Início > CD, Fabio Golfetti, Música, Psicodelia, Rock, Rock Progressivo, Violeta de Outono > DICA DE CD – VIOLETA DE OUTONO: 7

DICA DE CD – VIOLETA DE OUTONO: 7

Sábado de sol inclemente, e realmente me sinto sufocado! Para melhorar um pouco o meu astral, só me resta pegar “algumas” cervejinhas no freezer – afinal, esse Escriba não é de ferro! -, umas leituras para colocar em dia e um rock para levantar o ânimo um tanto o quanto acabrunhado…

Comprei no final do ano passado o último CD do Violeta de Outono, grupo paulista dos anos 1980, um dos expoentes do BRock – senão uns dos poucos remanescentes – a fazer um rock psicodélico de altíssima qualidade. Como gosto muito de Pink Floyd (especialmente da fase inicial com a presencial do genial-louco-já-falecido Syd Barret, e de discos como The Piper At The Gates of Down, A Saucerful of Secrets, Ummagumma, Atom Heart Mother, Meddle, More, Zabriskie Point e Obscured by Clouds), melhor programa impossível…

O Violeta de Outono surgiu em 1984, após uma breve passagem dos músicos Fábio Golfetti (guitarra e voz) e Cláudio Souza (bateria) pela banda carioca Zero (alguém se lembra?). Golfetti é, sem sombra de dúvida, a força-motriz do grupo – posto que Souza em alguns momentos se afastou do grupo -, e além da banda, ele tem um projeto intitulado Invisible Opera Company of Tibet (idealizado pelo músico Daevid Allen, do Gong), baseado na idéia da junção de música e visão cósmica do universo – nada mais natural para quem está fixado nesses referenciais musicais e espirituais -, e que congrega músicos tanto do Violeta quanto de outras bandas de diferentes lugares do mundo.

Com essa história toda, a banda é considerada cult no meio da psicodelia nacional, tendo uma aguerrida e apaixonada legião de fãs. Particularmente, quando fui apresentado ao Violeta de Outono por uma amigo meu no início dos anos 1990 – com aquelas recomendações do tipo, “pô cara, você tem de escutar isso, é muito bom!” – , fiquei espantado com a sonoridade da banda, e nem preciso dizer que também virei um fã do trabalho do Fábio Golfetti…

A discografia do Violeta de Outono abrange ao todo 7 discos, dentre EPs, LPs e CDs. Apesar de lançados em espaços intermitentes de tempo – especialmente entre o final dos anos 1980 e o início de 1990 -, a banda surpreendentemente soa coesa e a proposta é, no mínimo, inusitada fente à mesmice do rock nacional atual. O mais interessante é que, com o passar do tempo, o som dos caras foi se complexificando em direção à composições mais extensas, bem urdidas, que exalam a influência da psicodelia britânica dos anos 1960 (Pink Floyd, principalmente da fase Syd Barrett, e Beatles de álbuns como Rubber Soul e Sgt. Peepers), do rock progressivo (de bandas como Camel e Caravan), do experimentalismo (à la Soft Machine), do space rock, do jazz e da música experimental. Ou seja, um verdadeiro caldeirão musical…

7 (de 2007), é o último trabalho dos caras. Vou logo ao que interessa: o disco é muito, mas MUITO bom, se aprofundando na linha do experimentalismo que o Fábio Golfetti vem forjando nos últimos discos do Violeta de Outono. Além dele e do Cláudio Souza, a formação atual da banda conta com os músicos Gabriel Costa (baixo) e Fernando Cardoso (sintetizadores, teclados e órgão Hammond).

As faixas se sucedem como uma torrente sonora que mescla diferentes referenciais do rock, numa fusão muito criativa, de bom gosto, e com um punch prá lá de roqueiro (quando é prá “meter” o dedo, os caras metem!) – quem foi que disse que psicodelia e rock progressivo são sinônimos de chatice? Só o Emerson, Lake & Palmer, e aquelas suítes chatíssimas de 3 horas e 45 minutos…
Eis as faixas do disco: Além do Sol (um rock progressivo de inspiração barretiana), Caravana (uma peça que lembra e muito o segundo disco do Pink Floyd, A Saucerful of Secrets), Broken Legs (um rockão com um grande levada!), a fantástica Eyes Like a Butterflies (destacando-se o trabalho de teclado do Fernando Cardoso), Em Cada Instante e Pequenos Seres Errantes (em minha opinião, as duas melhores composições do disco, uma mistura de psicodelia, space rock e rock progressivo, com os típicos solos “viajandões” que são a marca registrada da guitarra de Golfetti), a bela Ponto de Transição e, encerrando o disco, a suíte jazzística Fronteira (com experimentalismo e psicodelia se amalgamando maravilhosamente, possibilitando um fechamento em alto astral do disco).
Enfim, trata-se de um disco “datado”, para quem gosta do rock feito nos anos 1960 e 1970. Recomendado para quem gosta das influências citadas acima, e para quem sente saudade do tempo em que a criatividade emperava no rock…
Já para aqueles que engrossam a “geração MTV”, ou definem-se como emos, punks de butique, gostam de Green Day, Linkin Park, Pitty, Avril Lavigne, Nightwish, Evanescence e outras redundâncias do gênero, só me resta dar um conselho: fujam correndo do som dos caras. Certamente, não irá lhes acrescentar em nada…
O Violeta de Outono é uma banda do tipo “ame-os ou deixe-os” (meus esclarecidos leitores, perdoem o trocadilho infame com os anos de chumbo!). Há quem ache o som dos caras um saco, chato prá caramba, antiquado, velho, datado e com cheiro de naftalina. Em minha opinião (a de quem está se tornando um old man), ao contrário, o Violeta de Outono é como um grande vinho tinto francês (um Bordeaux ou um Borgonha): quanto maior a passagem do tempo, melhor, mais complexo e mais agradável ao paladar… e, principalmente, aos ouvidos!
É da época em que o rock era rock mesmo! Divirtam-se!
Anúncios
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: