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MERCADO EDITORIAL BRASILEIRO: HÁ VIDA ALÉM DA AUTO-AJUDA?

O mercado editorial brasileiro está em festa! Começou ontem e vai até domingo a Flip (Festa Literária Internacional), realizada na charmosíssima e belíssima cidade de Parati, no litoral sul fluminense. Programa imperdível para quem gosta de livros, tietagem, boa culinária, ambiente intelectualmente estimulante e uma bela paisagem ao fundo…

Adoro Parati, mas confesso que prefiro andar pelas suas ruas com menos gente. Afinal, para apreciá-la em todos os seus detalhes, ela exige concentração… assim como sorver uma bela garrafa de vinho!
O interessante disso tudo é que muita gente afirma que o livro, tal como o conhecemos em seu formato original, está fadado a desaparecer, por ser uma mídia de transmissão de informação antiquada e datada. Eu mesmo já afirmei em meu blog anterior que o e-book é uma alternativa interessante, mas problemas de software e de interface – além do preço elevado – ainda são empecilhos para a sua disseminação em larga escala.
Além disso, por seu formato e experiência de uso, o livro afastaria as novas gerações leitoras, mais afeitas a outras tecnologias mais interativas – jogos de computador, videogames, internet, sites de relacionamento, mídias de comunicação instantânea -, baseadas em imagens multimídias, interatividade e recursos gráficos avançados. O fim do livro físco seria, então, uma mera questão de tempo…
Como explicar, então, fenômenos editorais recentes como O Código da Vinci e Anjos e Demônios, do escritor norte-americano Dan Brown? E os volumes da série Harry Potter, da escritora britânica J.K. Rowling? E a série fantasiosa e intrincada do Senhor dos Anéis, do também britânico J. R. R. Tolkien? Todos ele são best-sellers mundiais! O mais interessante disso tudo é que todos esses livros caíram, curiosamente, na graça dos leitores mais jovens, supostamente mais resistentes ao livro tradicional! Interessante como é o mercado…
O mercado editorial brasileiro comporta uma miríade de selos de grande porte, estrangeiros e de pequenas casas que desenvolvem produtos para diferentes perfis de leitores. A grosso modo, o mercado pode ser dividido nos seguintes segmentos majoritários: literatura, negócios, auto-ajuda e didático. Tirando o primeiro – que confere respeitabilidade e identidade de marca perante o mercado -, os três últimos são considerados os mais rentáveis pela indústria. Afinal, quem não gostaria de ter um Paulo Coelho, um Augusto Cury, um Rubem Alves, um Roberto Shinyashiki em seu selo? Ou um Philip Kotler, um Peter Drucker, um Ricardo Semler, um Tom Peters? Fora autores que mesclam negócios com auto-ajuda, como James Hunter (O Monge e o Executivo), Stephen Covey (7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes), Spencer Johnson (Quem Mexeu no meu Queijo?)…
O mercado didático é o que tem maiores riscos, por depender das compras governamentais e ser duramente afetado pela pirataria das máquinas de xerox, presente como um enxame nas universidades e faculdades espalhadas pelo Brasil. No entanto, quem está nele posicionado, não tem do que reclamar…
Porém, existem outros selos editoriais que investem em diferenciação, e têm obtido resultados bastante interessantes… Um dos exemplos é a editora paulista Cosac Naify, fundada há dez anos, especializada em livros de arte e arquitetura, mas que recentemente vem investindo em filões promissores como culinária, música, dança e literatura. Claro, não dá para compará-la com blockbusters como a Sextante e a Ediouro, pois seu modelo de negócio é focado calaramente em nichos especializados de leitores.
O projeto gráfico dos livros da Cosac Naify é bastante interessante. Obras fartamente ilustradas, de altíssima qualidade, de acabamento gráfico sofisticado, capa dura, papéis pouco usados pelos concorrentes. O mais legal disso tudo é que a editora vem apresentando resultados positivos: entre 2003 e 2006 a empresa cresceu 30%, e fechou no azul nos últimos dois anos.
Atualmente, a receita da editora é assim distribuída: o segmento de artes, fotografia, moda, design, cinema e arquitetura é responsável por 46,5% das vendas; livros infanto-juvenis contribuem com 31% das vendas; e o restante é dividido por conta da literatura, poesia e contos.
Segundo o diretor editorial do selo Augusto Massi, que é jornalista e professor de literatura da USP, é possível tornar a empresa rentável sem perder a qualidade e o foco. Segundo ele, em entrevista ao jornal Valor Econômico de 03/07/07, a empresa visa atender um público sofisticado que usa celular e têm home theater. Por isso, a aposta em produtos de maior complexidade e tecnologia, dado o caráter exigente desse público.
Mais uma lição de criatividade e inovação! Preço nem sempre é tudo…
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