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ARENAS ESPORTIVAS: É POSSÍVEL TRANSFORMAR O ESPORTE EM ESPETÁCULO? (PARTE 1)

Findo os Jogos Pan-Americanos, a discussão agora é sobre o que fazer com os equipamentos esportivos que foram construídos para a ocasião. O temor é que esses se tornem verdadeiros “elefantes brancos”, dado o seu sub-aproveitamento característico da gestão pública dos espaços…

Já falei sobre essas arenas em outros posts, e realmente as instalações são completamente diferentes de tudo o que estamos acostumados a ver aqui no Brasil. Para quem, como esse Escriba, adora futebol e frequenta “estádios” como o Aniceto Moscoso (do Madureira), Giulite Coutinho (do América), Figueira de Mello (São Cristóvão), Rua Bariri (do Olaria), Teixeira de Castro (do Bonsucesso) e até mesmo o queridíssimo Maracanã, o upgrade é incontestável…

A Prefeitura do Rio iniciou o processo de exploração privada desses espaços, tais como o Estádio Olímpico João Havelange (mais conhecido como o Engenhão), a Arena Multiuso e o Parque Aquático Maria Lenk no Riocentro. O primeiro foi arrendado pelo Botafogo, e os outros dois ainda não atraíram interessados em gerir esses locais. Já o Governo do Estado do Rio de Janeiro está preparando, via licitação pública, o Complexo do Maracanã – leia-se o Estádio do Maracanã, o Ginásio do Maracanãzinho, o Estádio de Atletismo Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio Delamare – também para a exploração de parceiros da iniciativa privada.

Vou aproveitar a matéria do A+ desse sábado – a revista semanal do jornal esportivo Lance! – para escrever alguns posts sobre esse tema. A matéria de capa procura mostrar algumas saídas para a gestão desses espaços, com base em exemplos de arenas esportivas européias que se mostraram rentáveis a prtir do uso inteligente e variado dos espaços disponíveis. Além da posse recente do Engenhão pelo Botafogo, o tema é válido haja visto que vários times brasileiros também possuem projetos engavetados prontos para serem implementados a partir do aporte de capital da iniciativa privada.

O calendário brasileiro de futebol é dividido em algumas competições nacionais e internacionais – Estaduais, Taça Libertadores, Copa do Brasil, Copa Sul-Americana -, mas sem sombra de dúvida o principal evento é o Campeonato Brasileiro, que se estende de maio até dezembro. As receitas de bilheteria são baixas, dado o reduzido poder aquisitivo da população, associado a idéia arraigada de que o futebol é uma opção de lazer para as classes mais baixas (daí o preço reduzido dos ingressos). A violência e o desconforto nos estádios são ingredientes explosivos que afastam o público de maior poder aquisitivo, resultando na média reduzida de público na competição – cerca de 14.000 torcedores por partida.

Dada a média baixa de pública, a única solução dos clubes é vender – à preço de banana – os talentos surgidos nas categorias de base para o futebol estrangeiro, para equilibrar as suas contas. O caso mais recente é a ida do jovem atacante Alexandre Pato, revelado pelo Internacional, para o Milan… E, sem jogadores talentosos, desconforto, violência, ausência de facilidades de todos os tipos, o torcedor se afasta dos estádios, preferindo assistir os jogos pelo sistema pay-per-view. É realmente um ciclo vicioso e sem fim de degradação de valor…

Estamos diante de um clássico problema de marketing: excesso de oferta e pouca procura. Isso ocorre no país do futebol – principal esporte formador da identidade nacional -, pentacampeão mundial! Como, então, estimular a demanda de público para espetáculo de futebol?

A solução passa pela diversificação das receitas dos clubes, e essas arenas multiuso são vistas como o início da solução dos problemas de caixa. Como, então, explorar esses espaços?

Para que isso ocorra, e este é o mote da reportagem, é necessário uma radical mudança da idéia de espetáculo esportivo, que irá impulsionar uma alteração nos próprios hábitos dos torcedores. Em suma, uma radical mudança do comportamento dos consumidores, que o Pan começou a introduzir em nossas terras… A pergunta é se o nosso torcedor irá se acostumar a novos hábitos tais como lugares marcados nos Estádios, carnês de ingresso para os jogos adquiridos no início da temporada, medidas de segurança mais intensas dentro e fora dos estádios, novas opções de lazer e entretenimento que aumentem a permanência do público antes e depois das partidas…

Tais mudanças são possíveis e factíveis de serem conseguidas. Basta seguir o velho jargão do marketing, que é o de ofertar valor para os consumidores, isto é, os torcedores e espectadores. Para isto – além da Pesquisa de Mercado – algo é imprescindível: é preciso mudar a própria concepção do produto. Explico: o jogo de futebol precisa ser trabalhado como um verdadeiro espetáculo, um momento mágico de encantamento, uma forma sofisticada e prazeirosa de lazer e entretenimento, e não como uma commodity, como se fosse uma mera partida válida pelo torneio ou campeonato em questão…

Como gerar essa mudança? Um primeiro passo é o de olhar criticamente as experiências norte-americana e européia de gestões do negócio esportivo. É olhar não apenas o futebol, mas também o basquetebol, o futebol americano, o hóquei, o voleibol… Ver o que pode ser utilizado, e descartar aquilo que não se adequa a nossa realidade esportiva e cultural. Afinal, nem tudo pode ser copiado, adaptado ou implantado… É o que eu pretendo discutir nos próximos posts
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