OS "VELHINHOS" ESTÃO DE VOLTA!

Aumento da longevidade? “Fome” de tocar? Falta de inspiração? Perda de fôlego das carreiras-solo? Falta de grana? Essas são algumas das explicações para o comeback de diversas bandas que encantaram os anos 1970 e 1980, mas que acabaram em função de brigas dos seus integrantes, divergências artísticas ou até mesmo ciumeiras regadas a doses cavalares de egocentrismo, álcool e drogas pesadas… Sim, esse Escriba está falando do retorno aos palcos dos “velhinhos” do rock and roll: artistas consagrados que já passaram da casa dos 50, mas que continuam na ativa emulando um passado glamuroso, porém que não retorna mais…

No início de 2007, tivemos o mega-show nas areias da Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, do jurássimo e arquetípico Rolling Stones. Um bando de vovôs, alguns muito junkies (caso do guitarrista Keith Richards, um mistério para a medicina dada a quantidade de droga injetada em seu corpo durante décadas!), outros um tanto o quanto elétricos (o superstar Mick Jagger, com suas caras, bocas e rebolados!) e alguns poucos senhores de família respeitáveis (caso do baterista Charlie Watts, dono de um semblante tedioso do tipo “onde eu fui me meter!”). Como não poderia deixar de ser, o show deles foi digno do Museu de Cera Madame Toussaud – um freak show feérico, regado a doses máximas de luzes e fogos de artifício. O Rolling Sones tornou-se atualmente um arquétipo, um pastiche deles mesmos, uma espécie de banda cover burocrática e entediada…

Sábado passado, tivemos o retorno do The Police – conforme resenhado por esse Escriba. Maracanã lotadinho, mais de 74 mil pessoas para assistir o retorno de um trio – que nunca foi realmente um power trio, do quilate de grupos como o Cream e o Rush -, mas que sempre foi uma verdadeira usina de hits, ao mesclar em suas canções elementos do rock, do punk, do reggae, do ska e da música pop. A idade também chegou pros caras – a silhueta um tanto quanto balofa do guitarrista Andy Summers denota isso -, apesar do visual “mamãe-eu-sou-forte” do Sting. Apesar das desafinadas, o destaque do show foi o vigor e a criatividade das baquetas do Stewart Copeland, que deve ter dado muita inveja para muito bateristazinho de quinta categoria que aparece volta e meia nos clips da MTV e do VH1. Palmas pros caras, mas também eles estão correndo o sério risco de virar também uma banda cover de si mesmos…

Mais recentemente, foi a vez do Led Zeppelin voltar. Sim, após três décadas de separação – apesar do vocalista Robert Plant e do guitarrista Jimmy Page terem se apresentado no Brasil nos anos 1990, promovendo o ótimo disco No Quarter -, eis que os fundadores da banda (Page, Plant e o discreto baixista John Paul Jones), acrescidos na bateria do filho do lendário John Boham, Jason Boham, reuniram-se ontem em Londres, para um show beneficiente na O2 Arena.

Impossível um fã de rock não gostar do Led Zeppelin: a fusão entre o blues negro e o country sulista, agregado de guitarras rasgadas, bateria pesada e vocais em falsete foi um dos maiores eventos musicais do século XX, dando origem ao hard rock e ao heavy metal. Toda a discografia do Led é clássica, e inúmeras composições se tornaram verdadeiros monumentos ao som pesado: Black Dog, Wholle Lotta Love, The Rain Song, Ramble On, No Quarter, Heartbreaker, Kashmir, Stairway To Heaven… ufa, a lista é longa! O Led Zeppelin, junto com o The Who, Cream, Deep Purple e Black Sabbath, são os grupos prediletos desse Escriba que vos fala, e entender a história do rock passa necessariamente por compreender o papel dessas bandas para a formatação do gênero, bem como os seus impasses, limitações e perspectivas futuras…

Para os mais novos, também tem a volta do super-grupo de hard rock norte-americano Van Halen, um dos principais expoentes do glam rock e do movimento poser dos anos 1980 e 1990. O seu guitarrista, o virtuoso Eddie Van Halen, estabeleceu uma nova linguagem para o instrumento no gênero – o vucânico solo em Eruption, do primeiro álbum da banda intulado Van Halen (de 1978), é o melhor cartão de visitas para entender o que isso quer dizer. Após desavenças internas intestinas entre Eddie e o super-mega-poser vocalista “loiraço belzebu” David Lee Roth, eis que os caras se “acertaram” (o que o dinheiro não faz!) e resolveram sair em turnê após 20 anos de separação. Além de Eddie Van Halen e Lee Roth, a banda ainda conta com o restante do clã: o seu irmão baterista, Alex Van Halen, e o filho de Eddie, Wolfgang Van Halen, no baixo – substituindo o figuraça, roliço e “bebum” Michael Anthony, que entrou para a história do rock nas apresentações da banda com o baixo no fomato de uma garrafa de Jack Daniels. De qualquer maneira, comeback é comeback, e nunca é demais ouvir alguns sucessos como Running With The Devil, And The Cradle Will Rock, Ain’t Talkin ‘Bout Love, Dance The Night Away, Unchained, Hear About It Later, Jump, Panama e Hot For Teacher…

Afinal, além de gênios, os caras são uns sobreviventes: o Eddie largou o vício do álcool, e sofreu um tratamento pesado contra um câncer em 2006; já Diamond Dave sobreviveu à sua vaidade, poserismo e uma carreira-solo que começou promissora, mas depois caiu no pastiche e na falta de criatividade. Além do mais, Van Halen é sempre Van Halen! Os caras prometeram disco novo, e quem sabe eles resolvem dar uma passadinha aqui no Brasil – esse Escriba está torcendo muito para que isso aconteça!

Para 2008, têm mais revival por aí! O King Crimson – dos geniais Robert Fripp, Adrian Belew, Tony Levin, Bill Brufford, Pat Mastelotto e Trey Gunn – prometeu um novo disco e uma nova turnê. O Genesis está num vai-não-vai terrível – parece que as tratativas com o vocalista original, o multimídia Peter Gabriel, estão sendo difíceis. E o Portishead – da maravilhosa deusa do vocal, Beth Gibbons – prometeu também disco e turnê novos. Não preciso nem dizer que esse Escriba torce e muito para que todas essas bandas possam dar uma passadinha aqui na terra brasilis. E os novos discos, quando saíram, serão resenhados por esse que vos escreve…

De qualquer forma, um brinde para os nossos “vovôs” do rock. Apesar de ser uma iniciativa comercial, e em alguns casos puro “caça-níquel”, sempre é bom ouvir o bom e velho rock. Afinal, as pedras que rolam não deixam limo…
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