POF 2002/2003: CONCENTRAÇÃO DE RENDA

Os dados da POF 2002/2003 trazem notícias boas e ruins. A notícia ruim é que o Brasil ainda é um país desigual – isto significa que os mais ricos gastam dez vezes mais que os mais pobres. As famílias situadas no topo da pirâmide (cerca de 10% da população) consomem mensalmente R$ 1.800 por pessoa, enquanto que as famílias mais pobres (cerca de 40% da população) gastam apenas R$ 180 por mês per capita.
A notícia boa é que, apesar dos pesares, esse quadro está mudando. Em ritmo lento, é verdade, mas contante…
Os mais ricos abrangem 4.860.018 famílias – cerca de 17.842.224 pessoas. O total mensal de despesas destes lares é de R$ 6.681,83 – o que dá uma média mensal de R$ 1.814,61 para cada integrante.
Por seu turno, as famílias mais pobres gastam apenas R$ 623,71 mensais – o que dá um total de despesas de R$ 179,44 para cada integrante. Tais diferenças são extremamente significativas, se levarmos em consideração que as famílias mais pobres abrangem o universo de 67.488.806 pessoas – mais especificamente, estamos falando de 19.416.166 lares.
Como não poderia deixar de ser, é no Nordeste que as desiguladades entre esses segmentos são maiores – em especial, no Estado de Alagoas. Também é previsível que a maior concentração de famílias ricas esteja em São Paulo – 37% das famílias mais ricas estão lá localizadas. A maior renda per capita se encontra no Rio de Janeiro (R$ 2.338,96), e a menor no Maranhão (R$ 116,18).
Mas nem tudo é um vale de lágrimas… Segundo os economistas, alguns elementos vêm ajudando a melhorar a situação lastimável das famílias brasileras mais pobres, e consequentemente ajudando a diminuir o enorme fosso entre os ricos e os pobres. Dentre eles, pode-se considerar o aumento da renda, o reajuste acima da inflação do salário mínimo e os programas governamentais de auxílio à baixa renda – leia-se, o Bolsa-Família.
No entanto, para que a desigualdade diminua, é necessário que tal quadro se mantenha constante por um intervalo de tempo de aproximadamente 20 a 30 anos. Ou seja, devem ocorrer condições para a manutenção do crescimento econômico, a geração de empregos, a recuperação da renda e investimentos governamentais em infra-estrutura para que possamos atenuar uma das maiores mazelas sociais brasileiras, que é a desigualdade entre as classes.
Isso, se não houver a interveniência de eventos como a especulação imobiliária nos Estados Unidos, a queda das Bolsas de Valores no mundo inteiro, crises energéticas, guerras, ataques terroristas, instabilidade política no continente, escândalos de corrupção no governo, incompetência gerencial da máquina pública, radicalização da luta pelo poder, roubalheira no Legislativo, venda de sentenças no Judiciário…
Simples, não? O problema é combinar com os adversários, ou melhor, com os políticos…
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