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INDÚSTRIA FONOGRÁFICA BUSCA FÓRMULAS PARA SAIR DO ATOLEIRO

É muito interessante presenciar mudanças radicais em um determinado setor da atividade produtiva. Já se tornou lugar-comum falar da crise gravíssima que assola a indústria fonográfica, marcada por uma conjunção funesta de fatores, tais como queda vertiginosa da venda de CDs, o aumento colossal da pirataria e as alterações nas formas de produção, distribuição e consumo de música por parte dos consumidores – leia-se aí peer-to-peer, iTunes e outras formas de convergência informacional….
Ao mesmo tempo, nunca os artistas faturaram tanto como antes… e, estranhamente, cada vez menos com a venda de CDs!!! Aliás, existem outras formas da música chegar às mãos dos fãs: pela internet (como faz David Bowie), via pen-drives (como fez recentemente a banda americana White Stripes) e até mesmo agregado a um jornal ou a uma revista (No Brasil, o Lobão é o pioneiro, e o Prince agora entrou nessa onda). É como se os artistas estivessem anos-luz à frente das gravadoras – essas muito resistentes a mudança do modelo de negócio vigente no setor. Daí, a nova máxima no setor é: a indústria fonográfica morreu, viva a indústria da música!
Qual foi a solução que os artistas encontraram para esse impasse? E como as gravadoras querem ter o seu quinhão nesse negócio?
A grande sacada foi a inversão das receitas com as atividades relacionadas à música. Antes, 75% das receitas dos artistas eram obtidas com a comercialização de CDs, sendo o restante dividido em shows, merchandisings e patrocínios – os chamados endorsements. Agora, a maior fonte de lucros dos músicos provém da venda de ingressos para os shows, cujos valores não são repartidos com as gravadoras – que continuam atreladas aos contratos de comercialização de CDs.
A pirataria na internet é um dos maiores fatores dessa mudança de comportamento dos fãs de música, posto que os custos de produção de informação são bastante elevados, mas o desembolso para a sua distribuição é baixíssimo! Como, na psicologia do consumidor, as despesas com a compra de CDs diminuíram vertiginosamente, sobra mais “espaço mental” no fã de música para o gasto com shows e produtos licenciados. É, meus amigos, isso é puro Comportamento do Consumidor…

Algumas gravadoras estão entrando em choque com os artistas de seu cast, tentando focá-los mais na promoção do disco do que em longas turnês e contratos de endorsement. O problema é que isto acaba gerando um paradoxo, posto que quanto mais as gravadoras gastam em marketing dos seus produtos, mais tornam os artistas conhecidos, lotando os seus shows, aumentando as vendas de produtos licenciados e alavancando formas alternativas de receita que não são contempladas pelos contratos vigentes com as gravadoras. Portanto, as receitas são maiores e mais lucrativas para os músicos! Isso é o que pode-se chamar de um verdadeiro efeito-bumerangue!
A coisa é tão gritante, que a revista inglesa The Economist tomou como exemplo a banda inglesa de rock dos anos 1980 The Police – uma das preferidas desse Escriba, por sinal -, cujos membros recentemente se reuniram para uma nova turnê. Enquanto o catálogo com todos os CDs da banda custa aproximadamante US$ 100, os melhores lugares na platéia para assistir uma apresentação da banda custam, em média, US$ 900!
Algumas gravadoras tentam reverter esse panorama, ao oferecer os chamados contratos 360 graus: trata-se de contratos mais amplos, que envolvem a produção, a venda de CDs, a participação na bilheteria dos shows, merchandising e endorsement. Claro, isso é um acordo draconiano, e muitos artistas consagrados se recusam terminantemente a assinar um deal desse tipo! Porém, esses contratos de direitos múltiplos ou plenos são mais frequentes em países com uma elevada taxa de pirataria – África, Ásia e América Latina – e também com bandas e músicos iniciantes, cujas carreiras necessitam desesperadamente de um grande selo para impulsionar as suas carreiras rumo ao estrelato…
Alguns artistas consagrados – como Robbie Williams, The Pussycat Dolls e a banda de nu-metal Korn – já assinaram contratos dessa natureza. No entanto, isso é uma exceção no meio musical, e o consenso entre os artistas é o de que as gravadoras não tratam de maneira atenciosa as estrelas do seu cast – salvo honrosíssimas exceções, inevitavelmente grandes líderes de vendagem…
Dado esse impedimento por parte significativa dos músicos, algumas gravadoras preferiram radicalizar de vez: estão em um movimento agressivo de aquisição de escritórios de agenciamento de artistas. Recentemente, a BMG fez uma oferta a maior empresa desse ramo no Reino Unido, a Sanctuary – que tem em seu cast, artistas como Elton John e Robert Plant. Nos EUA, a Warner anunciou uma joint- venture com a Violator Management – especializada em rap e hip-hop -, que tem em seu cast artistas como 50 Cent, P. Diddy e Busta Rhymes.
Thath’s the sign of the times!!!
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  1. agrand
    julho 20, 2007 às 1:51 am

    Grande Zé Mauro! Bacana esse tópico. Amo música e quem sabe um dia ainda terei oportunidade de trabalhar em alguma Grvadora ou algo do genero…
    Eu acredito que as gravadoras ainda nao acordaram para as mudanças do novo consumidor em tempos de internet, players de mp3 e principalmente, como dito em seu artigo, para o mundo da música e nao dos cds! Uma boa soluçao seria posicionar-se de uma nova forma perante esses novos consumidores. Por exemplo: O lançamento de “cards” do tipo “vale música” nos valores de 10 e 20 reais. Esses cards seriam créditos que serviriam para os consumidores fazerem downloads de músicas para seus desk tops ou seus proprios players portateis. É claro que estes cards devem ser atrativos ao ponto de serem colecionaveis, onde seu layout alem dos codigos para o download teriam fotos dos artistas preferidos, etc…
    Estes cards poderiam ser vendidos em lojas de conveniencias, jornaleiros, livrarias, e uma outra centenas de lugares.
    Esta é apenas uma idéia para aguçar a curiosidade do consumidor para esta nova forma das gravadoras se posicionarem. É bom lembrar que esta estratégia visa unica e exclusivamente vender música! Sim, eu disse VENDER, o que hoje em dia com tanta pirataria e sites de dowloads de musica gratuita seria uma grande jogada.
    Grande abraço.
    Alexandre Grand

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