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LE MONDE DIPLOMATIQUE BRASIL: JÁ NAS BANCAS…

A globalização é uma coisa deveras curiosa e surpreendente… Vista por muitos como o paraíso, e para outros tantos como o verdadeiro Inferno de Dante, o fato é que nas últimas décadas o gap na produção e difusão da informação no mundo inteiro vem se estreitando assustadoramente. Para quem está situado na periferia do mundo – como nós, simples tupiniquins – isso é que é uma notícia alvissareira! Além disso, é importante para quem, como esse Escriba e vários outros habitantes da blogsfera, não se satisfazem com a produção midiática local, e dependem de uma literatura especializada e internacionalizada sobre questões contemporâneas…

Claro que, no âmbito da Sociedade do Conhecimento (segundo a definição clássica de Manuel Castells), muito lixo é produzido concomitantemente à informação de qualidade, via bits dos Googles, Yahoos, YouTubes e blogs da vida… Uma das questões centrais para os sites de busca da Internet de futuras gerações é o de criar indexadores de acesso que possibilitem informar aos usuários a procedência, a qualidade e a relevância do site indicado, segundo os interesses e as preferências do navegante em questão… Enquanto isso não ocorre, contamos com a velha – e eficiente – tecnologia humana dos contatos e das indicações de amigos, professores, colunistas-blogueiros – o que, atualmente, é chamado de networking
Pois bem… Estava esse Escriba andando pelas ruas do Jardim Botânico quando, de repente, ao parar em uma daquelas bancas de jornais turbinadíssimas, me deparo com o primeiro número do jornal mensal Le Monde Diplomatique Brasil – versão brasileira do famoso periódico francês sobre Relações Internacionais e temáticas contemporâneas. Publicada em parceria com o Instituto Polis, é o início da comercialização em larga escala do semanário em nossa Terra Brasilis
O Le Monde Diplomatique é uma das principais referências da literatura européia de Relações internacionais, ao lado de periódicos continentais de peso como The Economist, The Observer, The Guardian, Financial Times, Le Monde, Libération… Sua publicação em português é um bálsamo para quem deseja ter uma visão crítica e extremamente ácida a respeito da globalização e da mundialização da cultura – e que, além disso, não domina a língua gaulesa! O Diplô – como é conhecido pelos íntimos – é um bastião de resistência ao liberalismo econômico atual e às análises que defendem a liderança americana, além de defensor ferrenho de uma visão “independente” (se isto é possível!) e esquerdista dos movimentos sociais anti-globalização e de governos “progressistas” comprometidos com a resistência frente aos fluxos globais de capitais. É notório o apoio do periódico à manifestações anti-OMC e anti-Davos, além do patrocínio a eventos como o famoso Fórum Social Mundial…
É interessante a publicação desse periódico, pois aqui no Brasil não temos o hábito – e a disponibilidade editorial – de ler semanários especializados que façam análises abrangentes e aprofundadas sobre temas contemporâneos, que vão além das manchetes dos jornais e da urgência de notícias informativas que se esvaem a cada segundo – por exemplo, nossas revistas de maior circulação editorial como Veja e Época deixam muito a desejar nesse sentido…
Só para se ter uma idéia da pujança do Diplô, ele nasceu em 1954 como suplemento do famoso jornal Le Monde, para depois ganhar autonomia e atualmente gerar 36 edições mensais impressas – publicadas em 4 continentes e 26 idiomas-, com uma tiragem mensal de 1,5 milhão de exemplares! Ou seja, os números falam por si só…
Apesar do periódico adotar uma linha política com a qual nem sempre eu me identifico, não deixa de ser instrutivo ver o que os seus editorialistas e articulistas publicam, até para o salutar exercício do contraditório do que usualmente é publicado pela grande mídia. Inclusive, o Diplô é referência para quem têm interesse em temas como o Oriente Médio e África, e que não aguenta mais os clichês tradicionais! Para quem acha que há algo a mais nessas regiões do que a simples acusação de terrorismo, fundamentalismo religioso e governos autoritários, não deixa de ser uma lufada de ar fresco!
Também é interessante a ênfase do periódico à América Latina, apesar da preferência explícita dos editores pelos governos ditos “populares” – leia-se Hugo Chávez e Evo Morales… Para quem não aguenta mais os blablablás correntes de “choque de civilizações”, e outras falcoarias do gênero, é mais do que saudável a sua leitura.
Como falei antes, sua linha editorial não é a do Escriba. Mas, como aprendi em meus anos de vida acadêmica, para criticarmos uma teoria é preciso que nos aprofundemos nela para evitar reducionismos, apriorismos ou análises apressadas… Além do mais, ter acesso a outros pontos de vista sobre certas questões urgentes que tocam a todos não é apenas uma necessidade constante de questionar o conhecimento estabelecido, mas também uma prova de honestidade intelectual, e um antídoto contra a estreiteza mental e a calhordice analítica… Sem falar no fato de ser uma prova inconteste da inquietude que nos move a cada dia…
Boa leitura a todos!!! E, para quem quiser, o site da edição nacional é http://diplo.uol.com.br/
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