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O PESO DOS ADOLESCENTES NO ORÇAMENTO DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS

Juventude e gastos excessivos, eis uma combinação prá lá de alvissareira – para os profissionais de marketing -, e um tormento para as famílias endividadas e desesperadas! Quem têm filhos adolescentes, sobrinhos nessa faixa etária, ou até mesmo amigos cujos rebentos se situam nesse momento “ímpar” da vida, sabem que esta afirmação é um verdadeiro truísmo…

Além da possibilidade de se envolverem em “comportamentos de risco” tais como abuso de álcool e substâncias entorpecentes, tráfico de drogas, condutas anti-sociais (brigas em boates e “festinhas”, vandalismo, acidentes de trânsito e outras cositas mas…), a faceta mais “domesticada” dessa fase turbulenta pela qual todos nós passamos – e, diga-se de passagem, alguns ainda não saíram dela! – é o fascínio exercido pelo mundo róseo e divertido dos signos da Sociedade de Consumo…

Daí, ser muito comum a adolescência rimar com a inflexão vertiginosa dos gastos familiares. Afinal, haja massari para uma “cesta de compras” repleta de itens cools tais como tênis da moda, mochila “da hora”, iPods, notebooks, telefones celulares de última geração, maquiagens, bonés, idas ao salão de beleza, pranchas de surfe…

Um estudo feito pelo Latin Panel em novembro de 2007 aponta que os filhos adolescentes levam a um desequilíbrio no orçamento das famílias brasileiras. Nas 3,52 milhões de famílias com jovens entre 13 a 18 anos em nosso país, a despensa média mensal fica em R$ 1.775, contra uma renda média mensal de R$ 1.756 – ou seja, um “déficit” de R$ 19 no orçamento familiar mensal. Esses dados são interessantes se forem comparados com a média brasileira, que é de uma renda mensal de R$ 1.392 contra gastos de R$ 1.369 – uma “folga” de R$ 23 por mês -, e até mesmo em famílias com filhos até 12 anos de idade – gastos de R$ 1.398, contra uma renda de R$ 1.394, gerando um “diminuto” déficit mensal de R$8! Conclusão, haja bolso para tanta gente em fase de crescimento…

O fato é mais grave por que, assim como no caso de crianças pequenas, adolescentes são excessivamente suscetíveis aos estímulos presentes no ambiente de marketing. Promessas de status, reconhecimento pelo grupo, “atitude”, autenticidade, diversão, “zoação”, “tirar onda” e outras mensagens embutidas em reclames publicitários, são o bálsamo para empresas que ofertam produtos e serviços para esse público – e o “terror” para as famílias desses jovens…

Para os psicólogos – como esse Escriba que vos fala -, a adolescência representa uma fase bastante turbulenta na vida de uma pessoa. Fase de ansiedades generalizadas, afetos à flor da pele, opiniões “radicais” e um senso crítico aguçadíssimo, a adolescência é o “arremate” do processo de construção da subjetividade. É justamente neste período que ocorrem conflitos com os pais e dificuldades com a autoridade de um modo geral. O afastamento dos pais se dá concomitantemente à identificação do jovem com padrões de comportamento do seu grupo social mais próximo – que, como num jogo de roleta, podem ser “boas” ou “más” influências. Dito de uma outra maneira, na adolescência o jovem se “distancia” das imagos parentais para se aproximar dos marcadores identitários compartilhados pelo seu círculo de amizades – que, diga-se de passagem, amplia-se em velocidade exponencial, dado os gastos em contas de telefone celular, bem como o dispêndio maior de tempo em redes de relacionamento social na internet tais como blogs, fotologs, Orkut, MySpace, FaceBook, FlickR, YouTube, Emule, Second Life

Uma simples compração com a média mensal dos lares brasileiros corrobora essa linha de argumentação. Nas residências pesquisadas pelo Latin Panel, em famílias com membros adolescentes, o consumo aumenta da seguinte forma: vestuário (38%), desodorante (38%), sucos prontos (35%), transporte (33%), creme dental (33%), refrigerantes (32%), leite aromatizado (30%), absorvente higiênico (28%), sabonete (28%), educação (22%), alimentos e bebidas (20%).

Desejo de consumo acelerado, busca de status e aceitação social, e oferta de crédito fácil e descomplicado: eis uma combinação explosiva, que pode levar ao endividamento dessas, quando não dos próprios jovens – dada a oferta cada vez maior de produtos bancários direcionados a esse target.

Para isto, só há uma solução: haja paciência e disposição, muita educação financeira, responsabilidade parental, e um pouco de orações ao céu, pois essa fase – animem-se, meus queridos leitores – é, de um modo geral, passageira…

Excetuando-se os “adultescentes”, os kidults, os “tios-Sukita”, os “vovôs-pegadores“, as “vovós-saradonas” e a geração “turbinada” pelos medicamentos para a disfunção erétil…

Pois afinal, como toda boa regra, há sempre uma exceção!
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  1. Anonymous
    dezembro 11, 2008 às 5:00 pm

    oi professor, você vai gostar desse video, fala sobre o comportamento de crianças em relação ao consumo


    "Crianças, a alma do negócio"

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