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UM ALERTA PARA QUEM PENSA EM ABRIR O CAPITAL DE SUA EMPRESA

Normalmente, sou avesso à colunistas pop da “hora”, tipo assim, os que frequentam programas televisivos, escrevem colunas em jornais, invariavelmente discorrendo sobre aquilo que o sábio Nelson Rodrigues chamava de “o óbvio ululante”. Tenho prevenção contra raciocínios simplificadores e reificantes da realidade, seja análises que envolvam as dimensão macro e/ou micro-social.

No entanto, toda boa regra têm lá as suas exceções. E peço licença aos meus obsequiosos e compreensivos leitores para a ressalva que irei fazer a partir de agora…

Na edição do mês de fevereiro da Revista Época Negócios, há um artigo muito interessante do articulista e consultor organizacional Max Gehringer – sim, o mesmo que aparece na televisão e no rádio -, na sua coluna “Carta ao Presidente”, situada bem no finalzinho da revista.

O título do artigo se chama “Torre de Babel”, e alerta para a necessária mudança da cultura organizacional quando uma empresa toma a decisão de abrir o seu capital, deixando para trás a cultura pouco transparente de uma empresa de capital fechado…

Selecionei aqui algumas frases da matéria que me chamaram a atenção, por considerá-las extremamente elucidativas sobre o tema, e façam os insights que vocês quiserem:

“(…) Numa empresa de capital fechado, as decisões não precisam ser explicadas a quem não têm livre acesso à sala da presidência. Qualquer outra pessoa que se atreva a fazer algum questionamento é chamada de “curiosa”, se for sapo de fora, ou “impertinente”, se fizer parte do quadro de funcionários. Numa empresa aberta, um questionador que prime pela curiosidade ou pela impertinência passa a ser chamado, respeitosamente, de “acionista” (…)

“(…) Explicações antes dadas ao dono, a portas fechadas, não necessariamente podem ser repetidas para uma legião de jornalistas especializados em recomendar a compra ou a venda de ações. Antes, o relacionamento era baseado na confiança. Agora, passa a ser técnico. (…)”

“(…) Ao abrir o capital, uma empresa admite que todas as respostas precisam ser pensadas muito antes que as perguntas sejam formuladas. E com todos falando a mesma língua. A língua dos acionistas (…)”.

Resolvi destacar esses trechos da coluna para alertar aos gestores dessas empresas a respeito das dores do parto envolvidas no processo de abertura de capital – diga-se de passagem, lancinantes e excruciantes quando a empresa não se planejou adequadamente. Além de todos os requisitos legais e contábeis a serem cumpridos, o mais importante é que haja uma verdadeira mudança comportamental das pessoas que trabalham na organização – leia-se comprometimento, ética e responsabilidade social por parte de seus executivos, gestores e demais colaboradores…

Falo isto para compreender o que ocorre atuaImente em uma universidade particular aqui no Rio de Janeiro – na qual, diga-se de passagem, esse Escriba trabalha – que, no final do ano passado, resolveu seguir esse caminho de abertura de capital – no jargão do mercado de ações, uma IPO. Isso é, a empresa tomou uma decisão radical de passar de uma confortável e tranquila cultura familiar para uma cultura transparente e agressiva, exigida segundo os preceitos do que há de mais up-to-date no campo da gestão empresarial moderna. No entanto, pelo que vem acontecendo, parece que a emenda está saindo pior que o soneto…

Os percalços que essa universidade está enfrentando, jogando pela janela o seu corpo docente experiente e qualificado, transmitindo insegurança para os alunos e funcionários, poderia ser evitado caso as “cabeças coroadas” da instituição dessem uma lida no artigo citado por esse Escriba. Aí, eles veriam que há muito mais coisas entre o céu e a terra do que supõe um mero corte abrupto de custos sugerido por um vão “açougueiro-consultor”…

A história recente é repleta de escândalos empresariais ancorados em práticas gerenciais escusas, tais como falta de transparência, sonegação de informações, “maquiagem” de dados, relações truncadas com colaboradores e stakeholders, além de histórias escabrosas de comportamentos anti-éticos e de assédio moral por parte de seus gestores. Afinal, quem não se lembra de empresas como Enron, Arthur Andersen, Parmalat e outras?

Para que não haja equívocos por parte dos meus pacientes leitores, vale lembrar que eu trabalho apenas no ensino de graduação dessa instituição de ensino. E, oxalá, espero abreviar o mais rápido possível a minha estadia por lá…
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