NATURA PARTE PARA A CONQUISTA DA AMÉRICA

Apesar dos resultados não tão animadores do ano passado, a Natura é um case por excelência – de uso consciente da biodiversidade, de responsabilidade social e ambiental, de inovação e de posicionamento da marca. Sem sombra de dúvida, é uma empresa cujas práticas gerenciais – polêmicas, sem sombra de dúvidas – devem ser estudadas com a devida atenção.

Segundo reportagem dessa semana do jornal Valor Econômico, a maior empresa de cosméticos do nosso país quer começar 2008 com pé direito. Para isso, elaborou uma estratégia de crescimento sustentado com base na internacionalização de suas operações. Além do Brasil, atualmente a Natura opera na América Latina (Chile, Argentina, Peru, Bolívia, Colômbia, Venezuela e México) e na Europa (França). Agora, a empresa está buscando dar um novo salto, querendo entrar em dois grandes mercados: os Estados Unidos (a entrada está prevista para o segundo semestre desse ano) e a Rússia (a operação que temporariamente suspensa).
O primeiro passo dessa estratégia está ancorada no mercado sul-americano, envolvendo uma nova linha de produtos batizada de Amor América.
A idéia dessa nova linha encontra sua inspiração na bem-sucedida linha de produtos Ekos, ancorada no uso sustentável de ativos extraídos da biodiversidade regional. Se a linha Ekos utiliza ativos da biodiversidade brasileira, a proposta da Amor America é buscar elementos da biodiversidade regional latino-americana. E, para inaugurá-la, a Natura foi buscar na região andina o “palo santo”.
O “palo santo” é uma madeira perfumada, cujas lascas são utilizadas pelos habitantes do Altiplano Andino (norte do Chile, Peru e Bolívia) como um incenso para purificar o ambiente e afugentar os maus espíritos. O uso desse material é bastante antigo, por ser utilizada em rituais ancestrais na região.
A empresa iniciou a pesquisa dessa nova linha há cerca de 4 anos trás. Os seus profissionais ouviram diversos moradores da região, pesquisaram os hábitos culturais dessas comunidades, entrevistaram antropólogos, até chegar a essa árvore que cresce nas encostas da Cordilheira dos Andes. O processo de extração do ativo contou com o know-how de uma universidade peruana e, como não poderia deixar de ser, a sua extração é feita em parceria com uma ONG da região, a fim de diminuir os impactos ambientais e tornar a produção sustentável. Afinal, uma empresa que tem em sua missão o respeito com o meio ambiente não poderia fazer “feio” nesse sentido…
Do “palo santo”, a empresa gerou três produtos: a essência/perfume Palo Santo, o sal de banho Kachi (sal, na língua indígena quéchua) e o Los Mistérios – um conjunto de aromatização de ambiente composto por uma cuba, pastilhas de cerâmica e um óleo essencial do ativo. Esse último produto é um exemplo do respeito da Natura para com as comunidades tradicionais, posto que os povos do altiplano têm como hábito queimar pastilhas de cal e açúcar com as lascas da árvore.

Outro ativo explorado pela linha Amor America é a Paramela – óleo retirado de um arbusto que cresce na região da Patagônia. Desse óleo, a empresa irá fazer três produtos: a essência Paramela, o óleo corporal Misqui e o creme mentolado Paine.
A linha Amor America estará disponível no Brasil a partir de março, e até o final desse ano estará sendo comercializada em todos os países onde a companhia opera. A empresa espera ampliar a sua participação no mercado latino-americano – que hoje é de 5% – para um patamar de 10% a 12%, em um intervalo de quatro anos.
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