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E O MADREDEUS FICOU SEM A SUA VOZ…

Depois de uma semana corrida, repleta de viagens, provas e trabalhos, abro a internet aqui de Campinas e vejo uma notícia que me deixa um tanto quanto consternado. Em comunicado dirigido à imprensa, a cantora Teresa Salgueiro anunciou a saída do Madredeus – o maior grupo de música portuguesa contemporânea, que a projetou internacionalmente, e que diga-se de passagem é uma das maiores paixões desse Escriba…

A nota, assinada em conjunto com o violonista Pedro Ayres Magalhães – o cérebro musical do grupo – informa que em função da dimensão assumida pelo trabalho solo da cantora, tornou-se impossível que a mesma fique disponível exclusivamente para os trabalhos do Madredeus
Vi esse ano o show da cantora no Rio de Janeiro, por ocasião da turnê de seu segundo disco solo – Você & Eu -, que é uma viagem musical ao universo da música popular brasileira – de Ary Barroso a João Gilberto, passando por Tom Jobim e Dorival Caymmi. O disco é demais de bom, e ver uma portuguesa cantando tais músicas que povoam o nosso imaginário, acompanhada de um septeto jazzístico, é uma experiência que nos aproxima de Deus – caso ele exista…
(aliás, a interpretação de Chovendo na Roseira, de Tom Jobim, que por sinal abre o disco, é de chorar de tão bela…)
De qualquer forma, a nota não cerra as portas para futuras parcerias entre Teresa e o Madredeus. O maior temor agora, para os fãs da banda, é a dissolução do grupo, posto que a parceria entre ela e Pedro Ayres Magalhães era uma das mais felizes e frutíferas da música portuguesa contemporânea. Tudo indica que o grupo irá continuar, e desde já anuncio que estou bastante ansioso para ver os novos rumos de ambos os artistas…
Como a saudade, além de um sentimento tipicamente português, é edificante, posto que é da dor que nasce a poesia e a obra de arte, faço aqui uma breve menção a uma música do grupo. A canção se chama Afinal – a minha canção, e foi gravada no álbum Movimento, de 2001. A letra é eloquente, e fala desse momento tão sublime e doloroso que é o adeus da despedida…
Afinal deixei
A terra natal
E cantando andei
Menos mal
Se calhar mudei
Bem sei
Que não fiquei
Igual
Tanto que passei
Tão longe daí
Que em mim um país
Construí
E assim foi melhor
Porque
Não senti o medo
E a minha canção
Lá deixava ouvir
O vento no mar
O mar a bramir
À minha canção
Chegava
A esse mar
Que eu canto…
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