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O LÍBANO NA ROLLING STONE BRASIL

Bastante interessante a matéria sobre o Líbano publicada na edição de agosto de 2007 na revista Rolling Stone Brasil. A princípio, soa um tanto um quanto exótico a publicação de um tema como esse em uma revista que, majoritariamente, cobre temas como música e a vida de artistas do rock. No entanto, uma breve folheada em suas páginas nos ajuda a entender um pouco mais sobre o seu projeto editorial, e que o seu foco está para além de assuntos estritamente musicais, dada a variedade de artigos sobre comportamento, literatura, cinema e diversidade cultural…

A matéria, de autoria da jornalista brasileira Paula Schmitt – ex-correspondente do SBT no Líbano – é bastante esclarecedora sobre alguns aspectos do cotidiano desse país, abrangendo mais do que habitualmente é mostrado na cobertura da mídia em geral, possibilitando uma visão muito mais complexa e sofisticada do momento atual do País dos Cedros – em realidade, uma imensa colcha de retalhos de religiões, etnias, facções políticas rivais, grupos armados e interesses divergentes…

A matéria, por si só, é abrangente, possibilitando um olhar mais aprofundado sobre a vida em Beirute, especialmente no que toca aos hábitos e costumes dos jovens e das minorias – em grande parte reprimidas com veemência em outros países da região, mas que gozam de uma liberdade maior no Líbano. As contradições entre o laicismo da sociedade atual e as tendências islamizantes presentes no seio das comunidades mais sectárias é o retrato da própria posição do país, rasgado por divisões religiosas e étnicas milenares, e que conta em sua história com um grande número de sangrentas e dolorosas guerras civis. Considerado um enclave ocidental no mundo árabe, a própria noção de identidade libanesa é fruto da tensão gerada pela multiplicidade de comunidades que lá habitam – em linhas gerais cristãos e muçulmanos, subdivididos em maronitas, melquitas, sunitas, xiitas, drusos e palestinos -, que se aliam e se antagonizam tanto pelas circunstâncias políticas locais quanto pelo jogo da política internacional – leia-se EUA, Israel e Síria -, dada a posição geopolítica privilegiada do país no complexo tabuleiro de gamão que é o Oriente Médio…

De maneira resumida porém didática, a articulista mostra o jogo explosivo de interesses que envolve esses países, bem como o seu impacto na política interna libanesa – recentemente marcada pelos ataques a bomba sofridos por políticos libaneses anti-Síria, a oposição do Hezbollah contra o governo libanês, que motivou vários ataques de milícias islâmicas ao Exército Libanês, gerando uma ofensiva israelense ao país, e uma reação do Exército que levou ao desmantelamento desses enclaves…

Além do vertiginoso relato das alianças políticas que se constróem e se desfazem ao sabor das marés do Mediterrâneo, a matéria também traz alguns assuntos mais prosaicos como o aumento do número de cirurgias plásticas no país, o lazer e o consumo de drogas por parte da juventude do país, bem como as divisões no seio da sociedade libanesa – refletida nos enclaves de cada grupo nas andanças da repórter por Beirute

Infelizmente, não consegui achar o link dessa matéria na internet, e o site da revista não possibilita o acesso às matérias publicadas… Se algum leitor o conseguir, solicito que gentilmente envie para que esse Escriba possa publicar aqui. De qualquer maneira, vale a pena uma ida a banca de jornal – rápida, pois o final do mês está chegando…

Enfim, uma bela matéria que reputo instrutiva para quem não apenas é descendente de libanês, mas para quem nutre uma simpatia pelo país, se interessa por assuntos relativos ao Oriente Médio, ou então deseja ter uma visão mais complexa do mundo árabe na atualidade…
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  1. Anonymous
    agosto 27, 2007 às 1:10 pm

    Bom dia José Mauro.

    Tive a satisfação de ler seu comentário a respeito da matéria da jornalista Paula Schmitt. Nota 10. Quero lhe informar que tenho a matéria em questão no formato .pdf. Como faço para lhe enviar?
    Abraços, Arnaldo.

  2. Anonymous
    agosto 27, 2007 às 1:40 pm

    Caro Arnaldo, bom dia.

    Grato pelo seu comentário. Claro que gostaria de receber a matéria por e-mail. Se vc. fizer essa gentileza, pode enviar para josemauronunes@yahoo.com.br
    Abraços, José Mauro.

  3. Anonymous
    agosto 27, 2007 às 5:37 pm

    Será um prazer.

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