade, aceitem uma sugestão: para começo de conversa, escutem músicas como My Apocalypse, Cyanide, The End Of The Line e Broken, Beat & Scarred. Ouçam e me digam, aqui nos comentários, se esse Escriba tem ou não razão…
Sem dúvida algum, Death Magnetic é seríssimo candidato ao melhor disco de 2008, o comeback of the year! Quase igual a isso, só o novo do AC/DC (Black Ice, a ser lançado ainda esse mês) e o já “imortal” Chinese Democracy, dos Guns ‘N Roses (prometido até o final desse ano).
Não sei o que vocês pensam, mas o ano para mim já valeu a pena – pelo menos, no que diz respeito ao trash metal
Metallica rules!!!
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