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DICA DE CD – J.J. CALE: To Tulsa And Back

Voltei, meus caros leitores! Desculpem a demora em atualizar os posts, mas duas coisas me deixaram muito mal-humorado desde domingo para cá: primeiro, uma gripe infernal, que me deixou “arriado”, de cama com febre e dor no corpo inteiro; segundo, a lanterna do Mais Querido do Universo, graças ao gol contra – de letra, diga-se de passagem, e sem querer! – do infeliz do Irineu!

Aliás, nem sei o que está me irritando mais nos últimos dias: o governo Lula, o Ney Franco (que tenta fazer o Ipatinga travestido de Flamengo), o Souza, o Irineu, o Ronaldo Angelim, o Léo Medeiros, o Juan, o Léo Moura… a lista é longa!!!

Para começar bem a semana, que tal uma dica de música? Como é de praxe desse Escriba, só mesmo a música para nos trazer um pouco de conforto e beleza em tempos tão difíceis como esses! E, se achamos a música como um bálsamo, que tal um pouco de blues?

O último – e nem tão novo – disco do guitarrista norte-americano J.J. Cale é um oásis de beleza em um deserto musical onde cada vez mais proliferam pastiches inspirados em hip-hop, rap, emo, nu-metal e outros estilos ditos “muderninhos”, que são produzidos em escala exponencial pela indústria fonográfica nos dias de hoje. Como sou, essencialmente, um ouvinte de rock, as minhas opções musicais se vêem cada vez mais restringidas pelas ofertas das gravadoras…

To Tulsa and Back, de 2004, é um disco de rock da melhor qualidade! Aliás, não apenas, mas também de blues, de folk, de country music, com pitadas jazzísticas que outorgam uma sofisticação delicada a um compositor que é um primor…

Já falei dele anteriormente, quando publiquei um post sobre o disco que ele e o Eric Clapton – outro monstro da guitarra – lançaram em 2006 – The Road to Escondido. Cale e Clapton são verdadeiros antípodas: enquanto um é a estridência e a distorção em pessoa, o outro é soft e econômico em seus riffs; as guitarras de Clapton são o peso e a saturação em pessoa; a guitarra de Cale é limpa, quase sem efeitos, e suas composições são delicadas tessituras sonoras, com instrumentos que se complementam sem sobrepujar o seu fraseado; o vocal de Clapton é rasgado, bluesey e angustiado; o de Cale é minimalista, quase um mantra; Clapton é over, Cale é cool… Ambos são gênios, mas cada um ao seu modo!

O disco é uma trip pelas diversas referências musicais que influenciaram a música do guitar man. Vai do country (proveniente do Oeste do Estado de Oklahoma, onde Cale nasceu), ao blues (do leste do mesmo estado e da Região do Mississipi), passando pelo cool jazz… Nesse disco, estão presentes inclusive até alguns riffs de surf music – é sou ouvir a faixa New Lover para comprovar o que eu estou dizendo.

O disco abre com My Gal, um rock bluesado típico dos anos 1960, com um violino de contraponto aos acordes de guitarra que acrescenta um tempero country à faixa de abertura. Também têm blues (Stone River, These Blues, Blues for Mama), rockabilly (One Step, Motormouth), country e folk (One Step, The Problem, Fancy Dancer). Tudo isso emoldurado com um requinte jazzístico que dá um ar bem cool e relaxado ao disco…

Além do Eric Clapton, muita gente boa também foi influenciada pelo cara. A lista é só de pesos-pesados: Dire Straits, Neil Young, Bryan Ferry, Lynyard Skynyard, Santana, e por aí vai… Nos dias de hoje, não dá para entender a música de grupos muito criativos como a Dave Matthews Band e Béla Fleck & The Flecktones sem perceber as raízes na obra do guitarrista de Oklahoma…

O cara é muito fera, e com o passar dos anos os intervalos entre os discos são maiores, e os resultados são cada vez mais inspirados… Isso é o que dá trocar a quantidade pela qualidade! O J.J. Cale é semelhante a um grand cru classé bordalês: denso, complexo, com diversas tessituras, e que evolui para melhor com o correr dos anos!

É um disco para ser ouvido várias e várias vezes, pois a cada audição novas sutilezas aparecem aos ouvidos… e ao coração!

Então relaxem, liguem o som e deixe o espírito de vocês ser guiado por essa viagem sonora a uma parte importante do continente musical atual… Vocês vão ver que há música além do pagode, do hip-hop, do emo, do rock chiclete, do funk e de outras coisas que esse Escriba está cansado de ouvir…
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Categorias:Blues, J.J. Cale, Jazz, Música, Rush
  1. Anonymous
    julho 24, 2007 às 4:07 am

    Prezado José Mauro,

    J. J. Cale…realmente o que foi dito no seu texto reflete, certamente, a maravilhosa música deste extraordinário guitarrista, influenciador de muita gente.
    Mais uma vez, informação apuradíssima e comentário à altura do som de Cale.
    Valeu
    Marc

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