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O ENCOLHIMENTO DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS

Quer se queira ou não, as transformações na sociedade brasileira são muitas, e inevitáveis. Fruto da urbanização e da industrialização durante os anos do pós-guerra, especialmente durante os governos Vargas e JK, onde o projeto claro das elites brasileiras era o da “modernização” do país sem, no entanto, destituir a primazia do modelo exportador de commodities agrícolas, até então a matriz dominante da economia brasileira – modelo este magistralmente analisado por pensadores como Celso Furtado e Caio Prado Júnior -, que garantiam ao país uma inserção periférica no circuito produtivo das trocas econômicas mundiais.

No entender dos sociólogos, demógrafos e cientistas sociais, a urbanização proporciona uma série de alterações na estruturação das unidades familiares. Como o Brasil não é uma exceção à regra, o que se observa é uma diminuição considerável no número de integrantes das famílias brasileiras. Segundo análises empreendidas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base nos dados da Pnad (Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílios), a média de filhos por mulher era de 2 em 2006, contra 3,5 em 1984. A expectativa dos analistas é que, em 2030, quando o país atingir a cifra de 225 milhões de habitantes, a população iniciará um processo de declínio. As implicações desse fenômeno são dramáticas para governantes, gestores de políticas públicas, empresas privadas e pesquisadores de mercado.

Isso se deve a queda da taxa de fecundidade, que passou de 2,1 nascimentos por mulher em 2005 para 2 em 2006. A previsão é que esta taxa atinja o patamar de 1,5 nascimentos por mulher em 2025, ultrapassando em muito a taxa mínima de reposição da população – isto é, o número de nascimentos equivale ao número de óbitos. O Instituto também apurou que em cada lar brasileiro habitam, em média, 3,2 pessoas, e em nenhum estado brasileiro a média chega a atingir 4 integrantes por unidade familiar.

As taxas médias de fecundidade por região do país são as seguintes: região Norte (2006: 2,5; 2005: 2,5); região Nordeste (2006: 2,2; 2005: 2,3); região Centro-Oeste (2006: 2,0; 2005: 2,0); região Sudeste (2006: 1,8; 2005: 1,9); e região Sul (2006: 1,9; 2005: 2,0).

Isto significa que aquilo que aprendemos nos bancos escolares nos anos 1970 e 1980 está caducando. O mito do Brasil como um “país jovem” caminha a passos largos para a obsolescência, uma vez que os indicadores econômicos e demográficos apontam para um cenário demográfico onde há uma população com crescimento em desaceleração. Isto significa uma alteração sensível de nossa pirâmide demográfica: de base larga e topo estreito (típica dos países em desenvolvimento), para uma distribuição composta por uma base que gradualmente vai se estreitando para um topo em paulatino crescimento (típico dos países que estão em vias de se tonarem “maduros”, tais como os da Europa).

Além do envelhecimento da população a olhos vistos, podemos enfrentar mais adiante uma crise de escassez de força de trabalho, tal como atualmente vivem os países da União Européia. Especialmente pelo fato de que o estrato com maior dinamismo de crescimento -a população parda e preta, oriunda de classes econômicas mais baixas, localizada nos grandes centros urbanos – enfrenta índices alarmantes de mortalidade, cuja faceta mais visível são os nossos jovens em “situação de risco” que perambulam pelas ruas e favelas das cidades. Na maioria acachapante dos casos, os óbitos são violentos, causados por armas de fogo, confrontos com a polícia e facções rivais, alcoolismo, drogadicção, acidentes de trânsito, doenças sexualmente transmissíveis e outros comportamentos que exacerbam o risco de vida desses indivíduos. Isso sem falar na “bomba de efeito retardado” que é a crise do sistema previdenciário…
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