TURISMO ECUMÊNICO?

Em tempos de instabilidade mundial, fundamentalismos religiosos e sectarismos dos mais variados âmbitos e tipos, é uma verdadeira utopia aproximar povos de diferentes sistemas de crenças e valores. Especialmente quando se tratam de religiões primas entre si, como é o caso dos chamados Povos do Livro – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo… Histórias de intolerância religiosa se destacam nos dias de hoje, em detrimento de experiências históricas no passado onde foi possível o estabelecimento de uma coexistência pacífica entre os seus diferentes adeptos – casos como, por exemplo, o do Califado de Córdoba, em plena Península Ibérica durante a Idade Média, ou do Acordo de Omar, vigente em plena dominação turca da Terra Santa, que garantia a liberdade de culto nessa região entre as três religiões monoteístas…

No entanto, séculos de conflitos no Oriente Médio trouxeram, além de sofrimento para as populações, miséria e decadência econômica para os países da região. Muitos especialistas apontam que a saída para esse impasse está na aceitação da imperiosa coexistência pacífica entre os países – algo, convenhamos, extremamente impensável dado o ambiente tenso entre nacionalistas e fundamentalistas de ambos os lados, especialmente no que toca à questão da existência do Estado de Israel…

É possível pensar na possibilidade do turismo como um elemento capaz de superar essas profundas e sangrentas diferenças? É nisto que apostam pesquisadores da Universidade de Harvard, junto com parceiros judeus, muçulmanos e cristãos oriundos da iniciativa privada brasileira. Por ser um país respeitado no Oriente Média, dado o histórico de imigração e de coexistência pacífica entre os seus descendentes o Brasil, segundo os coordenadores do projeto, ocupa uma posição de destaque nessa iniciativa.
O projeto, intitulado Caminho de Abraão, é uma iniciativa conjunta entre governos da região, parceiros da iniciativa privada e ONGs, inspirado no Caminho de Santiago de Compostela – um dos roteiros de peregrinação religiosa mais procurados no mundo -, na região norte da Espanha.
A base do roteiro é o de proporcionar ao turista a visitação aos lugares que Abraão – patriarca das três religiões monoteístas – percorreu há cerca de 4.000 anos atrás. O projeto conta com a simpatia de vários países árabes (como, por exemplo, a Síria e o Líbano), de Israel e de várias personalidades políticas (casos do ex-presidente americano Jimmy Carter e do líder espiritual budista Dalai Lama). A ONU escolheu o projeto como um dos cinco programas mundiais mais importantes para o diálogo entre civilizações.
O roteiro tem início nas ruínas de Harran, no Sul da Turquia, onde Abraão teria recebido o chamamento de Deus para a sua missão. De lá, o roteiro passa por países como a Síria, Jordânia, Israel, Palestina e Líbano, terminando na cidade de Hebron, local onde repousam os restos mortais do Patriarca. Além da importância histórica, o caminho engloba cidades de uma beleza ímpar e de uma riqueza cultural incomensurável como Aleppo, Damasco, Amã, Jerusalém, Belém, Beersheba, dentre outras. O projeto prevê, no futuro, a inclusão de cidades no Iraque, Egito e Arábia Saudita, a fim de contemplar os seguidores do Islã.
Para maiores informações sobre o projeto é só acessar (http://www.abrahampath.org).
A inicativa soa um tanto o quanto utópico, mas sonhar não custa nada. Além do mais, quem não gostaria de integrar uma caravensarai como esta?
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