IN VINO VERITAS!!!

Não sei se podemos falar de inverno em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde aqui existem apenas dois tipos de clima: o calor intenso e o tórrido. Mas, o fato é que tem feito algum frio por aqui (claro para os nossos padrões, desculpem-me os meus amigos do Sul!), o que impõe mudanças no comportamento de nossos habitantes. Meu colega bloggeiro Jorge Jreissati (http://www.sparksjrs.blogspot.com) comentou alguns dias atrás sobre isso, e concordo com ele: o carioca é realmente exagerado!
O fato é que esta época do ano deixa as pessoas mais bem arrumadas (que fique claro de antemão: nada contra os biquinis, as batas e as bermudas!), o céu está mais claro e límpido, as cores mais nítidas, e as pessoas acabam por buscar aconchego e calor humano. Daí, a força da gastronomia de inverno com os seus caldos, consomés, sopas, pães, fondues, raclettes e… vinhos!!! Afinal, há algo capaz de aquecer mais do que uma garrafa de vinho?
Sim, meus leitores, o vinho é mais uma das várias paixões deste escriba!!! Paixão, aliás, veemente e entusiasmada…
O vinho definitivamente caiu nas graças (e nos lábios!) dos brasileiros. Não estou falando aqui do vinho de garrafão, aquele rascante e doce feito com a mistura de suco de uvas não-viníferas e aguardente, nem menos os infames vinhos da garrafa azul (e seus nomes complicadíssimos em alemão!) de origem duvidosa e gosto horroso, que invadiram as prateleiras dos supermercados no início da década de 1990… Não, senhores, o brasileiro está aprendendo a consumir vinhos finos, secos, e de diversas castas, procedências, regiões…
O mais legal disso tudo é que, por ocasião de minha iniciação aos mistérios de Baco, o vinho seco era uma bebida de iniciados, de pessoas sofisticadas e, na maioria das vezes, esnobes e arrogantes! Lembro-me das discussões pseudo-intelectualizadas sobre o aroma, o gosto, o retrogosto, o ataque na língua, as diferenças entre castas e procedências, e o blabalabla… Era comum girar o vinho na taça e ficar horas discutindo sobre os aromas e suas matizes (aroma de geléia, compota de amora, couro molhado e assim vai!) enquanto o precioso líquido ficava lá, sozinho, triste e solitário, a espera de um lábio para apreciá-lo… Era a época dos “eno-chatos”, dos “eno-malas”, dos “eno-sacos”(ou seria “pé-no-saco”)!
Mas, como nada dura para sempre, eis que a cultura do vinho está mudando a passos largos… E isso graças a vários fatores. Primeiro, a abertura do mercado gastronômico brasileiro graças ao dólar baixo, o que levou o nosso consumidor a ter alternativas nas gôndolas dos supermercados e delicatessens para os tenebrosos vinhos de garrafão ou de garrafa azul (graças a Deus!!!). Segundo, a criação de lojas especializadas e de cursos que ajudam a difundir e educar o gosto pelo vinho. Terceiro, a adesão dos restaurantes, que contratam sommeliers para dar suporte aos clientes, sugerem harmonizações entre pratos e a bebida, bem como a melhoria sensível das cartas de vinho em seus cardápios.
Hoje, é muito pequeno (e um passaporte para o fracasso) o número de restaurantes que apresentam uma oferta pequena e de baixa qualidade de vinhos em suas cartas. A carta de vinhos se tornou um fator de diferenciação no serviço de restaurantes. E isso tem reflexos inclusive na oferta de vinhos no varejo. As redes de supermercados diversificaram em muito as suas opções na gôndola, em resposta à mudança do consumidor brasileiro. Algumas redes, inclusive, disponibilizam sommeliers na própria loja com o intuito de auxiliar os seus clientes nas escolhas.
O último fator, e em meu entendimento um dos mais importantes, é o crescimento da produção nacional de vinhos. Vinícolas de porte como a Miolo, Dal Pizzoll, Casa Valduga, Salton, e até mesmo caves menores como a Lovara, Cave de Pedra, Pizzatto, dentre outras, vêm ganhando prêmios internacionais de qualidade, tornando o vinho brasileiro respeitável lá fora, especialmente os brancos e espumantes – estes últimos imbatíveis!
Inclusive, as próprias vinícolas estão experimentando novos locais de produção, além das regiões clássicas da Serra Gaúcha (Vale dos Vinhedos) e da Campanha Gaúcha (Santana do Livramento), tais como o Vale do São Francisco e até mesmo a Serra Catarinense, que promete ser uma região de destaque nos próximos anos. Novas castas, que não as tradicionais Merlot, Cabernet Sauvignon e Riesling, também vão sendo experimentadas – Carmenére (casta chilena), Tannat (casta uruguaia), Malbec (casta argentina), Castelão Português – aumentando a oferta e diversificando o nosso paladar.
Um exemplo claro desse movimento é a aposta em vinhos e espumantes rosés – mais leves, bem refrescantes, alegres, a serem bebidos bem gelados…

Enfim… O fato é que, aos poucos, o brasileiro está deixando de ser apenas um bebedor de cerveja. E o vinho caiu mesmo no gosto e na mesa da classe média do nosso país. E isso também pelo fato do vinho ser uma bebida que é portadora de uma forte significação de ascensão social. Vinho é sinônimo de status e de posicionamento social elevado. Afinal, o bebedor de vinho (aliás, o enófilo, melhor dizendo), é sofisticado, culto, paciente, apreciador das boas coisas da vida…
Um brinde aos meus leitores, então! Saúde, Santé, Cheers… e tenham todos um ótimo sábado!!!
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  1. Helena
    outubro 21, 2007 às 8:33 pm

    Oi Mestre, adoro vinho tambem. Alias viajei ano passado para a Alemanha, e experimentei o delicioso Riesling, que nao tem nada a ver com esses vinhos alemaes horrorosos que havia aqui, de garrafa azul.

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