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DICA DE CD – SOULFLY: Dark Ages

Tempos nem sempre tão azuis como esses – assim afirma a nota de abertura desse blog – exigem uma música difícil, árdua, dura, hiper-pesada e violenta como os dias de hoje! Essa proposta tem na banda mineira de trashcore Sepultura um de seus maiores expoentes, desde os seus primórdios, lá pelos idos do final dos anos 1980…

O Sepultura é uma das maiores referências do rock pesado tupiniquim, não apenas pela consistência de sua música, mas também por ter sido uma das primeiras bandas nacionais a se afirmar no cenário musical no exterior! Por mais que nem todos os fãs de rock pesado gostem dela, todos são unânimes ao afirmar o pioneirismo da banda: o Sepultura é um divisor de águas no metal nacional… Aliás, por falar em saudade, esse humilde Escriba presenciou a primeira apresentação do grupo no Rio de Janeiro, na extinta casa de shows Caverna, em Botafogo, ao lado do shopping center Rio Sul. Naquela época, eles estavam lançando o EP Bestial Devastation, e nem de longe lembravam o som que iria conquistar o mundo da música pesada, tornando-se uma referência para o Brasil e o mundo…
Antes mesmo de sair do Sepultura, ao final da turnê do aclamadíssimo e excepcional álbum Roots (a obra-prima da banda, sem nenhuma dúvida!), o guitarrista Max Cavalera – cujo vocal gutural é a marca registrada desse tipo de som – já vinha flertando de longa data com o experimentalismo. Aliás, o Roots está cheio de soluções desse tipo, ao fundir elementos do rap, do hip-hop e do punk com ritmos percussivos e étnicos, sem sair do referencial ultra-pesado.
Quando fundou o seu projeto solo – o Soulfly -, Max se sentiu livre para produzir uma série de ótimos discos que misturavam diferentes referências musicais, um verdadeiro caldeirão musical, passando pela música brasileira, rock brasileiro (como Chico Science & Nação Zumbi), ska, reggae e pós-punk, sem nunca perder a linguagem pesadíssima do trash metal e do grindcore. Tudo que vem do Sepultura e do Soulfly é sempre visto com bons olhos por esse Escriba…
Além disso, o cara é super gente boa, antenadíssimo com as tendências musicais atuais e, apesar de estar há muito tempo radicado lá fora – atualmente o músico reside na cidade norte-americana de Phoenix, no Arizona -, ele nunca perdeu as suas raízes com o Brasil e a música brasileira! Basta ouvir as suas composições e ler os encartes dos seus discos para entender o que eu estou falando…
Aliás, diga-se de passagem, o som pesadíssimo, super-grave e hiper-distorcido do Sepultura infuenciou um sem-número de bandas da nova cena da música pesada – algumas delas, inclusive, têm relações muito estreitas com o Soulfy… Exemplos: Slipknot, Korn, Napalm Death, Limp Bizkit, dentre outras mais…
Como o mundo dá muitas voltas, eis que em 2005 o Soulfly – leia-se o Max – lançou um disco que pode-se dizer que se trata de uma volta às origens… Dark Ages é um acertar de contas com o passado, o retomar uma linha há muito interrompida, que é a do trash metal!
Não há uma música ruim ou descartável em todo o disco (fato raro nos dias de hoje!). O disco é excepcional! Está tudo lá presente como antes: a violência sonora dos acordes sujos e distorcidos (como nas faixas Babylon, Riotstarter e Staystrong), a bateria tresloucada em ritmo aceleradíssimo (Innerspirit), o peso sincopado, denso, em estado bruto (I And I, Carved Inside, Arise Again, Fuel The Hate) e o bom e velho trashcore à la Sepultura e Slayer (Molotov e Frontlines, simplesmente excepcionais!), emoldurados pelo urro gutural que é característico do Max… É simplesmente destruidor, aterrador, impactante…
Para quem sentia saudades da sonoridade do Sepultura no Soulfly, esse disco é um presente para a enorme legião de fãs!
Nunca um disco do Soulfly soou tão coeso como esse! Não que os outros sejam ruins, muito pelo contrário! Mas é que a colagem sonora deu lugar a uma proposta muito bem definida no disco. A temática é tipica da contemporaneidade – Tempos Escuros, marcados pela desordem, pelo caos, pela violência, pela insanidade, pela demência e pelo puro ódio que permeiam as relações humanas no mundo de hoje… Para quem acredita na espécie humana, ou gosta de um violão e uma casa no campo, saia correndo antes que a corrosão tome conta de sua forma de ver o mundo! Para quem é distóptico, misantropo, percebe a densidade e complexidade do mundo atual, marcado por inúmeras matizes de negro e cinza, esse é o disco!!!
Impossível não ouví-lo no máximo de volume possível! Sem enlouquecer ou estourar os tímpanos, é claro…
A prova desse retorno aos velhos tempos é que o Max está prontinho para retomar o caminho interrompido por desavenças familiares… Após ter saído do Sepultura no final de 1996, o seu irmão Igor Cavalera – um dos maiores bateristas do mundo – está ensaiando com o Max o repertório para um novo disco, que não é do Soulfly! Trata-se de um projeto solo dos dois, mas certamente toda a Sepulnation está seca para ouvir o que vai sair daí…. O projeto ainda inclui o guitarrista Marc Rizzo (também do Soulfly) e o baixista Joseph Duplantier.
Quem viver verá!
Dark Ages na cabeça!!! Fuck Shit Up!!!!
Mais informações em (http://www.soulflyweb.com)
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