POF 2002/2003: DESPESAS COM SAÚDE

Outro dado interessante da POF diz respeito às despesas familiares com saúde e medicamentos. Em linhas gerais, os mais ricos despendem maiores gastos com planos de saúde, enquanto os mais pobres investem maiores somas na aquisição de medicamentos.

Gastos com planos e seguros de saúde envolvem 37,19% dos lares com rendimento superior a R$ 6 mil reais mensais, contra apenas 7% dos gastos das famílias de baixa renda. O gasto na compra de remédios, por seu turno, abocanha 76% dos rendimentos de famílias com renda mensal de até R$ 400, contra 23,7% dos gastos de lares com rendimentos acima de R$ 3 mil. Isto significa que os mais ricos gastam cerca de R$ 150,28 mensais com planos de assistência à saude, contra apenas R$ 2,70 mensais por parte dos lares mais pobres.

O que esses dados claramente indicam é que os segmentos mais pobres da população brasileira são os grandes usuários dos serviços públicos de saúde – e, por isso, são os que mais sofrem com as mazelas do setor. Os mais ricos, por seu turno, se encontram protegidos (em tese) por despenderem uma parte significativa de seus rendimentos em planos e seguros de saúde, e também na chamada medicina preventiva – isto é, gastos com exames de rotina, mudança de hábitos de vida, dietas, alimentação mais balanceada, exercícios físicos…

Chega a ser curioso o fato de que doenças tipicamente urbanas como hipertensão, obesidade, disfunções coronarianas e diabetes acometerem uma parcela cada vez maior das classes mais baixas. Além da pouca informação e da resistência à mudança de costumes alimentares arraigados, a restrição de renda propicia uma alimentação de baixa qualidade – hipercalórica, hiperglicêmica e repleta de colestorol e gordura trans – aliada a adoção menos intensiva de práticas de vida mais saudáveis – como por exemplo, caminhadas, jogging, exercícios físicos regulares, prática de esportes… É a famosa dieta à base do pastel e do caldo de cana, do bolinho de aipim com carne moída ou do sanduíche de churrasquinho grego com um refresco ralo e doce por apenas 1 real…

Vistos no contexto maior das despesas familiares, os gastos com saúde e medicamentos são bastante reduzidos – apenas cerca de 4% a 6% da cesta de consumo mensal das famílias brasileiras. Tal dado é revelador da forma de como se configuram os gastos familiares, dada as suas prioridades de consumo. Nos lares mais pobres, os gastos com moradia e habitação abocanham cerca de 70% da despesas mensais, enquanto os mesmos circunscrevem-se a apenas 31,8% dos gastos mensais nos lares mais privilegiados. Isso se justifica pelo fato de que quanto maior a renda, maiores as opções de consumo, logo mais complexas são a prioridades de gastos dos mais abastados. Os gastos com saúde também obedecem a uma lógica regional: famílias do Norte e Nordeste gastam, em média, R$ 100 mensais nessa rubrica de despesas, ao passo que famílias no Sul e Sudeste gastam em média R$ 129,13 e R$ 180,87, respectivamente.
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  1. Anonymous
    setembro 17, 2007 às 2:52 am

    Olá Prof. Fui sua aluna de na turma MKT66 Barra. Trabalho na Indústria farmacêutica e estou fazendo uma análise de demanda do meu produto versus a concorrência. Cheguei a algumas conclusões interessantes sobre o mercado do RJ, considerando-o como mercado estratégico e que deve ser tratado de forma diferente da do Brasil. Vc poderia me ajudar? Há alguma pesquisa relacionada ao consumo de medicamentos no Rio frente ao Brasil? Grata. Joyce. (joyce.santos@gmail.com)

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