Início > Folk, Pop, Rock, Suzanne Vega > DICA DE CD – SUZANNE VEGA: Beauty & Crime

DICA DE CD – SUZANNE VEGA: Beauty & Crime

É inegável a preferência desse Escriba por cantoras, apesar do lado rockeiro pesado bem pronunciado… Apesar de ter uma certa preferência por distorções, sons dissonantes e um certo niilismo nas letras, estou ficando mais velho… e, consequentemente, complexificando ainda mais os meus gostos sonoros…

Apesar disso, ainda mantenho algumas resistências a determinados tipos de música. Não simpatizo com a folk music, especialmente porque a voz anasalada e a pretensão poética de Bob Dylan nunca me chamaram a atenção… Reputo a minha distância a sua música graças a uma professora de inglês que tive na antiga 8a. série do 1o. grau, que me fez repetir e cantar até a exaustão uma canção dele – Blowin’ in the Wind… Coincidência ou não, a mesma canção que de vez em quando o nosso Senador da República Eduardo Suplicy profere – à capella – em seus recitais…

Bardo por bardo, prefiro o Lou Reed e o Tom Waits – aliás, esse último, o top dessa linhagem!

Não que eu não goste de cantoras. Tori Amos, Patti Smith, Kate Bush, Fiona Apple, Loreena McKennitt, até mesmo alguma coisa da Shakira… a lista é bem longa!

Meu caso com a nova-iorquina Suzanne Vega – considerada pela crítica especializada como o Bob Dylan de “saias” – não deixa de ser curioso. Intérprete tipicamente intelectualizada, de letras complexas e voz suave e rouca, com arranjos primordialmente acústicos e seu violão folk, ela caiu no circuito pop quando emplacou nas paradas de sucesso, em 1987, hits como Tom’s Dinner, Luka e Calypso – do seu segundo disco, Solitude Standing. Confesso que, quando ouvi Luka pela primeira, vez achei um pé no saco… e eu estava tão entretido com o som pesado de bandas do nascente speed metal como Metallica, Slayer e Anthrax, que achei aquela sonoridade pop demais para os meus árduos e niilistas ouvidos…

Retornei a ela em 1992, quando vi na MTV o clip da música Blood Makes Noise, do seu quarto disco 99.9F… Fiquei impactado com o som – uma batida industrial muito louca, simulando o pulsar do fluxo sanguíneo, com uma tessitura de loops eletrônicos muito interessantes, que contrastavam diretamente com a sua voz suave e aveludada! Um típico exemplo do jogo barroco entre o claro e o escuro!

Muito criativo, genial, fantástico, pensei com os meus botões… Corri atrás, comprei o CD, e quando o escutei fiquei extasiado com o frescor e a novidade daquilo tudo. Músicas como a citada, 99.9F, In Liverpool, (If You Were) In My Movie, As A Child, Bad Wisdom… era o perfeito mix entre a suavidade acústica de seu violão com o peso e a dissonância do som industrial, que naquela época estava começando a despertar a minha atenção.

Daí em diante, virei seu fã, e venho acompanhando de maneira muito próxima todos os seus trabalhos até então… Realmente, é uma das minhas cantoras prediletas, apesar de ultimamente – especialmente em seu último disco, Songs in Red and Gray, de 2001 – ela ter retomado o percurso acústico de suas composições. Segundo ela mesma, coisas da separação do seu antigo produtor, Mitchell Fromm…

Eis que saiu o novo trabalho dela – Beauty & Crime -, e a cantora retoma as experimentações deixadas desde Nine Objects of Desire (de 1996), mesmo que timidamente e com uma certa parcimônia… Como aprecio a sua trajetória como compositora e intérprete, gostei muito desse novo disco. Apesar de ter perdido o contato com as paradas pop de sucesso, sua sonoridade continua a mesma: a prevalência dos violões e dos arranjos acústicos, agora com uma pitada jazzística, sua voz suave como se estivesse cantando em nossos ouvidos, abrilhantada pela presença de músicos como Lee Ranaldo (do Sonic Youth), Tony Shanahan (da banda de Patti Smith) e Gerry Leonard (do David Bowie), o que dá um upgrade e torna os arranjos bastante próximos do indie rock.

Apesar disso, o disco é bastante pop, e é um tributo emotivo à cidade de Nova York. Aliás, é inegável a admiração dela pelo ícone seventies Lou Reed (ex-cantor e guitarrista da cultuada banda Velvet Underground). A homenagem à cidade, como não poderia deixar de ser, oscila entre a admiração e a ironia, entre o culto e a crítica ácida dada as contradições e oportunidades que a metrópole oferece. Nesse sentido, trata-se de um disco de uma poeta urbana, bastante sofisticada e intelectualizada, e que exige várias audições até que se descortine a variedade de intertextos possíveis presentes nesse trabalho…

Músicas como Zephir & I, Ludlow Street, New York Is a Woman, Pornographer’s Dream (uma bela bossa nova!), Bound e Unbound são as que mais chamaram a minha atenção…

Para quem gosta de um som bem cool, descolado e moderninho, essa é a pedida da semana! Recomendo a sua apreciação na companhia de um belo vinho… de preferência, um pinot noir… e com a pessoa amada ao lado!
Anúncios
Categorias:Folk, Pop, Rock, Suzanne Vega
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: