O RECIFE É…

O Recife é uma cidade muito bacana… Com as suas águas mornas nas praias de Boa Viagem e do Pina, com seus restaurantes de comidas típicas, seus botecos descolados à noite, a simpatia do seu povo e a beleza das suas pontes. A estadia na cidade por uma semana me possibilitou recarregar as baterias – exauridas por um ano extenuante -, pensar na vida, refletir sobre o mundo e sobre as coisas que me cercam… Afinal, quem não faria isso ao andar na beira da água e tomando um banho de mar lá no alto do nosso tão extenso e variado país?
O Recife antigo, com a pujança de suas construções que lentamente vem sendo recuperadas, é muito mais legal! Terra de Chico Science, onde eu busco o maracatu rural, mas acabo esbarrando com a música eletrônica, Fred 04 & Mundo Livre SA. Comprei o novo CD da Nação Zumbi para ver se eu matava a minha fome de tudo, e fui andando, primeiro até o Porto Digital, para depois parar lá no terraço do Pátio Alfândega, para ver os rios, as pontes e os overdrives de que tanto a música fala…

Terra séria, essa… Terra da primeira sinagoga no país, lembranças da colonização holandesa e dos tempos em que a tolerância era um pouco possível. De lá, vejam só, eles saíram para colonizar a ilha de Manhattan! Lá nas Américas do Norte, home of the brave, land of the freedom – acreditam?

Terra de João Cabral de Melo Neto, para mim o maior poeta brasileiro de todos os tempos – desculpem-me os fãs de Drummond e de Vinícius. Para quem, como eu, vê a vida como um conjunto infinito de tons cinza, prefiro olhar as coisas do ponto de vista mineral. Numa tacada, ou melhor, numa faca só lâmina, vejo o Capibaribe de que tanto fala João muito mais próximo de mim, muito mais real, muito mais íntimo, mesmo para quem já o é, apesar da distância…

Sejam indulgentes com esse Escriba, e perdoem o trocadilho; mas ele é irresistível: Olinda é linda! Com seu casario colonial português, todas as igrejas viradas para o Alto da Sé, cujo terraço dá uma vista deslumbrante para o Recife. Tudo está lá: as pontes, o Capibaribe, a praia da Boa Viagem, o sol ao fundo, junto com os artesãos e suas bonecas. Olinda é um lembrete da minh’alma portuguesa, que tanto teima em vir nos meus momentos de maior melancolia…

Encantado pelo casario, pelas recordações dos blocos de carnaval que vi tanto na televisão, resolvi encarar as ladeiras íngremes, subindo e descendo, até parar na Oficina do Sabor – e saborear um baião de dois, aliás, um baião dos deuses…

Como toda musa prolongada, a convivência com a cidade acaba por nos mostrar alguns de seus problemas. O trânsito a partir das 18 horas é um caos; os bairros pobres são em grande número, assim como as pessoas humildes; os pedintes na rua lembram o meu Rio de Janeiro… Mas, afinal, estamos no Brasil, e a nossa imensa desigualdade social – a nossa vergonha nacional – nos bate sempre à porta, como um lembrete, de que temos muito ainda por fazer…

Pena que não pude ir à Porto de Galinhas, à Fernando de Noronha… Fazer o quê? Talvez seja uma desculpa para eu lá voltar, o que certamente irá acontecer, mais cedo ou mais tarde…

E, aos meus alunos: o meu obrigado por uma agradável e cordial recepção. A gente se vê por aí…

Pernambuco embaixo dos pés, e a minha mente na imensidão…
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  1. Anonymous
    novembro 26, 2007 às 11:28 am

    Belo texto Professor… parabens pelas palavras e pelas aulas !! Abraço recifense e volte sempre.
    Raphael Cireno

  2. Anonymous
    novembro 26, 2007 às 2:58 pm

    Quer dizer que o Sr nao foi nadar com as tartarugas e os golfinhos???
    É para manter a fama de MACHO QUE È MACHO? hahahahaahhaha

    muito obrigada pela atenção e pelo excelente trabalho realizado em nossa turma!

    e o Sr tem salvação viu? jaja ta dançando TRANCE!

    Juliana Cavalcanti

  3. Anonymous
    novembro 26, 2007 às 5:19 pm

    E para o Recife como foi receber este escriba tão atencioso aos detalhes da cidade? Tenho certeza que seus alunos sairam mais ricos deste módulo, embevecidos com a paixão com que o Comportamento do Consumidor e Pesquisa de Mercado foram ensinados. Com certeza será fonte de inspiração para aprofundar os conhecimentos , a semente foi muito bem plantada Sr. Falmenguista !

    Um grande abraço !

    Maisa Santos

  4. José Mauro Nunes
    novembro 27, 2007 às 7:18 pm

    OK minha gente,
    Realmente foi muito legar estar com vocês.
    Grande abraço, sucesso e não deixem de escrever aqui ou enviar e-mails!
    José Mauro

  5. Helena Peres
    dezembro 2, 2007 às 10:54 am

    OI José Mauro. Eu também adoro Recife, seu casario antigo e Olinda é um espetáculo. Parabéns pelo belo texto.

  6. José Mauro Nunes
    dezembro 3, 2007 às 11:17 am

    Olá Helena, bom dia!
    Obrigado pelo comentário. Acho que o texto de Recife fez sucesso… Abraço.

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