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MUDANÇAS NA GEOGRAFIA DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO

O dólar baixo ainda fazendo grandes estragos em setores de nossa economia que são altamente orientados para a exportação. Até no agronegócio, onde possuímos vantagens competitivas inegáveis, é inevitável o impacto. Neste, a principal mudança é a alteração nos fluxos de investimentos no campo.

A pujante Região Centro-Oeste, até então nossa “fronteira verde” em expansão graças ao cultivo da soja, vem apresentando um crescimento menor comparado à Região Sul, graças a uma reorientação dos investimentos desta primeira para a última. Tal movimento foi destacado por uma matéria no Estado de São Paulo do domingo passado (20/05/2007).

Os motivos estão relacionados à perda da rentabilidade do agronegócio no Centro-Oeste graças aos elevados custos logísticos. Explico: custa mais ao empresário do campo levar a sua produção do Centro-Oeste até os portos mais próximos da região, do que escoar a sua produção baseada no Sul do país.

O resultado é que se observa um declínio do agronegócio no Centro-Oeste, que acaba repercutindo em outros setores desta região. Como exemplo de setores afetados, têm-se o varejo de alimentos, eletroeletrônicos, mobiliário, automóveis e tratores em Estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.

Em compensação, Rio Grande do Sul e Paraná apresentaram uma demanda aquecida nestes setores. Cidades como Londrina e Maringá, no Paraná, estão em festa!

Uma das saídas para estes agricultores é a conversão do plantio de soja para outras culturas como a cana-de-açúcar (olha o etanol!) e até mesmo a pecuária.

Aliás, por falar em etanol, o preço da terra no interior de São Paulo subiu mais de 100% nos últimos 5 anos. Este indicador foi auferido em cidades como Ribeirão Preto, Franca, Bauru e Araçatuba. E com a expectativa da conversão para as lavouras de cana, os preços tendem a aumentar ainda mais!

Aí vem a pergunta cretina: será que estaremos retroagindo no tempo, ao ponto de voltarmos à monocultura da cana-de-açúcar? Será que a nossa inserção na economia internacional é esta? Ao invés de computadores, serviços, transações eletrônicas, turismo, nosso caminho é este? Exportadores de commodities agrícolas sempre?
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