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DICA DE CD – ANTHRAX: The Greater of Two Evils

Metal, Metal, Metal!

Esse Escriba é fã incondicional de qualquer tipo de música pesada apesar de, nos últimos anos, ter ampliado os seus horizontes sonoros e, por extensão, estendido as suas preferências musicais… Coisas da idade… No entanto, continuo o mesmo garoto de 17 anos quando o assunto em tela é escutar as últimas novidades desse mundo – especialmente quando se trata de um trabalho da banda nova iorquina Anthrax.

O Anthrax é um dos lados do quadrilátero de ouro do trash metal norte-americano dos anos 1980 – junto com o Metallica, Slayer e Megadeth. Quando de sua gestação, na Bay Area de San Francisco, a proposta era completamente diferente do chamado heavy metal clássico – representado pelo movimento da NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal) – de bandas como Iron Maiden, Saxon, Judas Priest, Samson, que nessa época dominavam o cenário da música pesada… O negócio desses caras era completamente alternativo: guitarras rápidas e altamente distorcidas, solos velozes de guitarra e uma mistura sonora que envolvia o punk, o hardcore e o metal. Enfim, um sopro de ar fresco em um cenário até então dominado por artistas consagrados e mega shows apoiados em produções faraônicas.

Por exemplo, até hoje não sai da minha cabeça o magnífico show do Iron Maiden no Rock in Rio I, em janeiro de 1985, onde o cenário do palco era tão grandioso quanto era a turnê do premiadíssimo álbum Powerslave – e que depois virou um disco ao vivo intitulado Life After Death
Kill’ Em All (do Metallica), Show No Mercy (do Slayer), Killing is My Business… (do Megadeth) e Fistful of Metal (do Anthrax) foram pontos de inflexão na trajetória da música pesada. Afinal, eram frutos de uma molecada muito doida, que não tinha menor idéia de que estava lançando ali a semente de um futuro estilo denominado de trash metal ou trash core, que até hoje possui seguidores fanáticos e influenciou todas as bandas que se propõem a fazer rock pesado nos dias atuais…
Evidentemente que, com a passagem do tempo e a maturidade de seus integrantes, cada banda se diferenciou e seguiu propostas musicais diferentes… O Metallica – de todos, o mais bem-sucedido comercialmente, sem dúvida alguma – se tornou o gigante que é graças a mudanças no som que o tornaram menos violento, mais sincopado e menos rápido. Apesar dos últimos álbuns terem sido um tanto o quando inconsistentes, evidenciando uma crise musical na banda, os caras são o máximo, e merecem ser reverenciados por tudo o que fizeram para o movimento…
O Slayer seguir o caminho oposto: não apenas se manteve na proposta original, mas radicalizou o seu som até o limite da insanidade… Além dos membros originais se manterem unidos – salvo as mudanças eventuais de bateristas – a banda continua focada em realizar um extreme trashcore, com letras insanas e niilistas, super-rápido e violento, acompanhado por uma legião ensandecida de fãs que leva os shows a meio caminho da catarse e do culto religioso…
O Anthrax sempre foi um caso à parte, dada a originalidade e a abertura musical da banda a novos sons, o que tornou-a meio outsider… Capitaneada pelo excelente guitarrista Scott Ian, a banda foi a primeira a estabelecer uma ligação mais estreita entre o trash metal e o rap, em função de suas origens nova-iorquinas. A banda trafegou no crossover entre esses dois estilos, estabelecendo um frutífero intercâmbio com artistas do movimento rap como o lendário e engajado grupo de rap Public Enemy, uma reedição musical e oitentista do espírito de protesto e mobilização social dos Black Panthers... Isso tudo antes de outra banda excepcional, os Red Hot Chilli Peepers, estabelecer o funk metal – fusão do punk com o som grooveado e dançante de artistas negros com muito swing como James Brown, Steve Wonder, George Clinton, Parliament, Bootsy Collins e outros… Para mim, a frase resume as diferenças entre essas duas bandas: enquanto os Peepers fazem balançar o esqueleto, o Anthrax faz bater a cabeça!
As faixas do CD The Greater of Two Evils, lançado em 2004, são regravações de músicas da fase clássica da banda – basicamente os primeiros discos, com os vocalistas Neil Turbin e Joey Belladonna. O disco foi gravado no “pau”, em duas apresentações “ao vivo” no estúdio para os fãs da banda, com os fundadores Scott Ian, Charlie Benante (bateria) e Frank Bello (baixo), além do guitarrista Rob Caggiano e do vocalista John Bush (ex-Armored Saint) – uma das vozes mais poderosas do heavy metal atual, em minha humilde opinião…
O disco reúne regravações de faixas dos álbuns Fistuful of Metal (de 1984), Spreading The Disease (de 1985), Among The Living (de 1987), State of Euphoria (de 1988) e Persistence of Time (de 1990). O tracklist foi gerado a partir da votação dos fãs feita pela internet e em shows do grupo, e o disco foi lançado como uma homenagem da banda aos seus leais admiradores…
Para mim, é muito legal ver músicas que escutei quando garoto em novas e furiosas versões. Petardos como Deathrider (maravilhosa, que abre o disco), Metal Trashing Mad, Caught in a Mosh (o hino do grupo), A.I.R., Indians, Madhouse, I Am The Law, N.F.L., além das rapidíssimas Panic e Gung-Ho são a mais pura expressão de que o trashcore continua mais vivo do que nunca – para a felicidade geral da nação, e desse Escriba que vos fala…
O disco todo é excepcional, não há nenhuma faixa mais ou menos! Para quem é aficcionado pelo som da banda, ou gosta de som pesado, trata-se de um clássico! Também é recomendado para os saudosistas de plantão, apreciadores do gênero, ou então a garotada que acha que o máximo do peso hoje é Linkin’ Park e Slipknot… ou então acha que Dream Theather e Symphony X representam o que há de mais up to date no mundo da música pesada…
Confesso que, de tanto ouvir esse CD, tenho medo de ele furar no meio qualquer dia desse…

Aliás, a quem interessar possa, o John Bush já saiu da banda, e circula pela internet o boato de que o novo vocalista da banda será o Corey Taylor, do Slipknot…

Assim como os excepcionais vinhos, que só melhoram com tempo, os caras também estão tinindo… N.F.L.! Nice Fuckin’ Life!!!
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Categorias:Anthrax, Rock, Trash Metal
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