BRA: O TEMPO FECHOU

Dessa vez, tenho de admitir: o Escriba queimou a língua… Em 24 de julho passado, publiquei no PRAGMA um post saudando a intenção de compra de 20 jatos Embraer 170 por parte da companhia aérea brasileira BRA. A notícia era bastante interessante não apenas pelo fato de envolver uma companhia brasileira que voltaria a voar jatos de fabricação nacional em nossos céus – a última vez que isso ocorreu foi com a finada Rio Sul, que tinha em sua frota 15 jatos Embraer ERJ-145, rebatizados pela própria empresa de Jet Class -, mas também por ser uma lufada de ar fresco – e de concorrência – frente ao duopólio Gol – TAM – que é extremamente prejudicial para os interesses dos passageiros e da sociedade brasileira como um todo…

Pois bem, desde o mês passado os jornais e revistas especializadas faziam referências à queda de braço entre os investidores da empresa e Humberto Folegatti, o atual presidente da BRA. Segundo esses relatos, Folegatti não tinha cumprido uma série de decisões tomadas pelo board de acionistas – dentre elas, a aceleração da expansão das rotas da empresa com a aquisição de novos jatos -, o que colocava em dúvida a capacidade da companhia em receber novos aportes de capital…

Agora, a casa caiu! Após a saída de Milton Zuanazzi da Anac, a BRA perdeu alguns “privilégios” que até então vinha obtendo deste órgão regulador, e decidiu suspender todos os seus vôos domésticos e internacionais a partir de amanhã (quarta-feira). Segundo informes, além da companhia ter dois aviões que fazem as rotas internacionais parados por motivos de manutenção, a BRA precisa urgentemente de um novo aporte de capital de seus investidores para que possa ter dinheiro em caixa e voltar a operar normalmente. Como há sérias dúvidas por parte do board de investidores – em especial, o Gávea Investimentos, o Goldman Sachs e o Bank of America -, a pergunta que não quer calar é a seguinte: a empresa conseguirá sair dessa?

Para piorar a situação, o grupo GECAS – companhia de arrendamento de aviões do grupo norte-americano GE – anunciou hoje a suspensão do contrato assinado entre a BRA e a Embraer para a compra de dois jatos ERJ-195 da fabricante brasileira, ocasionado por atraso no pagamento. Ou seja, volta-se a estaca zero, e os passageiros brasileiros ainda terão de esperar um pouco mais até poderem viajar em uma aeronave fabricada pela Embraer

No final da semana passada, a BRA anunciou o afastamento de Folegatti da presidência da companhia, a fim de facilitar o aporte de capital por parte dos investidores da empresa. Agora à tarde, a situação se agravou e a empresa enviou aviso prévio para todos os seus 1.100 funcionários. Os passageiros da companhia foram orientados a procurar o reembolso do valor das passagens, ou o encaixe em vôos das companhias concorrentes…

Isso é uma prova de que temos muito ainda de aprender com a entrada do capitalismo em nosso país, especialmente por parte dos gestores das companhias privadas de capital aberto…
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