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AS EDITORAS BRASILEIRAS RESOLVERAM INVESTIR NA LITERATURA ÁRABE

joEsse ano promete para os aficcionados pela literatura dos países árabes – como esse Escriba e outros tantos leitores do PRAGMA e conhecidos. As editoras brasileiras resolveram despertar para a riqueza inesgotável dos escritores da região, e prepararam um pacote de lançamentos que promete saciar um pouco a “sede” dos leitores brasileiros. Esse foi o tema da matéria de capa do caderno de Cultura do Estado de S. Paulo do último domingo (20/01/2008).

Aos poucos os autores árabes vêm se tornando conhecidos na Terra Brasilis. É comum a presença de escritores como a egípcia Ahdad Soueif (O Mapa do Amor, Ediouro) e o palestino Mourid Barghouti (Eu Vi Ramallah – Memórias, Casa da Palavra) na badalada festa literária Flip, realizada na cidade fluminense de Parati a cada mês de julho. Além disso, uma parte significativa da obra do excepcional escritor libanês Amin Maalouf também já está disponível nas prateleiras de nossas livrarias. No entanto, as editoras brasileiras estão buscando um substituto para Naguib Mahfouz (Entre Dois Palácios, Record, O Beco do Pilão, Planeta), agraciado em 1988 com o Prêmio Nobel de Literatura, um dos maiores expoentes da literatura árabe e fundador do romance árabe moderno, falecido há dois anos atrás.

Primeiro, os clássicos. A Editora Globo está lançando o terceiro volume do emblemático Livro das Mil e Uma Noites, com tradução de Mamede Mustafa Jarouche, professor de língua e literatura árabes da Universidade de São Paulo. Esse volume abre o ramo egípcio da mitológica estória, pertencente à tradição antiga – a tradição tardia será lançada ainda este ano no quarto volume da série, aberta com os dois tomos do ramo egípcio da estória, ambos publicados em 2005. Também o tradutor selecionou uma antologia de 30 contos árabes escritos entre os séculos VIII e XVII, intitulada Histórias para Ler Sem Pressa, também editada pela Editora Globo.

No âmbito da literatura árabe contemporânea, o pacote de lançamentos promete: o marroquino Tahar Ben Jelloun (O Último Amigo, Betrand e Partir, Record), o sudanês Tayeb Salih (Tempo de Migrar para o Norte, Planeta), a libanesa Hoda Barakat (a ser lançada esse ano), os egípcios Sonallah Ibrahim (Memórias da Prisão Oásis e O Comitê, a serem lançados também esse ano) e Alaa el Aswani (O Edifício Egípcio, a ser lançado em março pela Companhia das Letras) e o famosíssimo Elias Khoury, editor do suplemento cultural do jornal libanês Al-Nahar (A Porta do Sol, a ser lançado em março pela Record).

Também estão sendo lançados livros de escritoras árabes radicadas no Ocidente, que tem como mote um escrutínio da vida das mulheres em países onde há uma repressão religiosa bastante severa. Como exemplos disso, temos a saudita Rajaa Alsanea (Vida Dupla, Nova Fronteira), que traça um relato polêmico da vida de adolescentes de classe média alta em seu país de origem, e a jordaniana Fadia Faquir (Meu Nome é Salma, Agir), um libelo em defesa dos direitos da mulher no mundo islâmico.

É, meus curiosos leitores, esse ano promete! E a literatura árabe é imperdível, pois não existe cultura no mundo que não valorize tanto a sua própria língua. E, mais do que nunca, todo o livro é uma forma de transporte de uma realidade para a outra. E, como diria um provérbio árabe tradicional, “é preciso apenas de uma miragem para que se possa atravessar o deserto”…
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