THE HOUSE OF MANY MANSIONS

(Kamal Salibi. House of Many Mansions – The History of Lebanon Reconsired. University of California Press, 1989).

Querem uma novidade? Ontem, explodiu uma outra bomba em Beirute, a capital do Líbano. Surpresa? Espanto? Inacreditável? Não mesmo, principalmente para quem entende um pouco o que vem acontecendo lá – agora, e desde tempos ancestrais…

A bomba explodiu em Dora-Karantina, um bairro cristão na capital do país. A explosão atingiu um carro da embaixada norte-americana, e matou quatro transeuntes libaneses – nenhum americano, bem entendido – e deixou aproximadamente 16 feridos, segundo informes da imprensa local e internacional…

Apesar das consequências relativamente “modestas” da explosão – dado a onda de atentados que infesta a paisagem política do país desde o assassinato do ex-Primeiro Ministro Rafic Hariri, em 2005 -, o atentado é uma gota a mais no oceano fervente que é a política interna libanesa.

Para quem acompanha com regularidade o noticiário internacional, a Presidência da República encontra-se vacante desde a saída do ex-Presidente Emile Lahoud no final do ano passado – apesar do imbroglio constitucional causado pela “presidência interina” do ex-atual-Primeiro Ministro (?!?!?!) Fouad Siniora, o que vem gerando protestos acalorados por parte de oposicionistas como o General cristão Michel Aoun e o partido islâmico xiita Hezbollah.

Além da “briga de foice” entre a situação e a oposição no que tange à formação do novo ministério – uma vez que, pelo menos, existe um consenso sobre o nome do novo Presidente da República, o Comandante das Forças Armadas do país, o General Michel Suleiman -, que vem adiando a eleição presidencial por mais de 11 vezes (!!!), o atentado coincide com o “giro” que o Presidente Norte-Americano George W. Bush e a sua Secretária de Estado Condolezza Rice vêm empreendendo no Oriente Médio, ao visitar Israel, os países do Golfo Pérsico e o Egito.

É a primeira vez desde a década de 1980 que um alvo americano é atacado no País dos Cedros, desde as hediondas explosões na Embaixada Americana e no QG dos Marines em Beirute, em plena guerra civil libanesa.

Agora, seguindo o desdobramento padrão dos acontecimentos, vai ter início a mesma ladainha de sempre das acusações mútuas: por uma lado, a situação (pró-Ocidente) acusará o Hezbollah e os xiitas – com o suporte de Damasco e Teerã – de boicotar o processo político de escolha do novo gabinete presidencial. Por outro lado, a oposição (pró-Síria) acusará os radicais sunitas e a Arábia Saudita de minarem o processo de inclusão dos muçulmanos xiitas na mesa de negociações desse intricando tabuleiro da política interna do país.

E, o pior de tudo, no final ninguém viu nada, ninguém sabe nada e ninguém tem a menor idéia de quem foi…

Se o resultado não fosse trágico (a perda de vidas humanas inocentes, na maioria arrasadora dos casos), eu até diria que tal impunidade é muito semelhante ao que ocorre em determinados países localizados abaixo da Linha do Equador…

A pergunta que se faz agora é: quem será o próximo alvo? Quando e onde?
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