Início > Brasil, Política, Relações Internacionais, Venezuela > SARNEY X CHÁVEZ: CLASH OF THE TITANS…

SARNEY X CHÁVEZ: CLASH OF THE TITANS…

Extra! Extra! Notícia alvissareira! Patriotas do meu Brasil, às armas!

O nosso possante dublê de Senador da República e Acadêmico José Sarney – lembram-se dele? -, proferiu ontem na tribuna do Senado Federal – o órgão legislativo que ultimamente está mais presente nas páginas policiais dos nossos periódicos do que propriamente nas colunas políticas – um duro discurso contra a entrada da Venezuela no Mercosul. Uma resposta diretamente dirigida ao deputado Carlos Escarrá, vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores da Assembléia Nacional da Venezuela, que chamou o nosso mui digno e combativo parlamentar de “lacaio” e “servil” aos interesses norte-americanos no Cone Sul.

Para Sarney, a compra de armamento soviético – blindados, aviões de caça, navios de guerra, submarinos e fuzis – por parte do governo do Presidente Hugo Chávez – favor não confundir com o personagem do seriado do SBT! – aumenta em muito as tensões no plano regional. Além disso, o “endurecimento” da política interna da Venezuela indica claramente uma restrição das liberdades democráticas nesse país. José Sarney, um grande defensor das causas democráticas, não poderia deixar de manifestar a sua indignação contra o fato…

Valendo-se da condição de ex-Presidente da República e de um dos criadores do Mercosul – junto com o ex-Presidente portenho Raul Alfonsín -, Sarney chamou a atenção para a existência da cláusula democrática no Tratado de Assunção – a de que afirma que apenas regimes democráticos podem ser aceitos na união aduaneira. Vale lembrar que a inserção dessa cláusula por ocasião da assinatura do Tratado foi vista como um indicador de maturidade, de estabilidade e de confiabilidade por parte dos países signatários da região – uma notícia alvíssara em um contexto político regional até então marcado por golpes de estado, ditaduras militares e a presença de caudilhos “salvadores da pátria”…

Apesar da esquerda festiva afirmar que o governo Chávez é democrático por incluir grandes parcelas de segmentos da população que foram historicamente excluídos, é óbvio que o fantasma de um regime totalitário na Venezuela se torna realidade a cada dia que passa – especialmente com a chegada do fim do regime de Fidel Castro em Cuba, e a necessidade da esquerda em ter um novo líder no continente. A ascensão de governos ditos populares em países como a Argentina, o Brasil, a Venezuela, a Bolívia e o Equador, além da leniência e do descaso da diplomacia norte-americana na América do Sul, definitivamente deu um novo charme e impulso ao projeto da esquerda inclusiva.

O reequipamento das Forças Armadas Venezuelanas faz parte de um script surrado e manjado, que é o de “inventar” um inimigo externo para combater a oposição interna. Que o Chávez é um fanfarrão e boquirroto todos nós sabemos, mas no mínimo é de chamar a atenção o seu compromisso publicamente assumido de proteger o Evo Morales dos ataques da oposição boliviana.

Imaginem se o Chávez resolve virar “fiador” dos governos de esquerda da região? O “santo-protetor” dos governos “bonzinhos” populares contra a oposição direitista e entreguista das elites conservadoras da região? Imaginem o banzé? E o Brasil do companheiro Lula, qual seria a sua posição diante desses possíveis fatos?

Por outro lado, é digno de nota a preocupação do Sarney com a estabilidade do Brasil e da região… Logo ele, governador durante décadas de um dos estado mais pobres da União, Presidente de um governo tíbio, de baixa legitimidade, que inventou um sem-número de pacotes de estabilização econômica que só afundaram ainda mais as contas públicas… O seu mandato se encerrou com taxas cavalares de impopularidade – lembram-se da picareta que jogaram no ônibus dele em 1989, lá no Paço Imperial, no centro do Rio de Janeiro?

Utilizando a terminologia weberiana, Sarney é o “tipo ideal” da elite econômica e política brasileira: parasitária, patrimonialista e totalmente descompromissada com os segmentos mais excluídos e desfavorecidos economicamente. O mais engraçado disso tudo é que isso tudo parece papo do roto falando do esfarrapado, isto é, de caudilho denegrindo caudilho…

É o general da república do petróleo – não das bananas! – sendo criticado pelo coronel de curral eleitoral, escritor de livros que ninguém lê…

Claro, estamos numa democracia, e cada um fala o que quer – e tem de se responsabilizar por isso. Mas é digno de nota a preocupação “patriótica” de nosso fulgurante Senador contra a ameaça que vem do Norte!

Está aberta a disputa pelo Troféu Joselito do Ano
Anúncios
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: