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IDENTIDADE CULTURAL, HIBRIDISMOS E FRAGMENTAÇÃO IDENTITÁRIA

Acabei de chegar de uma ótima manhã, onde pronunciei uma aula no Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana (PPFH) da Uerj, a convite da Professora Doutora e Pesquisadora Eloiza Oliveira, em sua turma de mestrandos e doutorandos. Foi uma experiência bastante interessante, pois tive a oportunidade de retomar alguns raciocínios que estabeleci, por volta dos final dos anos 1990, quando escrevi a minha Tese de Doutorado intitulada Tecnologias da Informação e Modos de Subjetivação, elaborada durante a minha estada no Departamento de Psicologia da PUC-Rio.

É sempre interessante retomar esses assuntos, pois vemos com novos olhos determinadas linhas de questões que traçamos de uma determinada maneira alguns anos antes. Além do mais, é sempre interessante interagir com alunos de pós-graduação posto estes estarem envolvidos com o caminho acadêmico, além das possibilidade do estabelecimento de trocas frutíferas e bastante construtivas. A todos os alunos o meu agradecimento, e especialmente a Professora Eloiza pela gentileza do convite, o que eu retribuo com o meu carinho e a minha mais elevada estima…

O mote da aula era a discussão sobre a identidade que o sociólogo catalão Manuel Castells estabelece em seu livro O Poder da Identidade. Nele, o autor levanta a temática das produções identitárias e as alterações em sua dinâmica de constituição, dada a introdução das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) e a aceleração da difusão da informação por intermédio da mídia global de massa. O autor aponta para a questão do recrudescimento dos fundamentalismos religiosos e do surgimento de movimentos indígenas, como formas de contraposição e de resistência política ao movimento homogeneizante da globalização. Apesar da diversidade desses movimentos – o fundamentalismo cristão norte-americano, a seita da Verdade Suprema no Japão e o movimento zapatista na região de Chiapas, no México -, todos eles são indicadores de um vetor de resistência ao movimento de globalização econômica, política, social e cultural posto em marcha pela mídia global de massa, que difunde em escala planetária os signos da cultura de consumo atrelados a um certo estilo de vida – ocidentalizado, individualista, consumista, característico do american way of life
No entanto, pelo fato de seu livro ser parte integrante de um projeto de mapeamento da estrutura macrosocial da Sociedade do Conhecimento, muitos raciocínios em Castells não encontram o desenvolvimento adequado. Dentre esses, a problemática da identidade e os impactos das TICs na construção e regulação dos processos subjetivos. Dessa forma, outros autores procuram complementar a abordagem de Castells, aprofundando a sua argumentação em direção à questão identitária.
Tais autores giram em torno de um movimento surgido na segunda metade da década de 1990, denominado de pós-colonialismo. Em linhas gerais, o pós-colonialismo é representado por uma gama de acadêmicos de nacionalidades diferentes, porém unidos em um objetivo comum: o de repensar a história das culturas do Sul a partir da perspectiva dos povos colonizados, isto é, pelo ponto de vista daqueles que sofreram o domínio do colonizador europeu. Dito de outra forma, o objetivo desses autores é o de reinterpretar a história pelo ponto de vista dos “derrotados”, isto é, o de deslindar o processo de jugo a partir do relato dos que sofreram na carne a própria experiência de dominação…
Nem é preciso dizer o quão explosiva é esta perpectiva, a ponto de que tal polêmica envolvendo autores das Ciências Humanas e Sociais “colonizados” e “colonizadores” ganhou a alcunha de cultural wars – termo criado pelo falecido antropólogo norte-americano Clifford Geertz -, tendo surgido nos artigos, réplicas e tréplicas surgidos em periódicos prestigiados tais como o New York Review of Books e o Times Library Supplement.
Questões como fragmentação subjetiva, hibridismos identitários, fenômenos de crossover cultural, relacionadas com a questão das diásporas e dos regionalismos ganharam corpo na literatura pós-colonial. Os expoentes dessa literatura são o indiano-americano Arjun Appadurai (Modernity at Large), o jamaicano-britânico Stuart Hall (A Identidade Cultural na Pós-Modernidade e Da Daiáspora), o palestino-americano Edward Said (O Orientalismo) e o indiano-britânico Homi Bhaba (The Location of Culture e Cosmopolitanism) são os baluartes da pós-colonialismo no seio das Ciências Humanas e Sociais.
Mais uma vez, meus agradecimentos aos alunos da pós-graduação por terem me possibilitado retomar estas questões, até então adormecidas, me proporcionando um novo fôlego para abordá-las em futuras publicações. Pretendo expor um resumo dessas reflexões em artigos futuros neste blog
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