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DICA DE CD – GLENN HUGHES: Soul Mover

De vez em quando (quase sempre, é verdade!), preciso escutar algo pesado a fim de que eu possa recarregar as minhas baterias para a rotina do dia-a-dia. Culpa dos meus irmãos, pois eu cresci ouvindo Beatles e rock progressivo (por parte de minha irmã), e coisas mais pesadas por parte de meu irmão. O primeiro disco de rock que escutei foi aos meus 12 anos, quando botei na “vitrola” o Made In Japan do Deep Purple. Daí em diante, foi só alegria e rock nas veias de ambos os braços… Primeiro, começei escutando hard rock clássico de grupos como como Nazareth, Deep Purple (graças ao “São” Ritchie Blackmore, virei rockeiro!), Led Zeppelin, The Who, Foghat…

Aos 15 anos, me rebelei, e uma nova janela se abriu para mim quado me deparei com a capa do álbum Killers, do Iron Maiden. Achei meio bizarro no início – afinal, era uma caveira com cara de celerada com uma machadinha cheia de sangue -, e pensei cá com os meus botões: “cara, tu tá ficando meio maluco!”. Enfim, acabei comprando o disco e virei fã de qualquer coisa pesada, seja hard rock, heavy metal, trash metal, speed metal, grindcore e por aí vai…

Qualquer fã de rock tem a(s) sua(s) banda(s) predileta(s) e, como não poderia deixar de ser, o início de tudo para mim está em duas bandas britânicas: o Deep Purple e o Black Sabbath. Particularmente, eu gosto muito das três primeiras formações do Deep Purple. A primeira, clássica, com Ian Gillan (vocais), Ritchie Blackmore (guitarra), Roger Glover (baixo), Ian Paice (bateria) e Jon Lord (tecados), produziu discos maravilhosos como In Rock (1970), Fireball (1971), Machine Head (1972) e Made In Japan (1972). A segunda, rejuvenecida e mais funky, com David Coverdale (vocais), Ritchie Blackmore (guitarra), Glenn Hughes (baixo), Ian Paice (bateria) e Jon Lord (teclados), gravou também pérolas discográficas como Burn e Stormbringer (ambos de 1974), e Made in Europe (1975). E a terceira formação, a última a fazer algo realmente legal em minha opinião, com David Coverdale (vocais), o talentosíssimo Tommy Bolin (guitarra, já falecido), Glenn Hughes (baixo), Ian Paice (bateria) e Jon Lord (teclados), que gravou o álbum Come Taste The Band (de 1975).

Além do pioneirismo da banda – um dos marcos do hard rock -, a qualidade de seus músicos fez com que o Deep Purple desse várias “crias” e projetos paralelos que adensaram a trajetória musical do grupo. Só como exemplos de algumas bandas fantásticas que vieram dos “Púpuras Profundas”, temos a Ian Gillan Band, o Rainbow e o Whitesnake

Dentre os seus músicos, um dos que mais chamaram a minha atenção foi o baixista Glenn Hughes. Vindo do Trapeze, que já nos anos 1970 promovia uma fusão entre o hard rock, o funk e o soul de gênios como James Brown e George Clinton, e de grupos como Parliament e Funkadelic. Quando ele chegou na banda para substituir o baixista Roger Glover, uma lufada de ar fresco se deu no som do Deep Purple, tornando as composições mais funkeadas e com uma levada groovy típica do rhythm and blues e da black music norte-americana. Os slaps no baixo – técnica típica de baixistas de funk, e que consiste em dar “petelecos” com o polegar nas cordas do instrumento, cujo mestre do gênero é Bootsy Collins – e os seus vocais funky, em contraste com o vozeirão do David Coverdale, marcaram toda uma geração de fãs “Púpuras”. Basta escutar músicas desta fase como Burn, Stormbringer, Lady Double Dealer, You Fool No One e Mistreated para entender o que esse Escriba está dizendo…

Quando saiu – consagrado! – do Deep Purple, Hughes mesclou trabalhos-solo com a participação em outros trabalhos, envolvendo músicos como o guitarrista de blues Gary Moore e o vocalista do Rainbow/Deep Purple/Yngwie Malmsteen’s Rising Force Joe Lynn Turner, e grupos como Black Sabbath e Phenomena. O seu vocal característico – rasgado e funky – o consagrou com a alcunha “The Voice of Rock”. Bandas como Red Hot Chilli Peepers, Faith No More e Jane’s Addiction devem muito a ele…

Por todos esses motivos, vale mais do que a pena escutar qualquer trabalho dele! O seu penúltimo disco-solo, Soul Mover (Sanctuary Records, 2005), é uma maravilhosa aula de hard rock, pop e funk rock. Muitos críticos dizem que as canções dele são “datadas” e muito “anos setenta”, mas eu conheço vários amigos meus que acham que nada de bom foi feito no rock após essa década…

Além de músicos que acompanham Hughes há muito tempo em seus discos, como J. J. Marsh (guitarras) e Ed Rock (teclados), Soul Mover ainda conta com a participação de Chad Smith -o baterista do Red Hot Chili Peepers – e a presença, em duas músicas, do guitarrista Dave Navarro (ex-Jane’s Addiction e Red Hot Chilli Peepers). O resultado é uma fusão muito legal entre o peso das guitarras, o baixo funkeado de Hughes e o peso e o groove da bateria de Smith – que, diga-se de passagem, é um tremendo músico! Apesar do disco ter uma sonoridade típica dos anos 1970, as canções são bem atuais e o som é bem pesado – ou melhor, barulhento, bem ao gosto desse Escriba…

É difícil selecionar as melhores faixas, pois todo o disco é fantástico! Mesmo assim, as que mais se destacam são as pesadas Soul Mover, She Moves Ghostly, High Road, Orion, Miss Little Insane e Don’t Let It Bleed, a “funkeada” Dark Star, a “setentista” Land Of The Livin’ (Wonderland), além de baladas como Let It Go, Isolation, Last Mistake e Don’t Let Me Bleed.

Definitivamente, Glenn Hughes é a “Voz do Rock!”…
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  1. Juliana Torres
    novembro 14, 2007 às 1:11 pm

    Fica aqui meu convite para ser um dos jurados do “Rock N’ Roll Festival Volta Redonda 2007” no dia 09 de Dezembro. O site da produtora é http://www.saraswati.art.br/

    Abraços, Juliana Torres

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