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ESTAMOS NOS ENCAMINHANDO PARA O BURACO?

Estou, como a grande maioria dos brasileiros que amam esse país, de luto pelos últimos acontecimentos na política nacional. Luto e indignação, pois a sensação crescente que tenho é a de que there´s no way out… Isto é, a roubalheira, a impunidade, a canalhice, as mentiras, as negociatas e os acordos de bastidores se tornaram o padrão em nosso país.

Em um comentário no seu blog Canto Geral, o jornalista Jorge Jreissati levanta a tese de que os nossos políticos são a expressão do nosso povo – tanto para o bem quanto para o mal. Afinal, eles não são eleitos pelo voto direto? Esse não é o modelo da democracia representativa? Se elegemos ladrões, safados, picaretas e pilantras, é sinal de que organizamos o mundo segundo essas categorias de entendimento, bem como os achamos dignos de nos representarem…
É como o dilema de Narciso diante do espelho: somos vítimas de nossas próprias inconsistências e vaidades… Projetamos os nossos desejos, angústias, expectativas e inconsistências nos outros, que são os nossos fiéis depositários. Freud e os Psicólogos Sociais nos são de extrema valia nesse momento, como faróis que nos guiam diante das intempéries dos mares bravios…
É evidente que os últimos acontecimentos não ocorrem em um vácuo, mas são apenas o resultado de um longo processo histórico de constituição da sociedade brasileira, que nos remete aos tempos do Brasil Colônia e da dominação portugesa. Nesse ponto, peço desculpas solenes aos meus antepassados e patrícios, posto que esse Escriba é um legítimo represantante da Nau Lusitânia
As nossas raízes já foram estudadas a fundo por intelectuais brilhantes, que nos ajudaram a compreender o mosaico de interesses divergentes que compõem o Brasil.

De Gilberto Freyre, vem a idéia de sociedade patriarcal, organizada em torno da vida do outrora todo-poderoso “Senhor de Engenho”, renomeado posteriormente de “coronel”, cujo exercício de dominação permeia as dimensões macro (representação política) e microsocial (o sistema social da casa e a relação com os escravos e agregados). É o famoso manda quem pode, obedece quem tem juízo…

De Raymundo Faoro emerge a noção de patrimonialismo, isto é, o uso dos recursos públicos para o benefício privado. É a compra de favores, é se locupletar do erário, é a sanha tributária a tungar os nossos bolsos, em prol de mensalões, acordões, charutos cubanos, trens-da-alegria e outras formas de sustentação da elite política parasítica e neoplásica…

De Celso Furtado e Caio Prado Júnior temos a questão da inserção periférica do Brasil na economia mundial. Da ênfase no modelo agroexportador, que propiciou o surgimento de uma elite política parasitária e auto-interessada, cujos interesses se encontram cindidos do restante do país. O autismo do Senado Federal, os socos e pontapés trocados no Congresso Nacional, a safadeza da sessão secreta é o resultado de séculos de desinteresse, desprezo e insensibilidade para com os destinos da Nação… Para eles, o Brasil é do tamanho da suas contas bancárias!

De Roberto da Matta explica-se a esperteza, o “jeitinho” e o caráter malandro do nosso Povo. Ele nos mostra o quão eficientes foram as elites nacionais, ao exportarem o seu modelo de menosprezo para o restante da população, em uma escala avassaladora… Atualmente, a corrupção é um estigma de nossa sociedade, encontrando-se difundida em todos os seus segmentos – do mais rico ao mais pobre, do mais poderoso ao mais chinfrim, do Senador ao traficante, do Deputado ao ambulante! É o que há de mais democrático em nosso país: a vontade de se dar bem às custas dos outros! Expresso em lógicas do tipo “Salve-se quem puder”, “Minha farinha é pouca, meu pirão primeiro”, “Você sabe com quem está falando?”… No Brasil. não há democracia racial. mas sim a democracia da ladroagem!

Mensalão, privatizações, dólares na cueca, Jeane Mary Corners da vida, carequinhas lobistas, Land Rovers, mansões de rendez-vous no Lago Sul e agora a absolvição do Renan Calheiros é sinal de que estamos profundamente doentes! O Brasil é um doente terminal, que respira por aparelhos, e o seu prognóstico é reservadíssimo…

Como conselho, aí vai uma trilha sonora para o final dos tempos: The End (The Doors), The Downward spiral (Nine Inch Nails), Misery is the river of the world (Tom Waits)… De preferência, com muito gelo e certificado de procedência, pois corre-se o risco de uma tremenda dor de cabeça…

Que tal honrarmos os nossos patrícios, e navegarmos por mares nunca antes navegados? Tudo bem, aeroporto está um pouco difícil nos dias de hoje… Mas não há sofrimento maior do que ver o nosso país assim, definhando, na mão destes apóstatas!

Por favor, o último que sair apague a luz…
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