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O PROBLEMA DA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL NAS CIDADES BRASILEIRAS

Nunca se ouviu falar tanto do malefício de determinados alimentos para a nossa saúde. A cada dia que passa, novas pesquisas são publicadas em journals internacionais de medicina – e, consequentemente, divulgadas nos periódicos do mundo inteiro – afirmando os males de uma alimentação baseada apenas em gorduras, carboidratos, açúcar, cafeína e outras substâncias “perigosas”. De uma hora para outra, a lista de alimentos “proibidos” cresceu vertiginosamente: carne vermelha, frituras, doces, salgadinhos, sanduíches, café, bebidas alcóolicas…

E o mais grave disso tudo: todos esses alimentos são muito, mas MUITO gostosos!!! Portanto, a humanidade deve ter “jogado pedra na cruz” na encarnação passada….

Culpa do colesterol “ruim”, do ácido úrico, da glicose elevada no sangue, dos triglicerídeos…

A coisa se torna mais dramática nos grandes centros urbanos brasileiros, onde a correria do dia-a-dia e a oferta crescente de “engordativos” é enorme. O estresse, a tensão diária e a fadiga crônica repercutem de sobremaneira nos hábitos alimentares das pessoas, e não raro é o fato destas estabelecerem com a comida uma relação de compensação – do tipo, “eu trabalho tanto, logo eu mereço; é só um pouqinho, não vai fazer tão mal assim”…

Isso é o que mostra a pesquisa realizada pela Giacometti Propaganda, divulgada em novembro de 2007, feita com o intuito de monitorar as tendências de alimentação do brasileiro nas nossas metrópoles. Segundo os dados do levantamento, cerca de 30% dos habitantes das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro tenta – às duras penas – manter uma dieta alimentar saudável e equilibrada.

O problema é que, por mais que as pessoas tenha a intenção mais do que consciente em adotar uma alimentação balanceada e um estilo de vida saudável, a própria indústria alimentícia contribui para o inverso, ao oferecer um leque limitado de produtos voltados para o atendimento dessas expectativas. Os lançamentos no segmento, invariavelmente, abrangem comidas altamente calóricas – produtos semi-prontos, em porções indivíduais e fáceis de fazer -, muito gostosas, porém atamente prejudiciais à saúde do consumidor.

A grande maioria dos habitantes dessas cidades mal tem tempo para se alimentar adequadamente. Frequentemente, “engolem” a comida rapidamente, seja em frente ao computador, ou em pé, nos balcões das lanchonetes e dos restaurantes fast-foods, ou então nas “barraquinhas” ao ar livre que campeiam nos grandes centros.

Aí reside o paradoxo atitudinal do consumidor: por mais que ele saiba que a comida que ele ingere nem sempre é a “melhor”, ele acaba optando por esse caminho como forma de compensar o estresse cotidiano, seja no trabalho, no lazer ou na escola. Daí, 55% dos entrevistados da pesquisa afirmarem que “enfiam o pé na jaca” de vez em quando, se empanturrando com tudo quanto é comida gordurosa e calórica…

Some-se a isso o fato de que o cardápio light desenvolvido pela indústria pode até ser saudável, mas está longe de ser gostoso e recompensante para o consumidor. Além da desconfiança que o consumidor nutre acerca do apelo light nas embalagens – o que é uma verdade, em uma parte significativo dos casos! -, pesquisas qualitativas com os habitantes dos grandes centros urbanos atestam uma voz uníssona: “nada que é light presta, nada que é light é gostoso!” O resultado é que, atualmente, para se alimentar de maneira saudável, o indivíduo deve ter uma tremenda força de vontade, ou então passar por um grande susto com relação a sua saúde…

Daí se explica a obesidade e o sobrepeso entre crianças, jovens e adultos nos grandes centros urbanos. E o fenômeno se agrava ainda mais quanto menos favorecida é a classe econômica do consumidor. Ou seja, sobrepeso e obesidade são quadros que se alastram com maior velocidade nas classes C1, C2, D e E de nossa população. Isso se explica que as opções light são mais caras, e o poder de compra desses consumidores ser bastante restrito. Daí, a explosão de casos de diabetes, hipertensão e doenças coronarianas – afecções tipicamente urbanas – nos postos de saúde e hospitais públicos em nosso país.

Depois, ficam os profissionais de marketing dizendo que as oportunidades de mercado são cada vez mais raras, que praticamente todas as necessidades e desejos do consumidor encontram-se adequadamente preenchidas…

Isso só pode ter um nome: “preguiça mental”!
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