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A EXPANSÃO DO ISLAMISMO NO MUNDO

Qualquer tópico envolvendo questões religiosas é, por definição, polêmico e explosivo. Especialmente quando a discussão em tela abrange as três religiões monoteístas, os três “povos do livro”judaísmo, cristianismo e islamismo. Invariavelmente, quando alguém razoavelmente informado sobre questões contemporâneas pensa sobre a difícil convivência entre os fiéis dessas religiões, é impossível não pensar – e, consequentemente, adjetivar – no que está presente nos livros de história mundial e no que é transmitido pela mídia de massa global em tempo real: Cruzadas, Holocausto, Jihad, Inquisição, Sionismo, Fundamentalismo Islâmico, Israel, Palestina, Líbano, 11 de Setembro, terrorismo, Afeganistão, Iraque, Jerusalém, Faixa de Gaza, Homens-Bomba, “Choque de Civilizações”…

No final de março passado, o periódico L’Osservatore Romano – jornal oficial da Santa Sé e do Estado do Vaticano – publicou dados oriundos de um levantamento estatístico de 2006, que visam analisar a distribuição dos credos religiosos pela população mundial. O resultado, não tão surpreendente assim, afirma que os muçulmanos constituem cerca de 19,6% da população mundial, contra 17,4% dos católicos. Dessa maneira, pela primeira vez na história da humanidade, o Islã ultrapassou o catolicismo em número de fiéis, ocupando o primeiro lugar no ranking das maiores denominações religiosas no mundo inteiro (http://www.estadao.com.br/internacional/not_int148346,0.htm )…

Segundo o coordenador do estudo, Monsenhor Vittorio Formenti, o número de muçulmanos no mundo inteiro é de aproximadamente 1,3 bilhão de pessoas, contra 1,13 bilhão de católicos. Se forem levados em consideração indivíduos cristãos não-católicos – ortodoxos, protestantes, episcopais e evangélicos – o número de fiéis sobe para 2 bilhões de pessoas – cerca de 33% da população mundial, recolocando o cristianismo na liderança do ranking mundial.

Os dados apenas reiteram o que há anos é discutido no seio do catolicismo: a taxa de conversão dos fiéis vem crescendo à razão marginal, sendo agravado pelo fato inconteste do aumento considerável do número de católicos que migram para outras denominações religiosas – dentro ou fora do cristianismo. Na América Latina, por exemplo, esse fenômeno é deveras alarmante, dado o elevado nível de conversão dos estratos menos favorecidos da sociedade (que possuem elevadas taxas de natalidade) tanto para o protestantismo de missão quanto para as religiões evangélicas – sem falar nas denominações pentecostais e outras seitas religiosas que gravitam ao redor do quadro de referência conceitual do cristianismo…

Enquanto isso, na Europa, o secularismo das sociedades ocidentais desenvolvidas e as baixas taxas de natalidade contribuem para o declínio consistente da população católica. O laicismo das sociedades européias e a ascensão da sociedade de consumo, somados a um certo grau de desencantamento com os “relatos totalizantes” de mundo – utilizando uma conceituação do cientista social inglês David Harvey -, contribuem para o baixo grau de adesão e disseminação da mensagem e da ética cristãs no seio da população desses países. Daí, o próprio Papa Bento XVI escolher, como objetivo estratégico de seu pontificado, reverter esse quadro nos países do Oeste Europeu – tradicionalmente compostos por grandes contigentes populacionais católicos…

Outro elemento complicador desse quadro envolve a imigração de grandes contigentes populacionais de regiões próximas do continente europeu, tais como o Magreb, a África Subsaariana e o Oriente Médio, aumentando dramaticamente o número de muçulmanos em países historicamente cristãos como França, Espanha e Alemanha. Quase sempre, por razões étnicas e religiosas, esses indivíduos apresentam níveis baixíssimos inserção nessas sociedades – quase sempre alocados em ocupações de menor relevância social, remunerados com baixos salários e vivendo em precárias condições de vida, afetando diretamente as suas condições de inserção social. Ou seja, somando-se fatores como religião, etnia e ocupação, estes indivíduos acabam engrossando em muito o contingente de “párias sociais”, situando-se à margem dos grandes movimentos de reinvindicação e participação dos indivíduos nessas sociedades.

Não é por acaso que, para a grande maiorias dos cientistas sociais e estudiosos da religião, essa baixa taxa de inserção social torna-se um “combustível” importante para o desenvolvimento de sentimentos de revolta, revanche e revide, que alimentam consequências mais complexas e perigosas que podem desembocar desde um ativismo social mais intenso até às raias do extremismo político de conotações religiosas. Isso é particularmente perigoso quando se está analisando os contingentes mais jovens nessas sociedades, uma população imigrante que encontra-se em níveis elevados de risco social por serem mais sensíveis aos efeitos da precariedade social.

Não obstante, no dia 13 de abril próximo passado, o periódico O Estado de S. Paulo publicou uma matéria a respeito do crescimento do islamismo na periferia da cidade de São Paulo (http://www.estadao.com.br/geral/not_ger156052,0.htm). Segundo a matéria, os estratos sociais onde são observadas as maiores taxas de conversão estão localizados justamente nos segmentos mais pobres da sociedade brasileira – compostos por habitantes das regiões periféricas dos grandes centros urbanos, onde as condições de vida são extremamente precárias e difíceis. Normalmente, jovens negros com um certo grau de politização e ativismo social acabam caracterizando o “perfil” típico de um convertido ao islamismo…

Os números reais dessa conversão são, no mínimo, controversos. Segundo dados do IBGE apurados no Censo de 2000, a população islâmica no Brasil abrange cerca de mais de 27 mil fiéis. No entanto, dada a baixa formalização do processo de conversão e a precária organização da comunidade islâmica em nosso país, acredita-se que no Brasil população islâmica oscila, aproximadamente, entre 700 mil e 3 milhões de habitantes…

Os maiores contigentes dessa população estão distribuídos nas cidades de São Paulo e de Santos, e também na região do ABCD – municípios de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema, que integram a Região Metropolitana de São Paulo. Também observa-se um número considerável de seguidores de Alá no Estado do Paraná – na capital e na região litorânea -, e também na conturbada região de Foz do Iguaçu – local da chamada Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, que é fortemente monitorada pela Abin, pela CIA e por outros órgãos de segurança internacionais, dada ser considerada uma região de refúgio de lavagem de dinheiro e de esconderijo para algumas células-terroristas…

Não entrarei aqui nos detalhes que cercam as razões da conversão de brasileiros ao islamismo, posto que o artigo citado aprofunda esta discussão. Apenas, é importante ressaltar que o “choque de civilizações” é muito mais um artifício de retórica dos falcões da política externa norte-americana do que fait accompli, cujo efeito prejudicial é o de nos afastar de uma visão mais aprofundada e sofisticada a respeito das relações – tensas, construtivas, dinâmicas e paradoxais – entre o Ocidente e Oriente…

Mesmo diante da inevitável constatação que nós, brasileiros, estamos localizados na periferia do mundo, à margem do “grosso” das trocas produtivas da economia mundial, o que acaba por reforçar o nosso sentimento de isolamento e de estranheza frente às grandes problemáticas do mundo contemporâneo…
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  1. abril 9, 2010 às 6:22 pm

    adorei esta pesquisa vou tirar uma nota não sei qual para o trabalho de historia

  2. outubro 19, 2011 às 4:21 pm

    adorei esta pesquisa acho que vou tirar um 10

  3. jennifer bruna
    março 7, 2012 às 5:29 pm

    tenho um trabalho sobre isso e vou resumir e es´pero que consiga 6,0 o total de pts

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