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DICA DE DVD – ZZ TOP: Live From Texas

Uma das maiores frustrações da minha vida foi ainda não ter visto uma apresentação ao vivo da fantástica banda texana ZZ Top, para mim um dos ícones do que há de melhor e de altíssima qualidade no rock americano. Aliás, não apenas o rock é uma invenção americana, mas também o blues (derivado do canto de lamento dos trabalhadores rurais negros do sul), a country music (a quintaessência da música também sulista, só que produzida por brancos), o jazz, a folk music
E, o mais legal de tudo, é que o power trio dos “mega-doidões-barbudos” de Houston é o resumo de todo esse melting pot que é a música e a sociedade norte-americanas. Ou seja, se quiseres entender as vertentes do rock de raiz, ouça os caras imediatamente! Esse Escriba que vos fala garante que os meus exigentes leitores roqueiros não irão se decepcionar nem um pouco…
Daí, a minha grata surpresa quando vi nas lojas o primeiro DVD da banda. Live From Texas 2008 é uma apresentação antológica dos caras, gravada no início do ano na própria terra da banda. E, o pior, é que eu não sei o que é melhor de se ver: se é o som da banda, se são os extras do DVD, ou a audiência, composta em sua grande maioria por figuraças do tipo “bebuns-doidões-ripongas”, paramentados em suas jaquetas de couro, suas motos envenenadas, suas acompanhantes de peitões, regados a milhões de galões de cerveja, que dão uma atmosfera particularmente relaxada e íntima a apresentação. Em algumas ocasiões, dada essa atmosfera familiar, parece que os caras estão tocando na garagem de casa para os seus amigos, tal como em um pocket show ou então numa convenção de fãs da banda, tamanha a descontração e alegria no palco – apesar de que as barbas enormes e espessas, e os óculos escuros não deixam entrever muito a expressão facial dos músicos…
A banda é fantástica em termos sonoros, marcada por uma tremenda química entre os seus integrantes, uma característica típica dos grandes power trios da história do rock. Para mim, ZZ Top é sinônimo de cerveja, uísque, charuto, bar enfumaçado, diversão, garotas, easy rider, Harley Davidsons, enfim todo o imaginário clássico – portanto, maravilhoso! – do rock. E, tudo isso, é claro, embalado por um potente som de guitarras que não dá vontade de parar de ouvir! É ligar os amps em sua altura máxima, e deixar-se embalar pela viagem de carro pelo deserto, emoldurado por dunas, cactos, bares na beira da estrada, motéis baratos, lobos da estepe uivando ao luar… Muito foda!!!
Billy Gibbons é um exímio guitarrista, de mão cheia, com seu fraseado bluesy (sua slide guitar é imbatível!), honrando uma velha e longa tardição de guitarristas desse gênero. Suas composições retratam o universo dos “inferninhos de esquina”, tais como boites de striptease ou “pé-sujos” vagabundos lotados de bebuns em busca de diversão. Definitivamente, garotas, cerveja e motos fazem parte do imaginário da banda. Já a cozinha é de uma coesão tremenda, com o divertidíssimo Dusty Hill (baixo e vocais) fazendo contraponto ao sisudo e sério baterista Frank Beard (curiosamente, o único da banda a não portar barba, apesar do nome, o que denota o senso de humor fino dos caras).
O repertório do DVD é excepcional, mesclando antigos e novos materiais da banda, não deixando de abordar os seus principais sucessos e clássicos. O set list abrange desde composições como Just Got Paid (do segundo álbum da banda, Rio Grande Mud, de 1972), Waiting for the Bus (do álbum Tres Hombres, de 1973), I’m Bad, I’m Nationwide e Cheap Sunglasses (do álbum Deguello, de 1979), Got Me Under Pressure e Sharp Dressed Man (do megaplatinado Eliminator, de 1973, considerado o maior sucesso comercial da banda, e para muitos o melhor disco), até coisas mais novas como a fantástica Pin Cushion (do excepcional álbum Antenna, de 1994, um dos melhores na opinião desse Escriba que vos fala, e que está sub-representado no DVD).
Além disso, não poderiam faltar os clássicos da banda, como Jesus Just Left Chicago (um blues de raiz, daqueles de chorar, com um solo de slide do Gibbons que é uma coisa!), Gimme All Your Lovin’ (uma “onda” só, daqueles sons de você ligar no carro e esquecer da vida e do mundo, só na estrada!), Legs, La Grange (fantástica!) e Tush.
Enfim, imperdível! Só a lamentar a falta de músicas de álbuns mais recentes, especialmente do petardo sonoro Rhythmeen (lançado em 1996, mas atualíssimo!), que ainda comentarei aqui no blog, tamanha a potência sonora desse álbum!
Para quem gosta de um bom rock básico, de raiz, eivado de bom humor e com temperos de blues, country, folk e música mexicana, recomendo a audição a cada duas horas seis vezes por dia! E é especialmente indicado para quem acha que a melhor coisa que o rock já produziu vem de grupos como Korn, Limp Bizkit, Slipknot e outras coisas do “nu metal” – sons que, diga-se de passagem, esse Escriba gosta, mas que estão a milhões de anos-luz do som produzido por esses barbudos texanos dos deuses…
Então, é só botar na TV de LCD e delirar!!! E viva os Beer Drinkers & Hell Raisers de todo o mundo!!!
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  1. Ana Lúcia
    setembro 14, 2008 às 1:04 am

    Professor
    Você pode não acreditar , mas é verdade…Eu assisti o ZZ TOP quando estive nos Estados Unidos no New Orleans Jazz & Heritage Festival no ano passado.

    Eles levaram a platéia à loucura!!!

    Eles são uma figura…..
    Os microfones deles parecem turbinas na vertical de motos

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