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>UNIVERSIDADES AMERICANAS ENTRAM "PESADO" NA REGIÃO DO GOLFO PÉRSICO

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Continuando no site NOW Lebanon, eis uma outra matéria sobre o acirramento da competição no segmento da Educação Superior no mundo árabe. Parece que os norte-americanos estão dispostos a abalar a hegemonia libanesa na região, investindo pesadamente no países do Golfo Pérsico. Isso é o que pode se chamar de diplomacia da complementariedade: petróleo e gás de um lado, educação superior do outro. É o “hard” e o “soft power” andando juntos! Não é à toa que países como o Catar e os Emirados Árabes Unidos vêm chamando a atenção do mundo todo nos últimos anos. E isso se explica, em grande parte, pelo fato de que ambos os países são literalmente um oásis político em um mundo tão turbulento e hostil quanto é o Oriente Médio. Especialmente aos olhos de uma ocidental, que não entende patavinas da geopolítica tortuosa dessa região do planeta…

As universidades libanesas – uma referência no mundo árabe – vêm sendo desafiadas pelas universidades americanas, que estão abrindo seus campi nos países do Golfo. Vejam só a artilharia pesada que está vindo do lençol de petróleo que é a região…

A internacionalizada cidade de Doha, a capital do Catar, criou a “Cidade da Educação”, que abriga vários campi de prestigidas universidades americanas. Estão lá seis programas de graduação ofertados por escolas como a Georgetown University (uma referência mundial em ensino de Relações Internacionais), a Escola de Medicina da Universidade de Cornell, a Escola de Comércio Exterior da Carnegie Mellon University, a graduação em artes e design da Virginia Commonwealth, os cursos de engenharia da Texas A & M, e o curso de jornalismo da Northwestern University. Ou seja, chumbo grosso da pesada…

No fausto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a Michigan State University e o Rochester Institute of Technology também estão em tratativas de inaugurar seus campi com os seus respectivos cursos. Já em Abu Dhabi, também nos Emirados Árabes, a New York University (NYU) pretende inaugurar um campus universitário. Tudo isso de olho no bolso “forrado” dos filhos de famílias ricas árabes, ávidos por uma educação internacionalizada “padrão Ocidente”.

No entanto, para superar as universidades libanesas, há um longo caminho a ser percorrido. Em primeiro lugar, há a tradição libanesa: a American University of Beirut (AUB) é a mais antiga da região, tendo sido aberta pela missão americana em 1866. Em segundo lugar, o Líbano possui uma atmosfera cultural rica, sua imprensa é uma referência no mundo árabe e é detentor de uma tradição de liberdade de expressão, fator este incipiente nos países do Golfo. Além do mais, com programas de graduação mais humanistas e repleto de disciplinas eletivas, oferece aos estudantes uma formação mais ampla do que as universidades “emergentes”, mais focadas e especializadas em seus programas de graduação. Praticamente, as universidades norte-americanas no Golfo Pérsico oferecem formações mais direcionadas em business, engenharia e ciências médicas, ofertando uma formação menos geral e ampla ao estudante.

No entanto, dada a instabilidade crônica da política libanesa, esse fator acaba por contaminar a atmosfera das universidades. Os debates políticos sectários – especialmente nos momentos agudos dos conflitos comunitários – acabam contaminando as salas de aula, os auditórios e os corredores, além de trazer um ambiente de insegurança que afugenta muitos alunos da região. Muitos destes acabam se afastando das universidades libanesas por não quererem se envolver em política – algo raro e quase impossível em um clima tão conturbado quanto o do País do Cedro. Isso sem falar na perda de continuidade dos projetos de pesquisa, das monitorias e das bolsas de estudo…

Além disso, há uma ruptura nos programas de intercâmbio, e muitos estudantes estrangeiros não se arriscam a passar 6 meses em local com tanta turbulência política como esse. Realmente, é uma pena, dada a riqueza e a tradição da cultura libanesa, em especial sua literatura, cinema, música, arquitetura e suas raízes históricas…

No entanto, a competição é positiva não apenas por mexer com os brios dos gestores e alunos, mas também por impelir os atores educacionais uma pressão maior para a adoção de programas e políticas que visem a excelência do ensino superior, bem como a superação dessas dificuldades. É como se diz no marketing: onde há adversidades, sempre existem pessoas que enxergam oportunidades…
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