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ENQUANTO O HAMAS E ISRAEL SE ESGRIMAM, A FAIXA DE GAZA SOFRE

Uma das coisas mais dramáticas em todo e qualquer tipo de conflito, seja ele regional ou mundial, é o sofrimento imposto às populações civis situadas no local do contencioso. Até a Segunda Guerra Mundial, a guerra era regida por uma espécie de “código” implícito que protegia os civis, ao focalizar a troca de hostilidades entre as tropas combatentes. No entanto, com os pogroms de Hitler e o Holocausto subsequente, bem como o bombardeio “total” dos aliados contra cidades como Dresden e Berlim, além do uso da bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki, tornou a guerra uma realidade pavorosa para os não-combatentes.

As guerras de independência, o levante de Mao Tse Tung na China e os vietcongs liderados por Ho Chi Min se aproveitaram dessa “brecha”, e desenharam as linhas gerais da guerra de guerrilha com base na sublevação das populações locais, tornando quase impossível a distinção entre tropas militares e tropas de combatentes civis. Daí por diante, os episódios de espanto e o horror apenas se multiplicaram em escala exponencial: o uso do napalm e de armas químicas como o “agente laranja” na selva vietnamita, as guerrilhas de esquerda do terceiro mundo, o Cambodja de Pol Poth, as organizações fundamentalistas islâmicas e, o grande turning point, os atentados de 11/9. Abriram a Caixa de Pandora

Falo isto, pois a “última” do momento é o torniquete que Israel está impondo ao Hamas – grupo palestino radical -, que está no controle atual da Faixa de Gaza, desde o seu rompimento com a moderada ANP, que ainda mantém o controle na Cisjordânia. O Hamas utiliza Gaza como base de lançamento de mísseis para o território israelense, mas o paradoxo é que a dependência desse território para com o seu vizinho é total: água, energia, suprimentos médicos, alimentos, empregos, tudo isso vem de Israel. Logo, meu caro Watson, a solução é elementar: fecha-se a fronteira, e deixa-se à míngua esses camaradas. Igualzinho a determinadas mães quando resolvem punir drasticamente os seus filhos quando estes resolvem empreender alguma pirraça…

O problema é que, nesse jogo de “gato-e-rato”, a população civil acaba “pagando o pato”. Nenhuma crença religiosa consegue aplacar os corações de quem sente fome, têm sede, vêem os seus entes queridos morrerem por falta de atendimento médico, não têm emprego nem dinheiro no bolso. Por isso, incidentes como os de ontem – o choque entre a polícia egípcia e a população civil de Gaza no Passo de Rafah, deixando centenas de feridos – tendem a se tornar mais frequentes, caso o bom senso não ilumine as cabeças coroadas de ambos os lados.

Enquanto são feitos discursos, seja em aviões, hotéis de luxo, gabinetes refrigerados, ou nas ruas e mesquitas, o lunpem sofre. É a velha máxima da política sendo aplicada de maneira categórica: o “povo” é uma grande massa de manobra…
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  1. Anonymous
    janeiro 23, 2008 às 11:34 am

    Considerações históricas, políticas e ideológicas à parte, é impressionante a semelhança entre a vida no “gueto” de Gaza e no Gueto de Varsóvia. Em tese, a Humanidade tinha que aprender com a sua História. Na prática, o que se constata é… outra coisa. Jorge.

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