AS DELÍCIAS QUE VÊM DA BÉLGICA…

Com a globalização e a abertura dos mercados mundiais, os consumidores do mundo inteiro começam a ter acesso a uma série de produtos até então circunscritos aos seus locais de produção, em escala maior e com um preço mais acessível. Sem dúvida alguma, dado o seu caráter paradoxal, esta é uma das facetas positivas do processo de globalização, a democratização dos bens de consumo. E nada mais característico desse aumento de circulação do que a culinária e a gastronomia. Pois, se ainda é caro e perigoso ir à determinadas regiões do mundo apreciar in loco tais produtos, pelo menos podemos sentí-los em nosso paladar. E, dependendo do prato ou da bebida, é possível viajar milhas e milhas…

Tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo – cidade esta dotada de um sem-número de restaurantes das mais variadas procedências -, o número de estabelecimentos que oferecem a culinária das mais variadas regiões do mundo cresce em escala exponencial. Há cerca de uma década atrás, os fanáticos por uma comida mais “exótica” tinham como grande opção os restaurantes japoneses e árabes, além dos tradicionais portugueses e alemães. Agora, a culinária dos quatro cantos do mundo invade a nossa mesa, em função da profusão de casas especializadas em pratos tailandeses, indianos, poloneses, finlandeses, gregos, judaicos…
Para quem, como esse Escriba que vos fala, aprecia uma boa mesa e um bom copo, nada melhor do que uma bebida para abrilhantar uma cozinha requintada. E é aí, no campo das bebidas, que residem as verdadeiras “pérolas” da gastronomia internacional, pois cada país do mundo têm as suas bebidas nacionais – que, com a globalização, são cada vez mais acessíveis aos paladares exigentes e ávidos por novidades.
Os exemplos de bebidas nacionais são inúmeros, abrangendo democraticamente tanto fermentados quanto destilados: temos a cachaça (Brasil), o whisky (Escócia e Irlanda), os vinhos tintos, brancos e rosés (França, Argentina, Chile, Itália e outros), a Champanhe (na região de Champagne, na França), o Vinho do Porto e o Madeira (Portugal), o Jerez (Espanha), o saquê (Japão), a grappa (Itália), o árak (Líbano), o pisco (Peru) e, uma das mais populares e difundidas no mundo, a cerveja
O mundo da cerveja, guardadas as devidas proporções, é bastante assemelhado ao mundo do vinho: inúmeras são as regiões produtoras, e o sabor e seu processo de fabricação remete à séculos de elaboração e testagem, até chegar ao seu formato final. Assim como no caso dos vinhos, cada região têm as suas variedades próprias, algumas mais leves e refrescantes (como no caso das Pilsens, de cor amarelo-palha, com espuma leve e de baixo teor alcóolico, as mais populares no mundo inteiro), e outras mais encorpadas e densas (o caso das Bocks e das Stouts, avermelhadas e escuras, respectivamente, com uma gradação alcóolica bem mais elevada, dotadas de uma espuma cremosa). Cada pessoa possui o seu paladar específico, e cada uma é recomendada para diferentes ocasiões, bem como podem ser combinadas com diferentes tipos de pratos, abrilhantando a refeição e rejuvenescendo o espírito…
Sou aficcionado por ambas as bebidas mas, como brasileiro e estando em pleno verão, a cerveja é, sem dúvida alguma, a escolha principal nesses dias de tórrido calor. No entanto, é preciso ressaltar para os não entendedores que nem toda a cerveja é a do tipo Pilsen – aquela comercializada nas gôndolas de supermecado, e degustadas aos “cântaros” (ou melhor, nas tulipas) nos bares, botequins e botecos das cidades do nosso Brasil. Assim como no caso do vinho, quanto mais sofisticamos o nosso paladar, mais queremos ter acesso à variedades produzidas em outras regiões do mundo. E é aí que entram em cena as vantagens proporcionadas pela abertura de mercado…
Muita gente já escreveu sobre a origem da cerveja – conhecida também como “pão líquido”, dada a presença de cevada, lúpulo, levedura e, em alguns casos, o trigo -, mas vale ressaltar a sua história ancestral, na região da Mesopotâmia, bem como no Antigo Egito, onde papiros informam a sua composição bem como a sua função nos rituais religiosos dos povos daquelas regiões. As mais famosas regiões cervejeiras são a Bélgica, a Alemanha e a Holanda – curiosamente, também regiões “produtoras” de ótimos chocolates! Dentre essas, as cervejas belgas são as que mais chamam a atenção dado o caráter artesanal de sua produção – como no caso das cervejas “trapistas”, produzidas a partir de receitas centenárias guardadas nos monastérios trapistas do país. Além dessas, outras variedades belgas são as abbeys (recentemente, a AmBev lançou uma versão de sua marca premium Bohemia, intulada Confraria), as white beers e as lambics. O toque de charme fica à cargo das rolhas de cortiça que vedam as garrafas da bebida fermentada, tal como no caso dos espumantes, ao invés das tradicionais “tampinhas” de metal. Outra coisa é que muitas delas ainda continuam a fermentar dentro da garrafa, exigindo portanto uma decantação no momento de serem servidas, além de deixarem uma “borra” no fundo da garrafa…
Com a criação da InBev, resultado da fusão do grupo brasileiro AmBev (produtora das marcas-líderes do mercado brasileiro, como a Skol, a Brahma e a Antarctica) com a Interbrew, tornando-se maior grupo cervejeiro do planeta, os brasileiros estão tendo paulatinamente acesso às cervejas produzidas em diversas regiões do mundo. No portfólio de marcas da InBev, encontram-se as cervejas belgas Stella Artois (a predileta desse Escriba, disparada uma das melhores!), a Beck’s, a Jupiter, a Hoegaarden e a Leffe.
A despeito de não concordar com a tese defendida por Thomas L. Friedman em seu badalado livro (O Mundo é Plano, Objetiva), tenho de convir que às vezes esse Escriba “queima” a sua língua. E nada melhor do que uma cerveja para curá-la, e pensar na semana que se inicia…
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