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MERCADO CERVEJEIRO: A SEDE POR MARCAS PREMIUM

Que o mercado de cervejas é disputadíssimo no Brasil, não há a menor dúvida. Entretanto, a notícia mais interessante dos últimos tempos é o significativo crescimento das cervejas artesanais – cervejas premium produzidas em menor escala por micro-cervejarias, com sabores diferenciados e de qualidade elevada comprovada. Marcas prestigiadas como Baden-Baden (Campos do Jordão), Devassa (Rio de Janeiro) e Eisenbahn (Blumenau) são alguns exemplos de produtos vencedores que caíram no gosto – e na garganta – de consumidores sedentos, exigentes e ávidos por uma novidade etílica…

Tal crescimento se explica pela sofisticação do gosto do consumidor brasileiro, graças a uma maior oferta no mercado de marcas que fogem da fórmula tradicional da cerveja lager – de baixa graduação alcóolica, espuma leve, cor amarelo-palha, muito suaves e refrescantes ao paladar -, que estão presentes nas marcas líderes de mercado: Skol, Brahma e Antárctica (todas da Ambev), Sol e Kaiser (da mexicana Femsa) e Nova Schin (do grupo Schincariol). Como a briga no andar de cima é de foice – com fortes investimentos em divulgação, promoção e distribuição -, as empresas líderes começam a olhar com carinho as microcervejarias, apostando em margens maiores impulsionadas pela demanda crescente de marcas fortes voltadas para o paladar dos consumidores exigentes…

A Ambev, graças a uma política intensa de importações, vem introduzindo no mercado brasileiro marcas estrangeiras fortes e diferenciadas – o maior exemplo é a Stella Artois -, que se juntou ao seu portfólio de cervejas premium composto por marcas como a Bohemia. Para outras empresas, que patinam em busca de aumento de market share, talvez a solução não esteja em disputar um mercado congestionado e com margens de lucro reduzidas em função da sangrenta competição. A saída pode estar em buscar mercados de menor volume, mas de maior valor e capazes de agregar respeitabilidade à marca de origem…
O grupo Schincariol – dono das marcas Nova Schin e Primus – deu início a ampliação de seu portfólio, a partir de estudos da consultoria de negócios norte-americana McKinsey. As marcas do grupo vêm apresentando uma queda constante de market share, o que acendeu a luz vermelha na sede da empresa em Itu, São Paulo. Cansada de investir em marcas que vêm apresentando uma grande dificuldade em decolar, a empresa decidiu mudar a sua estratégia: partiu para a aquisição de cervejas premium artesanais, produzidas em micro-cervejarias…
O primeiro movimento ocorreu em janeiro desse ano, quando a empresa adquiriu a prestigiada Cervejaria Baden-Baden, de Campos de Jordão. Considerada uma cerveja superpremium, a Baden-Baden marcou a entrada do grupo nesse segmento, após a tentativa frustrada de desenvolver uma marca premium com a cerveja Primus.
No mês de agosto, a Schincariol adquiriu a também prestigiada Cervejaria Devassa. Fundada em 2000 no Rio de Janeiro, a Devassa é um case de sucesso no segmento de cervejas artesanais. Dona de um conceituado portfólio de produtos – segundo os apreciadores da bebida – e de uma rede de distribuição criativa – além dos canais tradicionais de varejo, em pontos selecionados, a empresa é dona de 13 bares no Rio e 1 em São Paulo -, o maior ativo da empresa é a força de sua marca: uma cerveja premium, elaborada artesanalmente, consumida por uma clientela sofisticada, de bom-gosto e de elevado poder aquisitivo.
Ou seja, pelo valor módico de R$ 30 milhões, a Schincariol adquiriu um ativo estratégico que até então não tinha conseguido construir por seus próprios esforços…
Tais aquisições demonstram a sede da empresa em explorar novos mercados, a partir da diversificação do leque de produtos, focando em produtos de maior valor agregado. Como consumidor – e apreciador – de ambas as marcas, a preocupação maior está na manutenção do padrão de qualidade da bebida, bem como a permanência dos atributos de ambas as marcas.
Como um apreciador de cervejas, esse Escriba estará alerta e vigilante quanto à qualquer alteração que dilapide o patrimônio construído a duras penas – e às custas, é óbvio, de várias baladas e de vários goles!… Mas, como a concorrência não irá ficar parada, a tendência é que outras grandes marcas mundiais adentrem o mercado brasileiro, aumentando as opções de escolha e satisfazendo os paladares exigentes de todos os apreciadores desse verdadeiro “tesouro líquido” e patrimônio ancestral da humanidade, que é a cerveja…
Um brinde aos consumidores, porque eles merecem!
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