Meus refinados leitores, vejam só que maravilha o trailer do novo filme do consagradíssimo cineasta espanhol Carlos Saura. Fechando a série de películas sobre a música íbero-americana, Fados (2007) é seu mais novo trabalho. Como o próprio título diz, trata-se de uma homenagem à essa música deveras lisboeta, que tanto nos remete à saudade e à melancolia que só os nossos patrícios portugueses conseguem descrever em profundidade…

Trata-se de um documentário que se aborda o fado da mesma maneira que as outras manifestações do cancioneiro popular por ele filmadas, tais como o flamenco - em filmes magistrais como Bodas de Sangue (1981), Carmen (1983), Amor Bruxo (1986), Sevilhanas (1992), Flamenco (1995) e Iberia (2005) - e o tango - com o filme homônimo Tango (1998). Como todos os filmes de Saura que retratam a cultura popular, a película mescla teatro, dança e artes plásticas, sendo extremamente bem-filmado, plasticamente exuberante, de bom-gosto e carregado em dramaticidade… Vale lembrar que Fados finaliza a trilogia do cineasta de retratar as canções urbanas no século XX.

Além da homenagem à fadistas de primeira estirpe como Amália Rodrigues, Marceneiro e Lucília do Carmo, o diretor reuniu um elenco de peso para esse passeio musical-estético sobre a música portuguesa. Temos desde fadistas como Carlos do Carmo, Mariza, Argentina Santos, Camané e Carminho, a guitarristas como Ricardo Rocha e Fontes Rocha, artistas brasileiros consagrados e da nova geração como Caetano Veloso, Chico Buarque e Toni Garrido, as expoentes cabo-verdianas Cesária Évora e Lura, o cantor de flamenco Miguel Povoda, a mexicana Lila Downs e até mesmo rappers como NBC, SP & Wilson, Brigada Victor Jara e Catarina Moura.

Como o próprio casting indica, a abordagem não ficou restrita apenas ao fado, mas abrangeu também as conexões desta sublime música com as músicas brasileiras e da África Lusitana. Isto é, um verdadeiro passeio no caldeirão de culturas que marcou o “diálogo” entre Península Ibérica, a África Negra e a América. Vale lembrar que tudo isso ocorreu na “terrinha”, ou melhor dizendo, na finisterrae, como diriam os antigos romanos - do latim “fim da terra”, melhor dizendo, Portugal, o final da Europa e a junção com o Oceano Atlântico. Daí, a vocação portuguesa de lançar-se aos mares. Imperdível…

O filme foi exibido no último Festival Internacional de Cinema do Rio, no ano passado, e ainda não têm data marcada para exibição no circuito comercial. Portanto, só nos resta aguardar ansiosamente…

Enquanto o filme não vem, vale a pena dar uma conferida nas imagens. É de chorar de tão emocionante…

E O EGITO É HEXACAMPEÃO

Fevereiro 11, 2008

O contato desse Escriba com o futebol africano é bastante superficial. Se resume às partidas dos selecionados africanos na Copa do Mundo e, por vezes, a presença de seus jogadores nos campeonatos europeus. Como o futebol é um negócio verdadeiramente global, a presença de craques saídos do continente é mais do que frequente. Os exemplos são vários: os estelares atacantes Dider Drogba (da Costa do Marfm, que joga no Chelsea, da Inglaterra), Samuel Eto’o (camaronês do multiplatinado Barcelona, da Espanha), Frederic Kanoute (de Mali, que faz dupla de ataque com o brasileiro Luís Fabiano, no Sevilha, também da Espanha), Obafemi Martins (nigeriano que joga no Newcastle, da Inglaterra) e o volante ganês Michael Essien (que também joga com Drogba no Chelsea).

Quase todas as seleções do continente têm jogadores espalhados pelo globo, e muitos outros nasceram em países como Angola, Marrocos, Senegal e Tunísia, que estiveram presentes na edição desse ano do torneio.
Curiosamente, o campeão da edição esse ano da Copa Africana de Nações é um selecionado composto pela maioria dos jogadores que jogam no próprio país, e também é treinado por um técnico “nativo”. Estou falando do Egito, que ganhou pela sexta vez o torneio na final da seleção de Camarões, a “eterna expectativa”. 1 X 0, gol do artilheiro Aboutrika, após uma “lambança siderúrgica” do zagueiro e capitão camaronês Rigobert Song, que dominou mal na entrada da área e perdeu a bola para o “raçudo” atacante egípcio Zidan. No futebol competitivo de hoje, um vacilo e créu! A partida vai por água abaixo…
Quem viu o jogo teve uma tremenda decepção com o time de Camarões. Desde a Copa do Mundo de 1990, a mídia internacional faz uma festa com os chamados Leões Indomáveis, muito em parte graças ao futebol ofensivo praticado peloo selecionado, bem como a elevada qualidade técnica de seus jogadores. No entanto, trata-se de um time forte no ataque, mas fraco na defesa e desequilibrado no meio-de-campo. Em compensação, o time egípcio não conta com jogadores de grande destaque, mas joga “fechadinho”, e sai no contra-ataque em velocidade com dois atacantes mortais: Zidan e Aboutrika.
Os Faraós deram um trabalho daqueles para o goleiro camaronês Kameni, que se tornou o destaque do time camaronês. Já na primeira fase, ficou claro que os Leões não teriam moleza com os Faraós: na estréia, o Egito bateu com facilidade o time de Camarões, pelo placar de 4 X 2. Agora, na final da Copa Africana, os egípcios confirmaram a hegemonia no continente, conquistando pela sexta vez o título do torneio - as outras vezes foram em 1957 (ano em que a competição se iniciou), 1959, 1986, 1988 e 2006.
Além de Aboutrika e Zidan, os Faraós possuem também outros jogadores de destaque, como o goleiro Al Hadary (eleito o melhor da competição na posição), o camisa 10 Moteab, Abd Rabou e o capitão Ahmed Hassan. Enquanto isso, o multi-estelar atacante do Barcelona Samuel Eto’o teve uma atuação bastante discreta, jogando sozinho e dando um único chute a gol durante a partida inteira. Assim, não dá para ser feliz…
No entanto, por ironia do destino, a participação dos dois selecionados na Copa do Mundo é bastante antagônica. Enquanto Camarões se destaca revelando jogadores para o mundo inteiro, o Egito participou de poucas edições da competição, sendo eliminado sempre na primeira fase….
Quem sabe que, com esse título, os Faraós resolvam emplacar de vez do cenário mundial? Anyway, parabéns aos campeões. As ruas do Cairo devem estar em festa até agora….

E POR FALAR EM SOULFLY…

Fevereiro 11, 2008

Para começar a semana, o clip da música Phophecy, do álbum de mesmo nome do Soulfly, lançado em 30 de março de 2004.

É bom para animar o moral…

Aqueles que conhecem esse Escriba mais amiúde sabem do meu gosto pelo som pesado de qualquer tipo, seja ele hard rock, heavy metal, trash metal, grindcore, doom metal… Apesar de também ser um apreciador de uma boa música clássica e de jazz, de vez em quando tenho vontade de escutar uma boa “barulheira” para desopilar o fígado e botar para fora “the devil inside”…

Tive o privilégio de assistir o primeiro show do Sepultura no Rio de Janeiro, no longínquo ano de 1985, após a onda “metaleira” do Rock In Rio I, por ocasião do lançamento do EP Bestial Devastation. Eram um bando de moleques da minha idade (naquela época, bem entendido!) vindos lá das Minas Gerais, e só queriam fazer um “barulho” ensurdecedor. Nem eles, muito menos quem estava lá na platéia, tinha a menor idéia de que, anos mais tarde, os caras iriam conquistar o mundo, sendo a primeira banda de rock brasileiro a efetivamente alcançar projeção internacional.

Tudo por causa de uma série de discos excepcionais como Beneath The Remains (1989), Arise (1991), Chaos A.D. (1993) e o antológico e magistral Roots (1996). A fusão entre o trash metal, a percussão brasileira, o bailado do candomblé, o berimbau e os tambores baianos, a música dos índios dos Alto Xingu e os scratchs de hip-hop levaram à mídia a alcunhar os caras de jungle boys, projetando-os definitivamente no cenário do heavy metal mundial. A voz gutural de Max Cavalera, a bateria ensandecida de Igor Cavalera, os rapidíssimos riffs da guitarra de Andreas Kisser e o peso do baixo de Paulo Jr. formaram a marca registrada da banda. O resto, bem, é história…

Por ironia do destino, após a turnê desse álbum, os irmãos Max & Igor Cavalera tiveram uma briga daquelas, e resolveram seguir caminhos separados - para a então desgraça da Sepultribe (assim é chamada a legião de fãs do Sepultura). O primeiro formou o Soulfly, que manteve a linha trashcore de Roots, continuando a pesquisa sonora de Max envolvendo a fusão do som pesado com a música étnica, o rap, o hip-hop e o reggae -, e o segundo continuou a sua trilha com o Sepultura

No entanto, com o correr dos tempos a coisa foi mudando drasticamente. Enquanto o Soulfly decolava, o Sepultura ia afundando lentamente. Álbuns repetitivos e sem inspiração, aliado a um vocalista pouco carismático, foram arrefecendo o entusiasmo dos fãs, levando a saída do próprio Igor em 2006. Depois disso, as especulações sobre a volta dos dois irmãos em um novo projeto foram aumentando, até que se tornaram verdade…

Em 16 de janeiro desse ano, o Max postou uma notícia no site oficial do Soulfly (http://www.soulflyweb.com) anunciando não apenas o novo álbum da banda para meados do meio desse ano, como também informou oficialmente o lançamento do novo projeto dos dois irmãos, chamado Cavalera Conspiracy. A nova banda, além de Max & Igor Cavalera, ainda reúne o “azucrinado” guitarrista do Soulfly Marc Rizzo e o baixista Joe Duplantier.O primeiro álbum dos caras, intitulado Inflikted, está em fase de finalização, e o lançamento mundial está previsto para o próximo 24 de março.

Para quem quiser mais novidades sobre esse que promete ser o álbum do ano do mundo da música pesada, basta acessar o site oficial dos caras (http://www.cavaleraconspiracy.com), e ouvir o primeiro single, Sanctuary

Nem preciso dizer que esse Escriba está em festa. Finalmente, depois de uma década, vou poder ver os dois caras juntos novamente, e estou curiosíssimo para ver que tipo de surpresa eles irão aprontar. Pelo menos uma coisa eu tenho certeza absoluta: vai ser uma porrada sonora de doer os ouvidos!!!

Get Back To The Front!!!

E POR FALAR EM AEROPORTO…

Fevereiro 9, 2008

Meus queridos leitores, vocês já repararam no estado que se encontra o Aeroporto do Galeão, aqui no Rio de Janeiro? É uma vergonha, não acham?

Estive lá recentemente duas vezes - uma em novembro de 2007, e outra em fevereiro de 2008 -, no terminal 1 (o mais antigo, posto o primeiro a ser construído), no setor de embarque internacional, ao levar familiares em viagem. O que vi é absolutamente lastimável: um saguão velho, ineficiente e destroçado, elevadores quebrados, chão imundo, filas intermináveis da imigração, banheiros também quebrados… Estou falando isso no setor internacional, vejam bem, INTERNACIONAL! Ou seja, o turista entra e sai do país por essa verdadeira “pocilga”, posto que a grande maioria das companhias aéreas opera naquele terminal. Se vocês olhassem a cara dos estrangeiros como eu vi naquele dia…

Enquanto isso, o terminal 2 (mais novo e mais moderno), esta às moscas, especialmente depois da “quebra” da Varig. Para minorar o problema, enquanto as obras do PAC não vêm (me engana que eu gosto!), alguns vôos internacionais poderiam ser transferidos para lá, a fim de dar um conforto maior para os turistas que se arriscam (!!!) a vir para a nossa Cidade Maravilhosa…

O Governador Sérgio Cabral já falou com o Ministro da Desfesa Nelson Jobim sobre o estado atual do Galeão, mas me parece que a burocracia governamental é maior do que a vontade política dos políticos…

A pergunta cretina que não quer calar é: onde está a Infraero? Onde está a Anac? E onde estão as companhias aéreas, que deixam suas operações ocorrerem numa “pocilga” dessas?

E o dinheiro dos nossos impostos? Será que está sendo utilizado para pagar tapiocas, vinhos franceses, pedras preciosas, ursinhos de pelúcia e outros mimos às custas dos otários que pagam impostos?
Esse Escriba tinha se ausentado um pouco da discussão sobre o transporte aéreo civil no país. Logo ele, que viaja muito à trabalho, e pode constatar ao longo dos anos a degradação do serviço tanto aeroportuário quanto o prestado pelas próprias companhias aéreas brasileiras. É de dar uma depressão…

Viajo bastante de avião - à trabalho e também a lazer - desde o ano de 1998 (isto é, uma década!). Apesar de não ser tanto tempo assim, já faz um certo tempinho. Tempo para me lembrar de quando o serviço das companhias aéreas era muito bom, quando eram servidas refeições quentes em vôos domésticos, quando o espaço entre as poltronas era bastante confortável, quando o número de linhas partindo da cidade do Rio de Janeiro era muito maior do que nos dias de hoje, quando a pontualidade era quase que britânica, e o risco de acidentes aéreos era diminuto. Bons tempos…
Também lembro com um certo carinho dos vôos para Belo Horizonte - e para outras cidades como Curitiba, Campinas e Passo Fundo - feitos no Jet Class da finada Rio Sul. Afinal, voar em um avião brasileiro - no caso, o Embraer 145, produto esse que tirou a empresa aeronáutica do buraco - em uma companhia brasileira era o auge do luxo patriótico. Em plena era da globalização, era a afirmação máxima de que o nosso país tnha a capacidade de produzir produtos de maior complexidade tecnológica, e não apenas commodities agrícolas e produtos primários. Era a modernidade sobre asas nos ares do Brasil…
Agora, com a ascensão da Gol, acabou-se o que era doce! Veio a era dos aviões entupidos de gente, das longas filas no check-in, das barras de cereais e “goiabinhas” insossas, das poltronas apertadíssimas, dos corredores estreitos, das tripulações de cabine apressadas portando sorrisos burocráticos… Tudo em nome do preço baixo, e da promessa de uma maior oferta de valor para o cliente. E os estudiosos de estratégia empresarial e de marketing fizeram a sua parte, incensando a “Laranja Mecânica” como a grande revolução no setor de aviação civil em nosso país…
Realmente, o panorama mudou… e para MUITO, mas MUITO PIOR! Com a quebra da Varig, então, nem se fala! Aliado a perda de rumo da TAM, que numa tentativa de reagir à concorrência, resolveu “mimetizar” o modelo de negócios da Gol - isto é, aviões entupidos, poltronas duras e apertadas, comida insossa e atrasos monumentais -, os consumidores ficaram na mão de um duopólio realmente nefasto do ponto de vista do cliente. Para nós, os consumidores, as líderes de mercado - Gol e TAM - oferecem a mesma coisa: até a diferença de preço ficou bem pequena, pois a Gol sabiamente vem reajustando gradualmente os seus preços…
Por isso, quando uma companhia resolve desafiar esse o duopólio, em tese torno-me extremamente simpático. Pois, como bom entusiasta da economia de mercado, uma concorrência é salutar e só faz bem para o interesse do consumidor. Foi assim quando apareceram, por exemplo, a Nova Varig e companhias menores, como a BRA e a WebJet. No entanto, todas fracassaram. A última esperança estava, até então, nas mãos da OceanAir, mas parece que a coisa vai pelo mesmo caminho…. pelo ralo!
Saíram os dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) sobre o desempenho das companhias aéreas durante o período do Carnaval (de 28 de janeiro a 6 de fevereiro). O resultado aponta que os atrasos dos vôos registrados nos aeroportos do país foram, em média, de 8%. A líder de atrasos foi justamente a OceanAir, com 27% dos vôos atrasados - logo ela, que vem ampliando a sua fatia de mercado para 7%, grande parte em função da paralisação das operações da BRA.
Em segundo lugar no ranking de atrasos vem a Gol (com 7%), seguida da Varig (com 6%) e da TAM (com 5%). Vale destacar que o percentual de atrasos no Carnaval foi menor do que o apurado no período das festas de final de ano, mas mesmo assim continua o imbroglio entre os órgãos aeroportuários, as companhias aéreas e a agência reguladora do setor.
Enquanto isso, ficamos à mercê de aeroportos imundos, desconfortáveis e pouco operacionais, e das empresas aéreas que já afirmaram na imprensa que preferem ser processadas do que cumprir os ditames da legislação. É o que nós todos estamos cansados de saber: a certeza da impunidade faz com que as empresas ajam desta maneira…
Enquanto isso, o consumidor que se exploda! Também, que mandou voar de avião? É sinal de riqueza e fausto! Tá reclamando de quê, mané?!?! Também, quem mandou votar nesses caras? É sinal de estreiteza cognitiva? Agora aguenta…
Apesar de carioca, e da eterna rivalidade entre nós e os paulistanos, gosto muito de São Paulo. A despeito da verdadeira “selva de pedra” que é a cidade da garoa, sua vida frenética, seu leque variadíssimo de restaurantes, suas inúmeras opções de lazer, museus, livrarias, cafés, teatros e salas de espetáculos são tudo de bom para esse Escriba que vos fala. Além do mais, é por lá que circula o dinheiro do país, as oportunidades de business são inúmeras, e sem dúvida alguma, para algo “acontecer” no Brasil - desculpem meus amigos cariocas -, necessariamente ela tem de passar pelo crivo dos paulistanos. Afinal, são eles que pagam a conta…

A onda do momento é a busca da “qualidade de vida”, seja lá o que isto queira dizer. O significado desse termo é tão amplo quanto o número de consumidores que o apregoam em suas decisões de compra, mas o fato é que essa qualidade é diretamente afetada pelas ofertas de consumo disponíveis. Quanto mais opções de escolha, mais o consumidor se sente livre para encontrar o produto ou serviço que se encaixa em seu estilo de vida e sua maneira de pensar e agir. Logo, uma das maneiras de atender as necessidades e os desejos dos consumidores passa pela antecipação dos anseios de segmentos de indivíduos cada vez mais complexos e multifacetados, em escalas cada vez mais microsociais. Daí a importância da Pesquisa de Mercado como ferramenta de prospecção de tendências. Mas isso é assunto de sala de aula…

E, por falar em tendências de consumo, um dos fenômenos urbanos mais interessantes dos últimos anos é o de “morar sozinho”, especialmente entre os segmentos mais abastados da sociedade. Na cidade de São Paulo, essa opção de vida é crescente no panorama existencial dos indivíduos das classes A e B. Segundo uma pesquisa realizada pelo Ibope Mídia no segundo semestre de 2007, os “singles” abrangem 720 mil domicílios da capital paulistana com apenas um único habitante - isto é, cerca de 6% da população total de paulistanos.

No âmbito brasileiro, a região Sudeste é a lider dos “singles”, com 11,9% dos domicílios, seguido pela região Sul (11,4%), Centro-Oeste (11%), Nordeste (9,1%) e Norte (8,6%). O total de domicilios no país com essa configuração é de 10,8%. Ou seja, de cada 100 domicílios, quase 11 optaram pela máxima: quanto mais eu conheço a humanidade, mais eu amo o meu cachorro…

Em termos etários, as faixas mais representativas do habitante “single” são entre 45 - 54 anos (com 24% dos habitantes), seguida pelo segmento anterior, entre 35 - 44 anos (23% do total de habitantes da cidade de São Paulo). Já 22% estão na faixa entre 55 - 64 anos, e 20% na faixa de 25 a 34 anos.

Por estarem no topo da pirâmide de renda, essas pessoas preferem morar nos bairros centrais da capital por uma série de questões: maior proximidade do trabalho, maior concentração de ofertas de serviços especializados, um leque mais abrangente de opções de lazer, entretenimento e gastronomia. No ranking dos bairros com maior concentração de habitantes do “bloco do eu sozinho”, temos na liderança a Consolação (com 62,78% dos “singles”), seguida da Bela Vista (com 61,43%), República (61,30%), Santa Cecília (60,21%) e Jardim Paulista (60,09%).

Em termos de consumo, as perspectivas são bastante interessantes, e as oportunidades de marketing são bem promissoras. Dos entrevistados pela pesquisa, 30% se sentem seguros financeiramente, 34% compram frequentemente por impulso no supermercado, 52% gostam de cozinhar, 49% preferm marcas mais sofisticadas e 33% têm como prioridade de vida o seu trabalho. Outros dados interessantes: 54% se consideram aptos para consertar coisas, 62% se preocupam muito consigo mesmos e apenas 27% preferem comprar a prazo.

Claramente se nota que estamos falando de consumidores hiper-individualistas e ultra-consumistas. O consumo para eles é um elemento de compensação frente à rotina estressante e competitiva do trabalho, e o máximo da liberdade é poder escolher o que quiser sem se preocupar com o preço. Pois, afinal, o dinheiro é tudo, coisa de suma importância quando se trata dessa versão “tupiniquim” dos yuppies…

No entanto, ser “single” não é necessariamente sinônimo de solidão. A internet é uma ferramenta utilizada muito intensamente por esses consumidores, gerando novas formas de socialização e maximização das redes de relacionamento. Além do mais, a pesquisa do Ibope Mídia identificou que 25% dos “singles” se reuniram com os amigos nos últimos 30 dias, 23% comprarm livros, 13% foram a bares e cafés e 14% frequentaram restaurantes. Não deixa de ser surpreendente essa frequência baixa de consumo, dado o imenso potencial desse segmento de consumidores.

Olha a oportunidade de marketing aí, gente…

Quarta-feira de cinzas, uma chuva infernal, é impossível não ser acometido por uma leve sensação de depressão. A solução para isso é sair um pouco do casulo, e pegar um cineminha - posto que a programação de teatro e de exposições só iria começar a partir dessa quinta-feira…
Na listinha que fiz para o mês de férias, estava o aclamadíssimo longa metragem 4 meses, 3 semanas e 2 dias (4 luni, 3 septamani si 2 zile, de 2007), ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes em 2007, dirigido pelo romeno Cristian Mungiu. Como está o maior bochicho em torno do filme, esse Escriba resolveu conferir a película de perto - mesmo diante do meu estado de espírito meio down from the upside…
A estória se passa na Romênia no ano de 1987, durante os últimos dias do regime comunista (e satélite da ex-União Soviética) do sanguinário e ensandecido Nicolai Ceaucescu. O filme trata do drama de duas estudantes universitárias, Otilia (interpretado pela bela e expressiva Anamaria Mirinca) e Gabita (Laura Vasiliu, em uma atuação que oscila entre o desespero total e a belle indifférence histérica da qual tanto nos fala Freud), que se envolvem em uma trama prá lá de alvissareira. Incitada pelas amigas, e no afã de interromper uma gravidez indesejada, a ingênua Gabita contrata um “Mr. Butcher” especializado em aborto, um tal de Sr. Bebe (uma fantástica interpretação de Vlad Ivanov), arrastando a sua amiga Otília para uma “furada” de trágicas proporções, dada a profusão de suas mentiras. Até aí, nada de mais, apenas se trata de uma estória um tanto quanto dramática, mas até certo ponto corriqueira para os nossos padrões morais relativísticos…
No entanto, o desenrolar da trama é prá lá de angustiante, dado o realismo com o qual as cenas são filmadas. Primeiro, as cenas da cidade são as mais horríveis possíveis: ruas imundas, carros caindo aos pedaços, pessoas com rostos inexpressivos e jovens interessados muito mais em contrabandear “artigos de luxo” ocidentais (como cigarros e sabonetes) que agem como “zumbis”, tamanho o grau de abdicação de seus sonhos em direção a uma existência simultaneamente conformada e desesperadora. Normalmente, jovens possuem um olhar perdido - dada a magnitude de suas inquietações existenciais -, mas o filme se superou na exposição de uma geração atravessada pelo mais profundo sentimento de que there’s no way out…
O entorpecimento individual acaba transbordando para a dimensão das relações interpessoais. Os contatos entre os jovens na “república” são meramente factuais, sem grandes profundidades, se limitando à observações banais e frias sobre questões da vida concreta, ou seja, uma coleção de obviedades. A cena inicial do filme que mostra as duas amigas travando um “diálogo” em seu quarto, e a maneira indireta e muito pouco alusiva sobre a gravidez indesejada de Gabita, são provas de que a saída existencial para suportar o real que é absolutamente insuportável é fechar-se em si mesmo, enclausurar-se, recolher-se aos seus aposentos mentais, revestidos em um invólucro de frieza expresso em olhares perdidos, diálogos curtos e entrecortados, silêncios absolutamente desesperadores conjugados com muita nicotina…
Aliás, outra cena que expressa essa questão se dá por ocasião da festa de aniversário da mãe do namorado de Otília - diga-se de passagem, ela se mostra muito pouco “emplogada” com o relacionamento em si. O que seria um “saco” para uma jovem - afinal, trata-se de uma festa de “velhos caretas” - torna-se um tormento infernal, dado o conservadorismo da geração que sobreviveu, aprendeu, se adaptou e prosperou às mazelas do regime totalitário. A cena é filmada em um plano longo, ininterrupto, e os comensais dialogando em uma verdadeira orgia de pratos e copos enquanto a jovem Otília se protege das agressões exteriores refugiando-se em seu “invólucro” de introversão é uma das passagem mais belas e angustiantes da película. Uma das imagens mais poéticas do cinema contemporâneo, que evoca momentos de um Bergman, de um Wenders, de um Jarmusch…
Ah, já ia quase esquecendo: o filme é um libelo contra o aborto, e talvez não tenha havido até então uma obra cinematográfica que abordasse a temática de maneira tão chocante, nua e crua. Mais uma vez, o realismo do diretor entra em cena, mostrando os pormenores constrangedores da negociação do aborto - desde o acerto do preço do “serviço”, a sua lenta e angustiante realização até o desfecho final. Confesso que tive vontade de levantar da cadeira e sair correndo do cinema, dada a angústia e a humilhação sofridas pelos personagens. Não que eu seja um conservador propriamente, pois me considero um liberal no que tange ao aborto, posto que acredito que as pessoas devem ser livres para escolher o que devem fazer com os seus corpos. Mas, a maneira com a qual o diretor aborda a questão gera no espectador um sentimento de horror, revestindo o ato com tintas hediondas, abominantes, repugnantes e ultrajantes…
Resumo da ópera: fui para me divertir e me distrair um pouco, e saí angustiado, deprimido, triste, enojado e com uma sensação de repugnância. Parodiando Marlon Brando em Apocalypse Now, o filme evoca o “The Horror”. O horror da bestialidade, da baixeza humana, da degradação existencial, do desespero infindo representado na correria desabalada de Otilia pelas ruas escuras, frias, desertas, hostis e imundas, almejando se livar do fardo que é viver sem qualquer perspectiva…
O filme é recomendado apenas para pessoas de espírito e estômago fortes, posto que o desespero evocado pode chegar às raias do insuportável. Aliás, quem disse que viver é fácil? Viver, meus angustiados leitores, não é para amadores, e sim para profissionais…

Carnavalzinho mixuruca esse de 2008! Foi justamente no início de fevereiro, choveu todos os dias, e ainda por cima a Beija-Flor foi campeã novamente!!!! Ninguém merece…

Ainda bem que, com o fim das folias momescas, o ano tem o seu efetivo início. Hora de pagar as infintas contas: IPTU, IPVA, material escolar, matrícula de colégio, renovação de seguro do carro… E ainda em abril vem o pior: Imposto de Renda!

É CRÉU NA GENTE!!!!

Por outro lado, há também coisas boas: a promessa de muito trabalho, muitas frentes abertas e muitos projetos em andamento. Se tudo correr dentro do planejado, 2008 promete…

Mãos à obra, então! E bom 2008 para os meus fiéis leitores!
A foto acima é a do lançamento da nova camisa oficial do English Team de futebol - football para os súditos da Rainha, soccer para os norte-americanos…

O time da Rainha pode ser uma porcaria, com um misto de jogadores superstars que sempre “pipocam” na hora da decisão - como é o caso dos famosos David Beckham, Wayne Rooney, Michael Owen e Terry Lampard -, e outros que são uns verdadeiros “penas-de-pau”…

No entanto, a britânica Umbro - que recentemente foi adquirida pela norte-americana Nike -, a fornecedora oficial do equipamento esportivo da Seleção Inglesa, sempre capricha quando se trata de vestir os Leões com elegância e sofisticação…

Nem preciso dizer que a camisa foi alçada ao número um da minha lista de desejos…